Espécies que estão a aumentar / regredir em Portugal

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Re: Espécies que estão a aumentar / regredir em Portugal

Mensagem por Paulo Lemos em Qui Abr 13, 2017 4:31 pm

Outras aves comuns que me parecem "regredir" por aqui nos últimos 4-5 anos, mais ou menos:

- Gavião (grande diferença em vários locais do Litoral Oeste e Beiras, em relação ao passado).

- Rouxinol-comum (entretanto desaparecem?)


Sem dúvida a aumentar nos concelhos de Caldas e Óbidos (pode ter relação com o caso anterior):

- Chapim-real

- Trepadeira-azul

- Súbito aumento de Picus viridis este ano. Mas esta espécie está sempre a variar em "abundância" local.

- Tentilhões machos mais audíveis. Mas a população local (cujos espécimes são em geral muito pouco coloridos, alarmam bastante e são pouco ou nada dispostos a cantar) mantém-se aparentemente inalterada nos "desinteressantes" pinhais e eucaliptais da região.
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Re: Espécies que estão a aumentar / regredir em Portugal

Mensagem por Paulo Lemos em Seg Abr 17, 2017 2:55 pm

Más novidades.
A olhos vistos, 3 espécies em "regressão (Concelhos de Caldas da Rainha e Óbidos):

- Rola-brava
Como se fosse novidade... mas aqui nota-se grande mesmo grande contraste em relação ao passado (remoto < 10 anos), um silencio desta espécie onde havia por todo o lado.

- Açor.
De entre locais de nidificação "confirmada" desta espécie, antigamente identificados sem devida prospecção mais detalhada dos ninhos, foi este ano que dei com 5 dos "n" ninhos totais, no local exacto.
Só que, desses 5, em 3 faltam as aves adultas nos territórios, e nem nas proximidades as vejo... só ficaram os velhos ninhos e alguns despojos já com 3-4 anos no mínimo.

- Bufo pequeno.
Esta ave já foi das nocturnas mais abundantes e bem distribuídas nos 2 concelhos, ocorrendo em vários habitats com árvores, desde as manchas "florestais" mais remotas e contínuas, até aos limites das povoações com pequenos grupos de arborizados.
Bem... mas já me dou por contente ao ver este ano 2 ninhos com crias, um em cada dos concelhos. Curiosamente, velhos ninhos de açor.
Outra novidade, é que esta espécie se virou para presas algo menos prováveis (dantes havia mais roedores, pois até eu os apanhava facilmente). Por momentos, julguei que fossem mesmo zonas ocupadas por açores um tanto "terroristas e porcos" demais.
Deve ser das estrigiformes mais audazes nas caça, sem dúvida (é melhor calar-me aqui, quanto às presas que vi retraçadas nos locais Surprised).
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Re: Espécies que estão a aumentar / regredir em Portugal

Mensagem por Paulo Lemos em Qua Maio 10, 2017 4:22 pm

Definitivamente, além de a coruja do mato ter aumentado nas áreas litorais dos concelhos de Peniche, Bombarral, Caldas, Alcobaça/Nazaré, confirma-se muito bem sucedida como nidificante e à vontade por toda a região. Tal ocorreu em menos de 2 décadas, onde praticamente não ocorria.

Já agora, aproveito para conhecer melhor esta espécie perto de casa (antigas oportunidades eram sempre longe, onde sempre observei a espécie comum mas com fraca disponibilidade para detalhes). A minha maior surpresa é notar que nidifica sobretudo em ninhos abandonados de outras espécies, em árvores (Butio, Àguias, Accipiter, gralhas). Deixa poucos vestígios de regurgitações debaixo do ninho, ao contrario de bufo-pequeno.

Ontem, uma jovem coruja ainda muito dependente, talvez devido a ter nascido num ninho em árvore ("habituada a ninhos"), aventurou-se para um grupo mais baixo de pinheiros e predou uma ninhada de pombo-torcaz. Nasceram a uns de 500-800m de um ninho de Açor.

