Cantos em Outubro

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Re: Cantos em Outubro

Mensagem por Gilberto Pinelas em Ter Out 25, 2016 6:59 am

Olá, Gonçalo.

Sim, no contexto das tuas interrogações/perguntas, eu percebi que estarias surpreendido. No entanto, não tenho quaisquer dúvidas que as vocalizações que ouvi estão relacionadas com o dito "Asio otus". As diversas vocalizações das corujas do mato conheço-as bem...

Não. O "canto" que eu ouvi, este comum ás duas aves, correspondia exatamente ao "song 1". Ah, e já agora posso dizer também que os registos aconteceram durante a noite, aproximadamente entre as 22.30 h e as 23.30 h.

Dispõe sempre!
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Re: Cantos em Outubro

Mensagem por Gonçalo Elias em Ter Out 25, 2016 7:07 am

Ah ok obrigado. Estou esclarecido.

Já agora mais uma nota: o song 1 corresponde ao "canto" da fêmea, curiosamente o site que indicaste não disponibiliza qualquer ficheiro com o canto do macho scratch

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Re: Cantos em Outubro

Mensagem por Gilberto Pinelas em Ter Out 25, 2016 7:14 am

Olá, Gonçalo.

Estamos sempre a aprender. Neste caso, eu. Aliás, nem sabia que o "song 1" correspondia ao canto da fêmea. Todavia, reitero aquilo que te disse: as vocalizações que ouvi, de ambas as aves, correspondem exatamente ao "song 1". Sobre isto não tenho quaisquer dúvidas, repito.
Em relação ao site, foi o melhor que encontrei, o que estava mais á mão, como é hábito dizer-se. Se conheces outros podes partilhar?

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Re: Cantos em Outubro

Mensagem por Gonçalo Elias em Ter Out 25, 2016 7:20 am

Gilberto Pinelas escreveu:Estamos sempre a aprender. Neste caso, eu. Aliás, nem sabia que o "song 1" correspondia ao canto da fêmea. Todavia, reitero aquilo que te disse: as vocalizações que ouvi, de ambas as aves, correspondem exatamente ao "song 1". Sobre isto não tenho quaisquer dúvidas, repito.
Sim, essa parte ficou perfeitamente clara Smile

Gilberto Pinelas escreveu:Em relação ao site, foi o melhor que encontrei, o que estava mais á mão, como é hábito dizer-se. Se conheces outros podes partilhar?

Sugiro o xeno-canto que tem talvez a melhor base de dados pública de sons de aves:
http://www.xeno-canto.org/
Basta meteres o nome da espécie, e aparece-te uma lista de gravações, com indicação da data, do local e, em muitos casos, se se trata de macho, fêmea, canto, chamamento, etc. Muito útil Smile
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Re: Cantos em Outubro

Mensagem por Gilberto Pinelas em Ter Out 25, 2016 7:22 am

Muito fixe. Vou explora-lo... Obrigado!
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Re: Cantos em Outubro

Mensagem por Paulo Lemos em Ter Out 25, 2016 9:39 am

A minha experiência com esta espécie limita-se a observação ocasional durante Outono e inverno e mais prolongada (anual e diariamente) de alguns casais selvagens onde a espécie é (ou era) abundante, e não a um "must" ex-situ ou outro contexto como aves semi-selvagens ou aves selvagens bem vinculadas ao ser humano e simultaneamente a congéneres. Portanto estarei algo limitado quanto ao conhecimento de toda a diversidade que pode ser emitida por indivíduos em contacto a estreita distancia.

Contudo posso apontar que alguns sons no Xeno estão mal identificados para a função correspondente e, no campo, para quem não está familiarizado com a espécie, muitos poderão também ser confundidos ou memorizados incorrectamente.
Esclarecimento é que, se foi esse som ouvido no campo, não corresponde a canto algum e sim ao pedido da fêmea (por exemplo quando se prepara para nidificar ou já no choco, emitido do ninho). Já suspeitava que fosse esse som, o mais comum, mas acho algo estranho serem duas a emiti-lo e em "coro". É um som relativamente baixo, aliás todos os da espécie menos os dos juvenis (nesses é possível até distinguir sexos, a quase 1km) e pode confundir-se com outros.
O som emitido pela fêmea ao chamar uma cria voadora também pode confundir-se com esse "pedido".
Normalmente são aves silenciosas, mesmo quando se observam acesas disputas e já as assisti a escassos metros (2-4).

