Influxo de P. inornatus

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Re: Influxo de P. inornatus

Mensagem por pedro121 em Qua Jan 18, 2017 9:24 am

Gilberto, não tens mais nenhuma foto? quando se tenta fotografar felosas com uma superzoom a melhor táctica é disparar em continuo para a zona onde está a ave e esperar ter sorte. Ou gravar, fazer vídeos tem também a vantagem de captar os chamamentos. Eu este ano dei com 3 inornatus separadas e duas juntas, consegui fotos ou vídeos das separadas, nas que estavam juntas não tinha maquina mas consegui gravar os chamamentos com o telemóvel não está bonito mas percebe-se.

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pedro121

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Re: Influxo de P. inornatus

Mensagem por Gilberto Pinelas em Qua Jan 18, 2017 9:51 am

Pedro, infelizmente não. Apenas consegui tirar estas duas.
Pois, a seu tempo terei que adotar essas medidas, mas neste caso não tive mesmo oportunidade.
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Re: Influxo de P. inornatus

Mensagem por PNicolau em Qua Jan 18, 2017 9:58 am

A ave estará certamente a invernar na zona.
Tive uma inornatus aqui ao pé de casa que não consegui documentar, simplesmente ouvi-a.
No dia seguinte, andei à procura e conseguir gravar e filmar. Tenta e serás recompensado, com uma foto que de facto mostre o que todos queremos ver. Ou mais fácil, uma gravação.
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Re: Influxo de P. inornatus

Mensagem por Gilberto Pinelas em Qua Jan 18, 2017 11:12 am

Nicolau, tens o direito de não gostares; tens o direito de gostares que os próprios falem por si, aliás, á minha semelhança, mas, perceberás que, na vida, mesmo neste âmbito, às vezes temos que nos socorrer de outros exemplos, de outras balizas, de comparações, para justificarmos muita coisa e até para percebermos e dissiparmos dúvidas acerca de outras tantas. É assim, assim será e, na minha modesta opinião, até pela experiência que a vida me tem revelado, enganado estará aquele que pensa que nunca precisará de estabelecer comparações para tentar perceber o que seja. Como tal, nada de mal, inquietante, indesejável, desleal ou corrosivo vejo nisso, nessa postura do comparativamente correto. Confesso que não vejo.
Relativamente ao resto que fizeste questão de frisar, o que poderei dizer acerca disso?
Nicolau, deixa-me dizer-te uma coisa: é óbvio que não irei aqui e agora discutir contigo acerca da tua larga experiência com a espécie, sobre quantas aves te passaram pela frente, sobre os teus métodos ou critérios de avaliação, até porque não foi expressamente isso que me trouxe até aqui. No entanto, isso, essa tua capacidade, essa tua experiência, na minha opinião, repito, também não pode ou não deve ser um fator redutor para quem quer argumentar e discutir contigo determinadas opiniões. E se for redutor, que o seja no amago de uma salutar discussão, mas nunca pelo facto de tu, que, pelo facto de fruíres de um determinado estatuto, que é perfeitamente normal e eu aceito naturalmente, não possas ou não queiras ser confrontado, tanto mais se, em tal situação, se verificar elevação, educação e se cumpram as regras de boa convivência. Pensa nisso.
Quanto ao “CPR” não aprovar este registo, não há rigorosamente mal nenhum nisso, nem tão pouco tinha pensado em tal coisa. Mas fica o desafio…
Obrigado pela atenção dispensada.


Última edição por Gilberto Pinelas em Qua Jan 18, 2017 11:59 am, editado 3 vez(es)
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Re: Influxo de P. inornatus

Mensagem por Gonçalo Elias em Qua Jan 18, 2017 11:23 am

PNicolau escreveu:Bottom line: o CPR não aprovaria este registo com esta foto.

Estás a partir do princípio de que o registo, a ser submetido, consistiria apenas na foto. No entanto, nem sempre isso acontece e na verdade há muitos casos de registos com foto acompanhada de descrição.