Três territórios locais de açor, têm regurgitações desta espécie nas imediações do ninho. Vou tentar saber mais sobre possível relação (de antagonismo ou não durante a noite) nestas duas espécies.
Pelos vistos, o açor não lhe é ameaça ao nível que eu pensava. Pelo menos os adultos.

A abundância de bufo-pequeno é hoje uma miragem nestas áreas, seja qual for a relação entre ambas as nocturnas.

A coruja das torres também "regrediu" bastante.
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Re: Espécies que estão a aumentar / regredir em Portugal

Mensagem por João Tomás em Qui Maio 18, 2017 3:23 pm

Embora saiba que não se encontra em expansão, dá-me a sensação (esta primavera) de haver trigueirões onde não costumava ver. Falo apenas do concelho da Batalha! Outro pormenor que poderá ser importante para esta "expansão" serão os pequenos campos de trigo que se plantaram este ano e que não costumava ver nos outros anos. Alguém tem a mesma percepção?
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Re: Espécies que estão a aumentar / regredir em Portugal

Mensagem por Paulo Lemos em Qui Maio 18, 2017 6:52 pm

João Tomás escreveu:Embora saiba que não se encontra em expansão, dá-me a sensação (esta primavera) de haver trigueirões onde não costumava ver. Falo apenas do concelho da Batalha! Outro pormenor que poderá ser importante para esta "expansão" serão os pequenos campos de trigo que se plantaram este ano e que não costumava ver nos outros anos. Alguém tem a mesma percepção?

Eu costumo notar flutuações nessa espécie ao longo de anos, ou até de ano para ano (ou talvez alternância de territórios?). Não consigo perceber bem...
Uma outra que tenho "notado mais" (ou mais abundante e dispersa) nos últimos 5 anos, é a Cotovia-arbórea na minha região. Mas houve uma época em que mal se (ou)viam como por exemplo há uns 15 anos, mais ou menos.
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Re: Espécies que estão a aumentar / regredir em Portugal

Mensagem por Paulo Lemos em Sex Maio 19, 2017 6:13 pm

Bem... quanto ao açor, aparentemente a ave mais "equivocada" em Portugal Cool, é facto, e tem sido, uma das rapinas mais comuns da minha região. E provavelmente de quase todo o país, se compararmos com os números de outras rapaces, incluído falconídeos. É, também, na minha opinião e desde há muitos anos (após períodos de contacto próximo desde miudo) uma espécie de grande importância ecológica, mas apenas deve ser considerada bio(eco)indicadora muito relativamente, em condições de habitat menos intocado pelo Homem e distante do mesmo.
"Relativamente comum", mas não deixando de enfrentar algumas ameaças...

Tudo isto para dizer que (finalmente) já fiz a prospecção, ainda que aproximada em resultados, dos territórios na minha região. E confirmo os números antes adiantados aqui.
Digo "aproximada, porque provavelmente o numero é algo superior: não varri todo o terreno a pente fino.. o meu método limitou-se a visitar apenas os locais que, após interpretação por "experiência pessoal" ao longo dos tempos (através de indícios seguros) vi como territórios de cria permanentes ou regulares.
Bateu tudo certo e ainda tive oportunidade de melhor identificar (por novas características aprendidas) velhos ninhos do passado e outros sinais mais subtis.

Já tinha lido um trabalho sobre esta espécie nosso país (não me lembro dos autores) mas só após 2000 que notei haver "algum equivoco" sobre esta espécie e mais tarde na internet. Em conversas iniciais com o Jorge Vicente há poucos anos, tive logo oportunidade de lhe dizer que a espécie pode mais abundante do que "se pensa", e do que se tem encontrado e considerado, mesmo por ele. Claro que ele não duvidou da minha apreciação, aliás cedo aqui encontrou mais 2 casais que posso juntar à "minha" lista (não contei com esses no numero adiantado posts atrás), e aliás ele e a Rita têm-ma apresentado, nos últimos anos, com "títulos" bem representativos (no contexto peri-urbano onde é bem sucedida, em muitos casos aproveitando recursos alternativos e complementos ao mais naturais, e também consome presas "mais silvestres". Como se não tivesse afectado muito a espécie, o Homem ter ocupado no passado áreas de maior valor ecológico/produtividade para seu usufruto, mas ainda dotadas de relativa riqueza ou produtividade que se reflecte na avifauna (por ex. estorninhos e outras aves de ocorrência rural e afins), onde há arvoredos apropriados.