Gostava de ouvir isso gravado, se possível para ser analisado com mais atenção... e pode ser interessante Wink.

Nesta altura do outono, se mais quente e "farto" em recursos, muitas aves estão "excitadas" como na pré-primavera (passeriformes, exemplos de rapinas como o Açor, quase todas as Estrigiformes, etc.), mas abrandam mais para o Inverno.
Outra factor importante é o comportamento das aves poder variar conforme localização, ecologia e situação populacional... inclusive na vocalização e nas predisposições para tal.
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Re: Cantos em Outubro

Mensagem por Gonçalo Elias em Qua Out 26, 2016 4:22 am

25 de Outubro, Granja do Marquês (Sintra):
Erithacus rubecula
Serinus serinus
Carduelils carduelis
Emberiza calandra

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Re: Cantos em Outubro

Mensagem por Luisfssantos em Qua Out 26, 2016 2:43 pm

Hoje 26 de Outubro ouvi, do meu apartamento na baixa de Setúbal de manhã:
Cyanistes caeruleus
Na Quinta da Várzea, Setúbal:
Erithacus rubecula
Carduelils carduelis
Certhia brachydactyla
Sylvia atricapilla
Phoenichurus ochruros
Phylloscopus collybita

No Parque Urbano de Albarquel à noite enquanto treinava, a cereja no topo do bolo:
Strix aluco Smile
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Re: Cantos em Outubro

Mensagem por Gilberto Pinelas em Qui Out 27, 2016 2:24 am

Paulo Lemos escreveu:A minha experiência com esta espécie limita-se a observação ocasional durante Outono e inverno e mais prolongada (anual e diariamente) de alguns casais selvagens onde a espécie é (ou era) abundante, e não a um "must" ex-situ ou outro contexto como aves semi-selvagens ou aves selvagens bem vinculadas ao ser humano e simultaneamente a congéneres. Portanto estarei algo limitado quanto ao conhecimento de toda a diversidade que pode ser emitida por indivíduos em contacto a estreita distancia.

Contudo posso apontar que alguns sons no Xeno estão mal identificados para a função correspondente e, no campo, para quem não está familiarizado com a espécie, muitos poderão também ser confundidos ou memorizados incorrectamente.
Esclarecimento é que, se foi esse som ouvido no campo, não corresponde a canto algum e sim ao pedido da fêmea (por exemplo quando se prepara para nidificar ou já no choco, emitido do ninho). Já suspeitava que fosse esse som, o mais comum, mas acho algo estranho serem duas a emiti-lo e em "coro". É um som relativamente baixo, aliás todos os da espécie menos os dos juvenis (nesses é possível até distinguir sexos, a quase 1km) e pode confundir-se com outros.
O som emitido pela fêmea ao chamar uma cria voadora também pode confundir-se com esse "pedido".
Normalmente são aves silenciosas, mesmo quando se observam acesas disputas e já as assisti a escassos metros (2-4).

Gostava de ouvir isso gravado, se possível para ser analisado com mais atenção... e pode ser interessante Wink.

Nesta altura do outono, se mais quente e "farto" em recursos, muitas aves estão "excitadas" como na pré-primavera (passeriformes, exemplos de rapinas como o Açor, quase todas as Estrigiformes, etc.), mas abrandam mais para o Inverno.
Outra factor importante é o comportamento das aves poder variar conforme localização, ecologia e situação populacional... inclusive na vocalização e nas predisposições para tal.

Olá, Paulo Lemos.

Nesta altura do ano parece-me inoportuno tentarmos neste caso quaisquer tipo de registos. O "spot" encontra-se numa zona de caça turística e, apesar de o gestor de caça ser meu amigo, temo que a revelação da existência destas aves no local seja motivo ou possa contribuir para alguma ação menos própria. Você perceberá o que quero dizer. No entanto, em tempo oportuno, finda a época venatória que decorre e sem riscos, penso que será possível concretizar o que sugere.
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Re: Cantos em Outubro

Mensagem por Paulo Lemos em Qui Out 27, 2016 10:21 am

Seria mais interessante nesta altura, se significar que um casal anda com "ideias".


- Strix aluco, ontem, novamente em 3 locais habituais menos um, do concelho das Caldas.
Sim há, talvez, interesse em assinalar uma "falta".