E embora concorde contigo que esta foto sem mais nada seria insuficiente para confirmar a ID, também não devemos partir daí para a rejeição. Uma descrição serve, justamente, para complementar a informação, nomeadamente aquilo que a foto não permite ver.
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Re: Influxo de P. inornatus

Mensagem por scirpaceus em Qua Jan 18, 2017 3:07 pm

A barra alar que apresentas, é uma mancha que a espécie P.collybita apresenta debaixo das alulas e que é visivel quando a ave é fotografada por debaixo. Já anilhei mais de 6.500 P-collybita e tambem anilhei 4 P.inornatus e é fácil de reparar que a mancha na foto está por debaixo das alulas. Eu vou tentar fotografar uma asa de P.collybita em pormenor se conseguir capturar algum indivíduo no próximo fim de semana. Tambem é comum as P.collybita alimentarem-se de polen de eucalipto nesta altura do ano, daí a sujidade em torno do bico que não é mais do que polen. Na minha opinião a ave da foto é  um P.collybita

Cumprimentos

Paulo Tenreiro


Última edição por scirpaceus em Qua Jan 18, 2017 3:48 pm, editado 2 vez(es)
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Re: Influxo de P. inornatus

Mensagem por PNicolau em Qua Jan 18, 2017 3:35 pm

Gilberto, nota que não te fiz um ataque pessoal, mas simplesmente estou a ser directo.
Gonçalo, acho que está na altura de separares esta discussão do resto do tópico, se não te importas. Já são demasiados posts off-topic.
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Re: Influxo de P. inornatus

Mensagem por Gonçalo Elias em Qua Jan 18, 2017 3:39 pm

PNicolau escreveu:Gonçalo, acho que está na altura de separares esta discussão do resto do tópico, se não te importas. Já são demasiados posts off-topic.

a partir de que msg pretendes que separe?
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Re: Influxo de P. inornatus

Mensagem por Samuel Duarte em Qua Jan 18, 2017 4:57 pm

Boa Noite

O meu nome é Samuel Duarte.

Sou membro assíduo do forum aves portugal há bastantes anos.

Foram poucas as ocasiões em que me manifestei...

Como qualquer amante da Avifauna (em Portugal) eu frequento este forum como meio de aprendizagem. E desde já, estou eternamente grato pelas duvidas aqui apresentadas, e pelas opiniões dadas sobre identificações, umas mais correctas, outras menos correctas....é para isto que o forum serve (a meu ver).

Tenho acompanhado algumas discussões, sobre algumas espécies em concreto....e sobre o possível efeito que as alterações climáticas no Norte e Centro da Europa possam trazer em relação às ocorrências em PT.

Queria apenas comentar o seguinte....Por vezes é complicado querer aprender, quando, algumas das discussões aqui apresentadas, parecem mais particulares, em vez de terem um objectivo comum, que é partilhar o excelente conhecimento de alguns para a melhor experiência de muitos.

Como referido pelo PNicolau, acho que seria produtivo separar estes temas, ID de P. inornatus, ecologia de L. svecica, entre outros.....Simplesmente porque muitas pessoas vão ler uma resposta neste tipo de "entradas" e facilmente se desinteressam com este(s) tópico(s).

De alguém que é "viciado" neste forum,....e que que teve  privilégio de aprender bastante com ele..queria apenas deixar a minha opinião....continuem o excelente trabalho sem terem que argumentar eu já vi "x" espécimens desta espécie e por isso eu tenho razão.

Acho que temos todos a ganhar...

E mais uma vez, bem hajam.

Cumprimentos

Samuel Duarte

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Re: Influxo de P. inornatus

Mensagem por Paulo Lemos em Qua Jan 18, 2017 7:40 pm

scirpaceus escreveu:A barra alar que apresentas, é uma mancha que a espécie P.collybita apresenta debaixo das alulas e que é visivel quando a ave é fotografada por debaixo. (...)