Não vou aqui adiantar locais e pormenores (resultados), mas há curiosidades que interessa debater sobre espécie, aplicáveis a várias outras "florestais" (entre aspas pois o conceito de floresta é relativo): apesar de alguma versatilidade nesta espécie quanto ao tipo de floresta, e as raras escolhas por espécies de árvore autóctones, o nicho local mais escolhido para ninho é uma mistura coesa e intrincada de Pinus e eucalipto com aspecto "relíquia" (mas para tal não necessita de ser centenário) de preferência ambas espécies de árvore em simultaneamente no mesmo espaço!. Um aspecto aspecto desordenado e descuidado, e sobretudo o carácter abandonado do local (seja perto ou longe da civilização), não obrigatoriedade grandes extensões mas também "oásis" de árvores em campo aberro ou semi-aberto.
Em suma: aquilo que, por várias vias, se planeia hoje condenar à extinção no nosso país, sem a todo igual em temos de ecologia e biodiversidade. Alternativas a tais nichos seriam muito difíceis de repor/substituir, nunca em menos de um século usando espécies arbóreas em habitats que se apresentassem alternativos/equivalentes para a«alguns valores da biodiversidade. Não afectará só espécies como esta, mas também outras mais "viculadas" ao solo e sensíveis a alterações "mais" alterações no mesmo, e na vegetação que se tem sucedido (por muito degradada que pareça). Ou seja: mais alteração nem sempre é "bom", por melhor intenção que tenha, numa Era em que a biodiversidade não está em condições para enfrenta-la, especialmente se se tratam de populações residuais (não o açor, claro).

O que me parece, com elevada certeza suportada por observações continuadas durante anos e agora melhor confirmadas: o açor regrediu localmente. Não tanto quanto o Bútio, mas a ponto de aproximar bastante os números destas duas espécies (o Bútio tem mais azar, não encontra presas alternativas como o açor, sendo que as selvagens "regridem" também como roedores e coelhos)..
Para o açor, há menos presas "silvestres" sem duvida, mas algumas ruderais fazem parte mais importante da dieta, apesar de que também também diminuíram como no caso do pombo-doméstico (mas ainda assim há suficientes em fontes regulares pelo território, bem como a rola turca). O numero de pombos ferais/correios ou provenientes de quintas é hoje bastante mais reduzido do que comparativamente ao de há uns anos/décadas atrás. Em suma, há vários e bons hospots para a caça de presas, de fácil acesso e por vezes acedidas por vários casais nidificantes (esta observação já é antiga, bem como uma realidade que se observa anualmente).
Como qualquer outra espécie com capacidade para dispersar, possivelmente a rola turca vai evoluído nas suas capacidades para enfrentar esta espécie em qualquer habitat onde ocorra, e já nidifica fora dos limites da civilização (no seio e nos limites de território de açor, por casais experientes de rola), ou seja, talvez se vá tornando uma espécie mais difícil, mas em contrapartida mais comum.
Tal como já disse antes, curiosamente, a menor pressão da caça nos últimos anos parece não ter afectado positivamente o numero observável e nidificante destas espécies (bútio e açor), ao contrário de outras como o Tararanhão-ruivo por exemplo, calçada, etc. O habitat e os recursos parecem o mais importante.