Ontem confirmei (e estranhei) faltar a vocalização desta espécie numa zona rural com alguns focos de monocultura "florestal" praticamente anexa à cidade, ao contrário de anos anteriores, onde se que se ouviam duas corujas aparentemente vizinhas ao despique.
Então, na minha cada vez mais sustentada certeza de que a espécie aumentou localmente nas ultimas décadas pelos pinhais da região (vales tifónicos e afins) ao contrário do Bufo-pequeno que como referi atrás tem diminuído bastante, questiono se tudo será devido à influencia de um predador na distribuição e abundância destas duas aves nocturnas. Suponho que sendo naturais de habitat semelhante, o açor e bufo-pequeno lá se entendem, mas não no caso da coruja do mato. E como já disse no outro tópico que vejo menos açores do que outrora, está fresca a ideia para um provável ponto a favor de mais corujas nos últimos anos...
Não sei ao certo como as duas nocturnas se inter-relacinam, apenas assisti a uma pequena luta em que i bufo tentava acossar a curuja (no Inverno). Mas a coruja é uma ave muito mais poderosa e não sei como termina esta situação.
Pelo que entendo, os casais de Açor começam "(re)namorar" mais ou menos nesta altura, encontrando-se vinculandos a um sítio seguro e bem bonitinho (para eles!) e, apesar de por vezes o ninho se distanciar para outro local ainda considerado "o mesmo território" na primavera quando voltam a unir-se mais vezes novamente (casos em que local de cortejamento se distancia do ninho, mas regra geral o 1º sítio é bem mais bonito apesar de menos sossegado pois outros congéneres o frequentam), na tal zona onde deixei de ouvir coruja do mato noto, de facto, desde há cerca de 3 semanas, açores "demasiado residentes", brincalhões e fieis ao seu belo cantinho.
A confirmar-se para o ano nidificação destes diurnos, será o casal que nem tempos mais recentes nidifica mais perto da cidade, considerando que as imediações já não são "selvagens" como antigamente. E parece assim menos um sitio para coruja do mato.
E agora pergunto-me se o "silencio" do bufo-pequeno não será uma boa defesa contra os açores... e porquê?
A carne dos estrigídeos é muito apreciada por rapinas diurnas (das vezes de tratei de rapinas não deixava de recolher eventuais animais de tamanho médio, mortos por atropelamento mas frescos, proporcionando assim uma alimentação mais natural e até umas conclusões interessantes)... quererá isto dizer que se um açor fêmea dominar uma zona onde encontre uma coruja ou mocho, estes convertem-se num monte de penas espalhadas pelo pinhal. Pior, se o açor caçar ao crepúsculo e em noites claras e seguir chamamentos reconhecidos, como já observado já mais do que uma vez e bem conheço que tem capacidade para o fazer pois os "meus" jovem açores livres, há muitos anos seguiam-me em noites claras, se os chamasse Idea .
Será isto muita especulação ou então... uma boa hipotese para o silêncio?
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Re: Cantos em Outubro

Mensagem por Gilberto Pinelas em Sex Out 28, 2016 3:39 am

Olá, Paulo Lemos.

Acredito que seria interessante tentarmos obter os registos nesta altura. No entanto, como já disse, tenho por convicção que não seria uma boa ideia tentarmos fazê-lo paralelamente com a arreigada atividade venatória que ali se exerce. Mesmo conhecendo as pessoas responsáveis pela exploração da dita zona de caça, um bufo é um bufo, seja pequeno ou grande, e os coelhos estarão sempre em primeiro lugar. Por muita consideração e amizade que tenho por aquelas pessoas, que tenho, diga-se também, nesta altura não me parece conveniente arriscar, repito.

Relativamente ao que nos conta acerca da coabitação dos açores com as aves noturnas numa determinada área, para além de demonstrar um excelente trabalho realizado por si, é deveras interessante conhecer as ilações ou mesmo as interrogações que retira do mesmo.

Ainda acerca deste maravilhoso assunto envolto em surpresas e segredos, e por isso é que é fascinante, também eu, mais uma vez, fortuitamente e em pleno verão de 2016, avistei por duas ocasiões um açor em plena zona urbana, mais concretamente na Rua do Cobre em Cascais. No primeiro avistamento a rapina em nítida ação predatória tentou capturar uma rola turca que se encontrava pousada num telhado e, no segundo avistamento, apenas passou diante de mim, prospetando a área. Inacreditável, não é?