Parece apenas o "efeito pluma" de coberturas inferiores, sob a alula, ou mesmo as do antebraço (ou ainda mais basais), que aparecem "deslocadas" em certas espécies que fazem uso intensivo e "rebuscado" da asa, sendo um dos pormenores muito secundários que podem facilitar a distinção de Phylloscopus, contra por exemplo Hippolais que fazem um dela "uso" mais moderado. Nas Phylloscopus, se bem me recordo, de 1 a 3? penas maiores costumam "fugir" do lugar, "para fora", e tornam-se mais evidentes durante períodos de actividade intensa, às vezes a ponto de serem visíveis de lado ou de cima (até de longe, pois tais penas são amarelas e claras). Será isto que se o Gilberto confunde com "barra alar"?
Normalmente, juntam-se e confundem-se com a plumagem do corpo, quando a ave está "mais entufada".

Não sei se nas "collybita" a plumagem dessa zona é mais clara e conspícua como "mancha" (de perto, só conheço bem esta "espécie", sem comparação directa com outras), mas noto que na trochilus é igualmente visível esse "deslocamento", quando a ave está em liberdade e em pleno movimento. Em várias espécies não só as maiores penas, mas também a plumagem miúda inferior na marginal da "mão", é visível com a asa fechada e aparece muitas vezes "dobrada" para o lado superior.

Na inornatus não faço ideia se o mesmo acontece, mas "supunha" que sim, em todas as Phylloscopus que desenvolvam maior actividade (ou será uma característica anatómica mais presente no género?).

Pólen e sobretudo néctar são consumidos pelas espécies (quando o néctar se acaba, e se a competição por ele é grande, "vai" pólen também), mas não vejo como os seus efeitos afectem a diferenciação entre as espécies (sobretudo numa foto deste tipo) e, portanto, o que interessa o "bico" estar sujo neste caso? Eventual sujidade desse tipo, já não afectaria o aspecto da plumagem por detrás do olho, onde há maior diferença entre as espécies: nota-se uma linha escura. Mas a posição da foto reforça, talvez, a sombra nessa zona, não sendo assim "risca" fiável para ser identificada como de inornatus. O perfil e a relação da cauda e subcaudais tb me parecem de "collybita", especialmente com a foto assim aumentada, mas... sei lá...

Por regra (salvo raras excepções) prefiro não me fiar em imagens que foram bastante aumentadas ("cropadas"). É que existe mesmo a tendência para adulteração de detalhes, nesse tipo de foto falsos detalhes aparecem e outros verdadeiros desaparecem, dependendo das condições e equipamento. Quem quiser ou puder fiar-se, a partir do que conhece, que o faça.

Se foi observada uma inornatus, poderia ter sido tão facilmente seguida como perdida, entre outras "inicialmente não topadas", que habitualmente se cruzam e revezam em eucalipto na época de floração.
Por exemplo, se descubro uma ave e permaneço mais uns minutos no local, gradualmente se multiplicam observações e perco o fio da meada (da que estava a seguir). Por essa mesma razão, poucas imagens consigo apresentar no tópico "Chamamentos variáveis de P. collybita", como espécimes seguramente relacionados a determinado vocalização gravada Sad.

Acho que não é "caso que" justifique tanta discussão, é apenas uma foto complicada e apenas um testemunho, e pode haver nele um engano. A ave nem é "demais importante" em contexto algum (excepto na partilha de apreciações ,que é sempre bem vinda), e talvez nem como "raridade" seja importante, pois afinal vem sido exposta como "relativamente comum" (eu é que não a vejo Very Happy).