Esta "abundância" local é muito provavelmente aplicável por grande parte do território nacional, que visitei ao longos dos tempos, confirmando a presença, bem como nichos propícios e presas (por vezes ninhos, apesar de não ter tido muito interesse nisso). Será certamente um predador "obrigatório" em n+1 milhares de spots nacionais, desde o Algarve (deve estar confirmada nidificação em Sagres, certo?), Ribatejo e Alentejo sobretudo onde são planadas monoculturas e estas sejam algo desleixadas (por vezes os únicos espaços de árvores apertadas). Nas Beiras: será aqui um pesadelo descobrir ninhos mas tenho uns poucos territórios confirmados, até este ano consegui um em Oliveira do hospital numa curta visita), e sobretudo pelo Litoral Norte onde vi bastante esta espécie. No Geres e Montesinho também observei adultos, apesar de tarde no ano para ter noção de "números" dos que possam nidificar.

Dicas para observação, acho que já dei algumas... Até de passagem dentro do carro, pode estar-se atento a esta espécie quando por sorte se movimenta ao alcance da vista (mais fácil de carro do que a pé, mas é uma actividade perigosa!). Ou então como faz o Jorge, vista de um ponto elevado "se o há).
O adulto, devido ao perfil, baixo voo entre copas e tipo de voo e amplitude de batimentos das asas, pode confundir-se com o pombo torcaz (será esta a confusão que o torna tão pouco observado: porque não identificado?). Nalgumas situações, quando foge ao chegarmos a um local, nem eu consigo distinguie bem, especialmente contra-luz e em determinadas posições menos de flanco.
Os ninhos passam despercebidos e às vezes até parecem abandonados, na maioria das vezes um conjunto banal de sinais, nem sempre notórios, inclusive o próprio ninho, e os vestígios pode ser lavados pela chuva. E os adultos nem sempre se expõem, alguns também criando cedo (já há juvenis a voar), e poucos alarmam.
Alguns ninhos ou locais de nidificação são extremamente difíceis de descobrir, ao percorrermos um pinhal/eucaliptal cerrados sem atenção a cada árvore (exemplos há absurdos, só por sorte voltei 1x atrás para descobrir um ninho quase "translucido" conta o céu num pequeno pinus, onde já tinha passado praticamente por baixo dele!!), e há casos insuspeitos à beira de caminhos e perto de habitação. Cada ninho resulta quase sempre em "boca aberta" de surpresa, na minha opinião. Às vezes escondido pelas circunstancias, noutras demasiado exposto, noutras num pinheirito baixo ou ramada lateral de uma árvore (parecendo lixo acumulado), ou escondido pela própria improbabilidade de procuramos espécies em local tão "deslavado" (aos nossos olhos) "Que ave estúpida ali fez ninho? Aquele ninho não deve ter nada, e parece mesmo não ter". Há ninhos sem grandes vestígios de presas próximo, pois os adultos depenam as presas no local de caçada e depois nos "devoradouros" comem até os ossos, só deixando os maiores (espécies acima de pombo, ou neste caso sobram fémures destes + parte da coluna e bacia e mais raramente externo)... isto, se nenhum predador os levar regularmente.

Não decidi ainda o que fazer da informação (e das imagens recolhidas), mas provavelmente envio ao Jorge e à Rita.

Ena, isto era para ser curto...
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Re: Espécies que estão a aumentar / regredir em Portugal

Mensagem por Paulo Lemos em Dom Maio 21, 2017 1:45 pm

Ainda à cerca da rola-comum:

Tenho confirmado este ano no Litoral Oeste que se mantêm alguns dos mais antigos locais (territórios) de nidificação desta espécie, alguns com dezenas de anos. Todos batem certo com a proximidade da civilização, onde há grupos ou extensões de árvores com bastante mato (por vezes centenário) de estrado médio. Por aqui, a maioria dos ninhos são construídos em grupos densos de tojos altos e silvados, ou em árvores e arbustos cobertos pelos mesmos. Esta espécie obviamente logra de maior protecção contra predadores (diurnos e nocturnos), quando mais abundante e extenso for este detalhe de habitat e consequentemente menos previsível a detecção dos ninhos.