Há uma coisa que, mesmo não sendo biólogo, me parece evidente: cada vez mais se nota uma tendência natural de mudança nos hábitos dos animais selvagens e, as aves, não fugirão á regra…

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Re: Cantos em Outubro

Mensagem por pedro121 em Sex Out 28, 2016 3:51 am

Os Açores caçam pontualmente bufos-pequenos, por outro lado os Bufos-reais caçam Açores e Bufos-pequenos e corujas-do-mato. Não sei qual a interacção entre Bufos-pequenos e Corujas-do-mato.

Gilberto, um Bufo-pequeno não consegue apanhar um coelho, nem nada de tamanho semelhante, quanto muito conseguem apanhar coelhos pequenos quando estão a sair das tocas. Não obstante como é a rapina-nocturna mais vulneravel é preferível não divulgar.

Os Açores entram facilmente em meios urbanos como o da foto, há 2-3 anos havia uma fêmea que passou o inverno a atacar as rolas turcas do meu bairro tendo basicamente conseguido convencer as rolas que pousarem em bando no fio telefónico que passa num terreno ao lado da minha casa era uma sentença de morte. Quando as rolas começaram a ser mais cautelosas também o açor perdeu o interesse.
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Re: Cantos em Outubro

Mensagem por Paulo Lemos em Sex Out 28, 2016 5:07 am

Entendo a sua decisão, pois melhor do que ninguém conhece o contexto. Julguei que durante a noite não dava nas vistas e que fosse fácil e rápido conseguir registos.
Na área do Restelo e Monsanto observei ocasionalmente açores por volta de 2000s. Nunca andei por lá em busca de ninhos mas lembro-me de que na época de cria havia ataques a ciclistas por uma "ave agressiva" que parece ser açor pela descrição apresentada (situação que aqui na minha zona não ocorre e mesmo o alarme raramente soa). Suponho que esta espécie se dilua com os pombos da cidade e só seja identificada por malta experiente (como em tantos locais passam por mais um pombo ou um grande pombo de "raça" solto e muitas vezes o voo do açor "adapta-se" parecido).

Pergunto ao Gilberto a que horas e data ocorreram os ataques na cidade.

pedro121 escreveu:Os Açores caçam pontualmente bufos-pequenos, por outro lado os Bufos-reais caçam Açores e Bufos-pequenos e corujas-do-mato. Não sei qual a interacção entre Bufos-pequenos e Corujas-do-mato.

Gilberto, um Bufo-pequeno não consegue apanhar um coelho, nem nada de tamanho semelhante, quanto muito conseguem apanhar coelhos pequenos quando estão a sair das tocas. Não obstante como é a rapina-nocturna mais vulneravel é preferível não divulgar.

Os Açores entram facilmente em meios urbanos como o da foto, há 2-3 anos havia uma fêmea que passou o inverno a atacar as rolas turcas do meu bairro tendo basicamente conseguido convencer as rolas que pousarem em bando no fio telefónico que passa num terreno ao lado da minha casa era uma sentença de morte. Quando as rolas começaram a ser mais cautelosas também o açor perdeu o interesse.

O mais espectacular que se avistava diariamente em áreas urbanas do Oeste era o já raro Ógea, atrás de riparias e outras andorinhas, visitando as colónias e rondando os já quase extintos rebanhos.

Claro que os açores caçam essas espécies nocturnas. Agora a ponto de fazer dano nas populações de cada uma, se coincidirem elas "demais" em termos de território, é que seria interessante confirmar e distinguir. A densidade de coruja do mato continua decepcionante em grande parte desta região, face à elevada existência de recursos e em comparação com outras localizações onde a população de açores é nitidamente mais dispersa e a influencia das fêmeas açor menos perceptível. E tenhopoucas duvidas de que se uma coruja passa ou vocaliza junto a uma açor "em descanso" durante uma noite clara ou em contra-luz (da cidade ou luar) perca a vida. Por outro lado, algumas caçadas e entregas de presa acontecem já muito depois do nascer ou pôr do Sol, quando ambas as nocturnas andam já ou ainda activas (cada uma à sua maneira). Quase escuro depois do pôr do Sol.
Quanto ao bufo não incluir coelhos na dieta, é dar uma olhada aqui: https://vimeo.com/18406095 aos 3.36. Esta situação aconteceu várias vezes com outros casais de bufo, jovens coelhos (alguns bem granditos) trazidos regularmente por ambos os sexos. Se o coelho era maior, era cortado ainda mais amiúde e trazido com alguma dificuldade.