É só a minha opinião, que não vejo como aplicar a outras discussões "separadas" por títulos ou outros tópicos "de raiz" que suscitaram discussões mais acesas. Apesar de que, muito conteúdo neles era escusado.
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Re: Influxo de P. inornatus

Mensagem por Gilberto Pinelas em Qui Jan 19, 2017 10:38 am

Boa tarde,

Antes de mais quero dizer que, para mim, o assunto está encerrado, e que nunca foi minha intenção despoletar quezílias ou ataques pessoais com qualquer membro deste fórum. Como verdadeiro entusiasta do mundo da “Avifauna”, mas também deste maravilhoso espaço que é o “Aves de Portugal”, o que me leva, sobretudo, a participar nele, é de facto e também a aprendizagem. E acreditem que tenho aprendido muito e com todos, sem exceção. O PNicolau, inclusive. No entanto, há situações em que é difícil aprendermos se, quem nos pode ensinar, sem obrigação, diga-se em abono da verdade, na minha modesta opinião, não o faz da melhor forma.

Sinceramente, nunca pensei que alguém ficasse supostamente melindrado pelo simples facto de eu ter apresentado fotos retiradas da net para estabelecer meras comparações. Sinceramente não percebi a razão, o motivo, porque não é aconselhável fazê-lo, no seu entendimento. No entanto, ensinar os menos experientes, também não me parece que, com algumas respostas taxativamente curtas, seja o caminho mais correto, sobretudo, quando subsistem ainda algumas dúvidas e o contraditório, o debate, com posts longos que sejam, diga-se também, é às vezes subliminarmente descartado. Assim torna-se difícil a aceitação e o interesse participativo vai-se desvanecendo, como alguém, aqui e muito bem, já disse.

Em relação á “ID” da felosa, tendo em conta aquilo que presenciei no local da observação, e foram quatro horas de permanência constante no mesmo local, confesso sinceramente que fiquei convencido tratar-se de uma “P. inornatus”, sobretudo, pelos chamamentos que emitia e pelo seu comportamento em busca de comida. Não sendo, tratando-se de uma outra espécie, resta-me prosseguir com o mesmo entusiasmo e agradecer a todos, sem exceção, que colaboraram comigo neste caso em particular. Obrigado.
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Re: Influxo de P. inornatus

Mensagem por Tissot em Qui Jan 19, 2017 11:21 am

Não vi qualquer ataque pessoal nem quezílias nas intervenções feitas a respeito da foto da ave no eucalipto.

Para mim foram bem explicados os pressupostos que impedem afirmar que a ave da foto é uma inornatus. Não sei o que mais poderia ter sido dito e feito.

Não me parece que alguém tenha ficado melindrado com as comparações que fez. Não percebi porque ficou com essa ideia.

Ninguém aqui afirmou que o Gilberto não viu qualquer inornatus no eucalipto nesse dia. O que se discutiu aqui foi unicamente a foto da ave no eucalipto.
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Re: Influxo de P. inornatus

Mensagem por Paulo Lemos em Qui Jan 19, 2017 11:24 am

Aqui estão alguns exemplos do que referi antes (para P. trochilus, que também serve):

https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/fitis-phylloscopus-trochilus-willow-warbler-europe-156529559?language=pt&src=ch3C64z72UDmxieyvutNxQ-1-38

https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/phylloscopus-trochilus-436884712?language=pt&src=ch3C64z72UDmxieyvutNxQ-1-12

https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/willow-warbler-phylloscopus-trochilus-flapping-wings-324172709?language=pt&src=ch3C64z72UDmxieyvutNxQ-1-43

Basicamente, são mesmo as penas do... "sovaco" Very Happy. Talvez sejam mais desenvolvidas neste género ou noutros que usam constantemente as asas para curtas deslocações e reviravoltas, às vezes nem as fechando completamente (poupança de energia, nos movimentos e na temperatura)? Essa forma de "pêlos hirtos" costuma ter, em biologia, a função de barreira contra a chuva e humidade, e de facto a ave enfrenta constantemente a vegetação molhada e salpicos com as asas abertas ou não completamente fechadas.
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Re: Influxo de P. inornatus