Não é novidade de que estes territórios, sucessivamente ocupados, são bons. Bem como eventuais casais mais idosos destas aves nos mesmos, e aliás é conhecimento corrente de que são mesmo fundamentais para a continuidade das populações de muitas espécies.

A minha pergunta é: em grande parte do território nacional, e especialmente no que tende a ser um dos actuais nichos mais importantes para esta espécie (pelo menos em certas regiões) qual tem sido o impacto do lobby das limpezas de florestas, além do impacto indiscutível da caça?
Diga-se também que, a probabilidade de incêndios e a gravidade dos mesmos em certas regiões, é tão reduzida que praticamente nem se justifica essa "manutenção" para fins de segurança. Não se justifica como tenho visto...
E tenho visto situações ridículas neste campo...


Última edição por Paulo Lemos em Dom Maio 21, 2017 7:40 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Espécies que estão a aumentar / regredir em Portugal

Mensagem por Gonçalo Elias em Dom Maio 21, 2017 1:53 pm

Paulo Lemos escreveu:A minha pergunta é: em grande parte do território nacional, e especialmente no que tende a ser um dos actuais nichos mais importantes para esta espécie (pelo menos em certas regiões) qual tem sido o impacto do lobby das limpezas de florestas, além do impacto indiscutível da caça?

Resposta curta e rápida: ninguém sabe. Para se saber, seria necessário fazer estudos e neste momento que eu saiba esses estudos não existem.

Por isso a única opção disponível é mandar uns bitaites Cool
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Re: Espécies que estão a aumentar / regredir em Portugal

Mensagem por Paulo Lemos em Dom Maio 21, 2017 2:38 pm

E ainda sobre o açor:

Não sei se há estudos sobre isto e se são aplicáveis aos nossos açores (duvido que fossem), mas sei por experiência que um macho pode ser fiel a um território durante mais de uma década (toda a sua vida). Mas, quanto às fêmeas, acho que algo não bate certo aqui na minha região.

Só este ano, uma desapareceu um durante o choco (o macho permanece sozinho), noutro local há outra fêmea de 2 anos que criou agora pelo 2 ano, num local que, nos últimos 4, já "viu" 3 diferentes (local com décadas de nidificação da espécie), e aparentemente há outra jovem a nidificar num velho território com pelo menos 3 anos.
O que se passa com as fêmeas? Morrem ao assaltar galinheiros? Morrem envenenadas por rolas que se alimentem nos passeios? Nos novos campos agrícolas anexos aos pinhais e eucaliptais? Migram? Serão predadas?
Se ninguém estudou isto, havia de ser estudado. De aspecto "idoso" > 4 anos, ainda só vi uma este ano.

Já agora, mais um exemplo caricato ou surpresa que tive com esta espécie, ainda que saiba interpretar qualquer indicio:.
Hoje decidi dar uma volta por um sitio no concelho vizinho (que não contou para o numero que quis confirmar), onde desde 2014, durante minhas observações de Saturnia pavonia no Litoral, detectei mais um território de nidificação de açor (tenho-os ouvido anualmente em cortejamento). Apesar de tão simples como atravessar uma estrada e procurar um ninho, só o fiz hoje (vulgaridades..... Very Happy Very Happy Very Happy).