Os açores sempre caçaram pombos na cidade das Caldas, como muito sabem e lamentavam columbófilos, apesar de alguns deles nem saberem distinguir de peregrino que sempre foi bem mais raro por cá, sendo maioria dos ataques de açor adulto, mais ágil e claro por baixo. A questão é que estas aves são agora menos vitimadas em qualquer parte da região (na minha opinião isso não reduzia antes as populações mas sim seleccionava os bichos para talvez menos conspícuos, isto até hoje muito recentemente). Porque na verdade voltaram agora a ocorrer como nidificantes mais perto das povoações, mesmo que em volta da cidade se estendam menos matos e árvores hoje, pois foi reduzido e confinado o impacto da caça e das outras actividades "atentas" às rapinas muito graças ao êxodo rural. Em suma, esses matos e árvores, e a própria cidade e subúrbios da parte humana, confirmam-se agora mais libertos de impacto humano (e da geração humana) "inimigo" dos açores... e claro, eles sentem-se menos incomodados (e a diversidade de formas tira vantagem singrando dos novos recursos).
Para o ano devemos ter mais um ninho local de açor, em mosaico que há até há poucos anos servia exclusivamente ao búteo nesse fim. Os dois até criavam muito juntos antes, por vezes com ninhos muito vizinhos (por vezes nos céus trazendo cada um deles a sua presa para um local), mas isto bem mais longe de presença humana e junto a maior extensão arborizada.
Parece-me que fêmeas mais leves capturam muito mais facilmente as rolas e há bons locais que são frequentados na época de reprodução por machos vindos de diversos territórios, que carregam nas garras cada um na sua direcção. Não há duvida de que esta espécie se tornou o alvo preferencial em substituição do pombo (pelos machos ainda "mais preferido" do que o pombo pois é fácil de transportar).
Não faço ideia do estado da população desta rola no Oeste, pois é difícil avaliar (decerto > do que parece e bem espalhada, muitos exemplares dispersando "aleatoriamente" ou alternando pelos "comedouros", locais de repouso, etc.).
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Re: Cantos em Outubro

Mensagem por pedro121 em Sex Out 28, 2016 5:36 am

Paulo Lemos escreveu:
Quanto ao bufo não incluir coelhos na dieta, é dar uma olhada aqui: https://vimeo.com/18406095 aos 3.36. Esta situação aconteceu várias vezes com outros casais de bufo, jovens coelhos (alguns bem granditos) trazidos regularmente por ambos os sexos. Se o coelho era maior, era cortado ainda mais amiúde e trazido com alguma dificuldade.

Com esta é que me apanhaste, mas como eu disse o coelho era pequeno, pelo menos a comparar com o tamanho das pinhas, mas ok, admito que apanhem coelhos maiores do que eu pensaria possível.
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Re: Cantos em Outubro

Mensagem por Paulo Lemos em Sex Out 28, 2016 5:42 am

Por serem "metades", durante uns tempos julguei que fossem presas roubadas de outros ninhos de rapinas durante a noite (que acontece com bútio certamente), mas numa delas mais recente segui uns gritos e apanhei um flagrante, sem querendo salvei o coelho do que pensava ser uma doninha ou uma cobra. Além disso, quando provavelmente há menos ratos e pequenos pássaros ou muitas bocas para alimentar, são frequentes presas relativamente grandes, ou difíceis de "furar" e de consumir, como as toupeiras (ver vídeo).
A cria em questão acabou por deixar cair a "metade" do coelho e estranhei que era demasiado fresco, já a meio da noite.

Entretanto há imensas questões a partir daqui. Por exemplo o bufo-pequeno deverá ter defesas contra esta ave de rapina, pois ambas estão (segundo se lê) ancestralmente vinculadas às coníferas apesar de na prática serem adaptáveis. Mas também amadurecendo o assunto, lembrei-me de que as crias de bufo-pequeno são bastante ruidosas... mas na época em que normalmente saem ninho mais vulneráveis, a fêmea açor (ou a maioria das adultas experientes) estará bem alimentada agarrada ao ninho.
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Re: Cantos em Outubro

Mensagem por Gilberto Pinelas em Sex Out 28, 2016 10:17 am

Olá, Paulo lemos

Relativamente ao detalhe que me pede sobre a data e horas em que os ditos ataques ocorreram, muito sinceramente não sei dizê-lo com a precisão desejada. No entanto, o primeiro avistamento ocorreu no fim do mês de Agosto; o segundo avistamento no princípio do mês de Setembro e ambos ocorreram ao final da tarde.