Mensagem por PNicolau em Qui Jan 19, 2017 12:04 pm

Gilberto Pinelas escreveu:(...) nunca foi minha intenção despoletar quezílias ou ataques pessoais com qualquer membro deste fórum. (...)
Sinceramente, nunca pensei que alguém ficasse supostamente melindrado pelo simples facto de eu ter apresentado fotos retiradas da net para estabelecer meras comparações. Sinceramente não percebi a razão, o motivo, porque não é aconselhável fazê-lo, no seu entendimento.
Bem, eu não vi qualquer ataque pessoal nesta discussão. Se disse alguma coisa que pareça, peço desculpa porque não foi de todo a minha intenção. Também não vi ninguém melindrado com a apresentação de fotos retiradas da net (ou pelo menos, eu não tenho quaisquer problemas com isso.


Como verdadeiro entusiasta do mundo da “Avifauna”, mas também deste maravilhoso espaço que é o “Aves de Portugal”, o que me leva, sobretudo, a participar nele, é de facto e também a aprendizagem. E acreditem que tenho aprendido muito e com todos, sem exceção. O PNicolau, inclusive. No entanto, há situações em que é difícil aprendermos se, quem nos pode ensinar, sem obrigação, diga-se em abono da verdade, na minha modesta opinião, não o faz da melhor forma.
No entanto, ensinar os menos experientes, também não me parece que, com algumas respostas taxativamente curtas, seja o caminho mais correto, sobretudo, quando subsistem ainda algumas dúvidas e o contraditório, o debate, com posts longos que sejam, diga-se também, é às vezes subliminarmente descartado. Assim torna-se difícil a aceitação e o interesse participativo vai-se desvanecendo, como alguém, aqui e muito bem, já disse.
Bom Gilberto, eu compreendo o que dizes, e é verdade que os teus argumentos não foram rebatidos detalhadamente.
Acontece que, para mim, a identificação é óbvia. Estando certo ou errado, para mim é óbvio que a ave se trate duma collybita. Eu não consigo transmitir esse sentimento para ti, que vês uma inornatus, por isso tentei esclarecer, de um modo objectivo e sucinto, a razão pela qual a ave é [para mim] uma collybita.
O motivo pelo qual não levei seriamente alguns dos teus argumentos foi por considerar sempre que a identificação mais fácil é a identificação certa. Uma aplicação do Princípio da Parcimónia alternativo. E a maioria deles baseavam-se em explicações alternativas (leia-se: menos prováveis), para uma série características apresentadas como argumentos pró-collybita. Ou seja, estavas a forçar... E, normalmente, quando forçamos na identificação de aves, estamos a errar - está farto de me acontecer, por isso já comecei a aprender...

Já agora, faço um apanhado das características que excluem inornatus:
- ausência de barras alares brancas/claras: argumentaste que se vê a barra pequena, pouco visível, mas acontece que se vê o suficiente para perceber que não há barras alares. Mesmo havendo uma pequena, a barra alar sempre presente é a maior, e é evidente em qualquer foto manhosa de inornatus. Esta ave não tem.
- supercílio pouco marcado: nas inornatus tens mesmo uma linha bem demarcada; esta ave tem um supercílio difuso, claramente mais marcado por cima do olho e que depois vai desvanecendo, o que acontece na maioria das collybita.
- patas escuras: a maioria das inornatus tem patas bem clarinhas. A luz pode ter um papel importante aqui, mas a tua ave tem parte das patas/pés iluminadas pelo sol, e normalmente seriam mais claras.
- infra-caudais e barriga com demasiado amarelo nas partes da foto que não estão sobre-expostas (partindo do princípio que esta foto não parecer ter sido manipulada no que toca a aumento de contrastes/saturação). Parece haver uma ligeira sobressaturação dos verdes/amarelos, própria da foto, mas nada que justifique a quantidade de amarelo que vemos.