Dei assim com mais um "Oasis" de troncos, numa mistura densa de Pinus e eucaliptos, e um ninho de aspecto velho, assimétrico e aparentemente débil num pinheiro médio/baixo, parecendo o ninho translucido e vazio, apesar de sinais de presença de exemplares um pouco "porcos" nas proximidades. Pensei que as crias tivessem já saído no ninho, que havia mais uma ninhada de coruja do mato (sujam bastante sob os galhos), mas nem sinal de crias de açor (estariam escondidas nos ramos junto ao tronco, muito quietinhas), nem dos adultos (comportamento idem, ou estariam a observar de longe, ou não se ausentavam muito, apesar de um regresso muito subtil mas eu daria com eles). Nada. Procurei crias caídas no chão, e nada também. Tudo quieto e ausente, um pombo torcaz a cantar e algumas passeriforme a alimentar a crias... e mais silencio.
Fartei-me de fazer barulho no local (o chão cheio de eucalipto seco não perdoa), tentando recolher provas de nidificação. Por fim, levantei 2 pinheiros caídos pois não havia poisos baixos e porreiros na área, do tipo que eles gostam" num local". Só não subi à árvore, nem lhe toquei senão com os pés, porque nunca estive seguro da não presença (apesar de nesta região nunca ter notado um abortar de nidificação nesta espécie por distúrbios menores, nem mesmo o corte de madeiras pela industria), mas porque sei, por experiência própria, que isso redobraria o convite a qualquer gineta a subir à árvore (e isto é regra certa, em tempo real ou não) devido ao meu cheio lá deixado.

Como nada mais consegui provar, e como não penso não voltar lá, tentei depois apanhar o ninho de vários ângulos para estudar as fotos em casa.
Já bem afastado, consegui topar uma brecha "impossível" entre as copas e meti um apetrecho na lente, para tentar uma foto fraquinha mas elucidativa mais na perpenducular, e por sorte tive visibilidade numa derradeira tentativa, notanto uma cabeça branca em movimento. Ahh! Very Happy
Chegado a casa, percebi que havia mais... fui observado o tempo todo (meia hora, incluindo fotografar uma lagarta de Saturnia), pela mãe de boca aberta (de calor) lá em cima...

https://i58.servimg.com/u/f58/19/64/86/89/1110.jpg
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Re: Espécies que estão a aumentar / regredir em Portugal

Mensagem por Paulo Lemos em Dom Maio 21, 2017 6:00 pm

Mais uma ajuda (para que não se interpretem mal ninhos deste tipo nas buscas para o novo atlas), e mais uma mensagem no fim:

https://i58.servimg.com/u/f58/19/64/86/89/1112.jpg

https://i58.servimg.com/u/f58/19/64/86/89/1210.jpg

https://i58.servimg.com/u/f58/19/64/86/89/1310.jpg

Um mero exemplo de ninho, pequeno (a árvore média e esguia, note-se), neste caso "achatado", assimétrico talvez devido à reconstrução tosca, e em vários pontos vê-se o céu através do conjunto.
Se a ave estivesse na perpendicular, ficaria de a cauda de fora e eu tê-la-ia topado logo (mas nunca vi uma com a cauda de fora). Não são evidentes os típicos, mas não obrigatórios, ramos cortados frescos (de pinheiro neste caso), pois parecem da própria árvore.
Mais tarde, o ninho ficará ainda mais desfeito com as brincadeiras das crias. Os adultos, ou pelo menos um dos membros, parece presente durante todo o ano e deixa sinais subtis.
Há desses sinais também onde não ocorre nidificação, sobretudo no Ounono (pelo que percebi, de aves jovens e outras que circulam).

Como o suporte desse ninho parece estável, talvez seja usado durante mais anos (que é o caso quase certamente, desde 2014 pelo menos).
Houve corte e replantação frequentes nos terrenos anexos (há menos de 3 anos), ficando este grupo de árvores que é pouco largo (50-100m por 300m de comprido, talvez menos) destacado como o mais alto da grande área, à excepção de um pinhal sossegado, alto e maduro, paralelo a uns meros 300-400m (separado por uma faixa de jovens pinheiros), mas que não tem sido usado pela espécie Wink.

Esta é (e "sempre" foi, a meu ver desde que o nicho "floresta desordenada" existe), entre outras possíveis, a situação mais comum na minha zona, que se repetirá certamente por tantas outras no país, independentemente do relevo.
Sendo a minha região das mais fáceis de investigar.
Obviamente que a densidade diminuirá longe de zonas ricas em aves-presa.



Agora, só espero que reformem "bem" a floresta Twisted Evil .
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Re: Espécies que estão a aumentar / regredir em Portugal

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