Espero ter ajudado.
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Re: Cantos em Outubro

Mensagem por Paulo Lemos em Sex Out 28, 2016 3:05 pm

Não há problema. Uma dessas visitas pode ocorrer a qualquer hora, apesar de mais frequentes antes do nascer do Sol.
No ano passado uma fêmea adulta voava rasante pelos telhados da movimentada povoação da Foz do Arelho, vinda da Serra-do-Bouro, para capturá-las a horas variadas na quinta da foz mesmo ao lado de uma praça e rua cheias de veraneantes de passagem.
Contudo era mais certo vê-la após o pôr do sol (antes do nascer nunca estive lá para ver). Julgo que os Accipiter têm superior capacidade de visão em condições de fraca luz comparativamente às presas, sem se perderem delas ou cometerem erros fatais numa perseguição rápida.
Vejo gaviões manobrarem a grande velocidade nessas circunstancias e em plena perseguição com multiplicas reincidências no mesmo ataque (após eventuais esquivanços normais a qualquer hora), mesmo em ambiente intrincado e fechado. Um embate seria fatal. Até fazem "vuuushh" Very Happy .
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Re: Cantos em Outubro

Mensagem por Tissot em Sab Out 29, 2016 7:16 am

Phylloscopus collybita, 29/10/2016, Alfragide.
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Re: Cantos em Outubro

Mensagem por Ricardo Melo em Sab Out 29, 2016 7:25 am

Lousada, 28/10/16:
Emberiza cirlus (cantou durante cerca de um minuto).

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Re: Cantos em Outubro

Mensagem por Gonçalo Elias em Sab Out 29, 2016 7:27 am

Ricardo Melo escreveu:Lousada, 28/10/16:
Emberiza cirlus (cantou durante cerca de um minuto).

Uma característica comum à maioria dos cantos que se pode ouvir nesta época do ano é a sua relativa brevidade. Smile
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Re: Cantos em Outubro

Mensagem por Ricardo Melo em Sab Out 29, 2016 7:39 am

Gonçalo Elias escreveu:
Ricardo Melo escreveu:Lousada, 28/10/16:
Emberiza cirlus (cantou durante cerca de um minuto).
Uma característica comum à maioria dos cantos que se pode ouvir nesta época do ano é a sua relativa brevidade. Smile
Sim, se bem que algumas espécies aqui pelo Noroeste cantam como se não houvesse amanhã e várias vezes ao dia/noite (com luz artificial), como por exemplo o Erithacus rubecula. Wink

EDIT: Alterado Nordeste para Noroeste. Smile


Última edição por Ricardo Melo em Sab Out 29, 2016 10:46 am, editado 1 vez(es)
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Re: Cantos em Outubro

Mensagem por Gonçalo Elias em Sab Out 29, 2016 8:23 am

Ricardo Melo escreveu:Sim, se bem que algumas espécies aqui pelo Nordeste cantam como se não houvesse amanhã e várias vezes ao dia/noite (com luz artificial), como por exemplo o Erithacus rubecula. Wink

Não será noroeste? Smile

O caso dos Erithacus é uma excepção (por isso escrevi 'a maioria'), eles são fortemente territoriais durante todo o ano e por isso cantam intensamente mesmo no Outono.
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Re: Cantos em Outubro

Mensagem por Ricardo Melo em Sab Out 29, 2016 10:47 am

Gonçalo Elias escreveu:
Ricardo Melo escreveu:Sim, se bem que algumas espécies aqui pelo Nordeste cantam como se não houvesse amanhã e várias vezes ao dia/noite (com luz artificial), como por exemplo o Erithacus rubecula. Wink
Não será noroeste? Smile
O caso dos Erithacus é uma excepção (por isso escrevi 'a maioria'), eles são fortemente territoriais durante todo o ano e por isso cantam intensamente mesmo no Outono.

Sim e obrigado. Smile
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Re: Cantos em Outubro

Mensagem por Gilberto Pinelas em Sex Nov 04, 2016 4:20 am

São Luís, concelho de Odemira, 30 de Outubro de 2016:

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Re: Cantos em Outubro

Mensagem por Gonçalo Elias em Ter Nov 08, 2016 10:35 am

Gilberto Pinelas escreveu:São Luís, concelho de Odemira, 30 de Outubro de 2016:

Petinha-dos-prados (Anthus pratensis)

O que ouviste foi canto ou chamamento?

Pergunto isto porque as petinhas não costumam cantar nos territórios de Inverno.
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Gonçalo Elias

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Re: Cantos em Outubro

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