Em relação á “ID” da felosa, tendo em conta aquilo que presenciei no local da observação, e foram quatro horas de permanência constante no mesmo local, confesso sinceramente que fiquei convencido tratar-se de uma “P. inornatus”, sobretudo, pelos chamamentos que emitia e pelo seu comportamento em busca de comida. Não sendo, tratando-se de uma outra espécie
Volto a frisar que já muitos de nós fotografámos aves pensando que seriam outras. Já me aconteceu. Pode também ter acontecido ouvir o chamamento vindo de outra ave, e assumires que se tratava dessa.

resta-me prosseguir com o mesmo entusiasmo e agradecer a todos, sem exceção, que colaboraram comigo neste caso em particular. Obrigado.
Espero que mantenhas o entusiamo. Novos membros com vontade de aprender são sempre bem-vindos. Todos nós já fomos altamente nabos neste mundo, basta procurares mensagens mais antigas mesmo (e até recentes), para veres as calinades que já mandei. É humano, é natural e é também bem-vindo, porque muito se aprende com discussões destas.

Finalizo, a pedir ao Gonçalo para separar o tópico no dia em que se começou a discutir a foto desta ave.
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Re: Influxo de P. inornatus

Mensagem por Paulo Lemos em Qui Jan 19, 2017 12:50 pm

PNicolau escreveu:
- ausência de barras alares brancas/claras: argumentaste que se vê a barra pequena, pouco visível, mas acontece que se vê o suficiente para perceber que não há barras alares. Mesmo havendo uma pequena, a barra alar sempre presente é a maior, e é evidente em qualquer foto manhosa de inornatus. Esta ave não tem.
- supercílio pouco marcado: nas inornatus tens mesmo uma linha bem demarcada; esta ave tem um supercílio difuso, claramente mais marcado por cima do olho e que depois vai desvanecendo, o que acontece na maioria das collybita.
- patas escuras: a maioria das inornatus tem patas bem clarinhas. A luz pode ter um papel importante aqui, mas a tua ave tem parte das patas/pés iluminadas pelo sol, e normalmente seriam mais claras.
- infra-caudais e barriga com demasiado amarelo nas partes da foto que não estão sobre-expostas (partindo do princípio que esta foto não parecer ter sido manipulada no que toca a aumento de contrastes/saturação). Parece haver uma ligeira sobressaturação dos verdes/amarelos, própria da foto, mas nada que justifique a quantidade de amarelo que vemos.


Não querendo sequer sugerir ID em qualquer dos 2 sentidos, talvez discorde aí com vários pontos.

Parte do contraste entre luz e sombra, que pode ser interpretada como da asa da ave, é de facto da folha que está em frente da ave. Muito da asa está de facto tapada, incluindo toda a zona da barra maior, e o ângulo tenderia a esconder qualquer delas (dependendo da luz) em particular a mais pequena que podia não ser já muito conspícua. Isto, fora tratar-se de um crop elevado, como já disse. Além disso, as barras alares parecem variar bastante de exemplar para exemplar (tal como me parece ao apreciar fotos).

O supercílio difunde-se ou parece alargar para trás? Se é que a foto o representa...

Os amarelos são do menos credível em foto. Para isso, as fotos retiradas na net e aqui colocadas são disso exemplo, que já tenho confirmado adulterar-se noutras espécies em fotos e frames meus (até aparece amarelo em aves que nem o são, de todo)

Eu acho que esta foto pode enganar. A ideia de que parece collybita surge empírica (mais diria abstracta), sem factos realmente sólidos, considerando a má qualidade. Para mim inconclusiva quanto a espécie. Já agora, porque descartar a 100% P. trochilus? Pela data?


PS. se o Gilberto se referia a algum detalhe mais imperceptível como a barra alar (e não à plumagem sob a asa como foi"discutido" atrás), para onde aponta exactamente a seta, tal é o lugar das coberturas, que apresentam algum contraste "malhado" (as "pontas" de cada pena apresentam cor mais clara, em relação à base mais escura que nunca fica tapada, normalmente o mais escuro que a ave apresenta, em contraste com claros. Exceptuando na cabeça).
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Re: Influxo de P. inornatus

Mensagem por PNicolau em Qui Jan 19, 2017 1:09 pm

Paulo Lemos escreveu:A ideia de que parece collybita surge empírica (mais diria abstracta), sem factos realmente sólidos, considerando a má qualidade.
A foto não tem má qualidade de todo. Não é excelente mas é mais do que suficiente.
A asa está exposta o suficiente para se verem as barras.

Facto que não é sólido é afirmar que o que se vê na foto é tudo uma ilusão. Ainda para mais de uma foto suficientemente boa.

Resta-me colocar aqui um excerto de Killian Mularney, que ocorreu no seguimento de uma ave "muito rara" vista por muita gente, que acabou por ser um simples rouxinol-dos-caniços.

Killian Mularney escreveu:(...) suggest that the impressions they gained in the field should be regarded as more reliable than the collective photographic evidence? I disagree strongly with the view expressed (...) that "the camera always lies". On the contrary, while the camera certainly produces images that may seem to contradict one another, or even misrepresent the subject, provided the interpretation of these images is correct the information that can be derived, especially from a series of photos, is generally very reliable. I believe the 'lies' that are often blamed on the camera can usually be attributed to misinterpretation of photographs, most commonly a failure to make due allowances for light conditions and/or exposure problems. In difficult viewing circumstances, misinterpretation and/or errors of perception are just as likely to happen in the field, though if there is no photographic record against which to corroborate such observations it may be impossible to gauge their reliability, one way or the other. The ornithological archives are littered with episodes where birds were 'conclusively identified' on the basis of field observations, only to have the whole process undermined when subsequent trapping, examination of photographic evidence (or perhaps a recording of a diagnostic vocalisation) provided unequivocal evidence that the identification was incorrect. On many occasions, large numbers of observers, including first-rate birders with considerable experience have all 'got it wrong'. So, let's not delude ourselves that seeing the bird in the field necessarily reduces the chances of us making erroneous identifications; more often than not we ourselves are the last people to recognise when we have made a mistake
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Re: Influxo de P. inornatus

Mensagem por Paulo Lemos em Qui Jan 19, 2017 3:15 pm

Reparaste bem na verdadeira largura da folha? Na diversidade (ou estado da plumagem) possível nas espécies?
Que se "contabilize" como collybita para fins sistemáticos é uma coisa (haverá sempre margem de erro, que não deixa de ser reconhecida pelas "n" metodologias por aí aplicadas). Agora ter a certeza, numa identificação particular de um exemplar, isso já posso contestar.
A foto em questão (demasiado cropada acima de tudo) e a diversidade especifica (especialmente nas barras alares), não suscitam mínimas dúvidas?!

Já agora, eu também podia dizer (mais uma vez): "já vi milhares de fotos, na maioria tiradas por mim a indivíduos que tive nas mãos".
Também já fiz fotos para constarem em publicações, tendo de as repetir vezes sem conta até acertar numa bem representativa ( e acredita que é algo absolutamente difícil de conseguir, se conheces bem o exemplar).

Deixo mais uma apreciação bastante empírica (coincidente com collybita): a plumagem das "collybita" sempre me parece assentar distinta na ave, como que mais "farta, longa". Numa superfície mais "lisa" quando a ave se "adelga" e "flexível" quando a ave está "entufada". Não como uma espécie de "angorá", mas que ainda assim talvez se destaque num conjunto mais alongado de plumagem, mas fofo e resistente ao frio. Talvez evidente nessa foto, se não é ilusão.

Quanto à citação que postaste, nada de espantoso. E há o reverso da medalha: espécies raras que são tomadas por comuns.
No meu caso, por exemplo, já tenho identificado com segurança raridades que o meu equipamento não foi capaz de registar como decisivas para ID. A lista é muito vasta, ui... :/
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