O estranho caso do chasco-ruivo

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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por Paulfer em Ter Dez 01, 2015 11:02 am

Mas já agora, qual o caso que deu 3 em 5 minutos?
Na tua zona vejo com bastante facilidade, a possibilidade de chegar às 4-5 raridades num dia mas inclui as gaivotas

Bem, mas está aqui um registo que não me acredito que voltará a acontecer
5+1 raridade (gaivota) num só dia
Parabéns aos presentes.
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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por pedro121 em Ter Dez 01, 2015 12:24 pm

Paulfer escreveu:Mas já agora, qual o caso que deu 3 em 5 minutos?
Na tua zona vejo com bastante facilidade, a possibilidade de chegar às 4-5 raridades num dia mas inclui as gaivotas

3 em 5 minutos foi na ponta da erva, num único bando de gansos estavam  ganso-de-faces-brancas, ganso-de-testa-branca e ganso-de-bico-curto.

Mas já fiz 3 em varias ocasiões, sem gaivotas:

Ganso-de-faces-pretas, eider e piadeira-americana

felosa-aquatica, perna-verde-fino e pato-ferrugineo

Zarro-americano, Galeirão de crista e zarro de colar

zarro-de-colar, galeirão de crista e pato-de-rabo-alçado-americano

Portanto em pelo menos 5 ocasiões vi 3 raridades sem meter gaivotas


Última edição por pedro121 em Ter Dez 01, 2015 1:53 pm, editado 1 vez(es)
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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por Tissot em Ter Dez 01, 2015 1:32 pm

pedro121 escreveu:
Portanto em pelo menos 5 ocasiões vi 4 raridades sem meter gaivotas

Queres dizer "...em pelos menos 5 ocasiões vi 3 raridades"...
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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por pedro121 em Ter Dez 01, 2015 1:53 pm

Tissot escreveu:
pedro121 escreveu:
Portanto em pelo menos 5 ocasiões vi 4 raridades sem meter gaivotas

Queres dizer "...em pelos menos 5 ocasiões vi 3 raridades"...

Exacto... vou emendar

E quando é que colocas a tua versão de teres sido abandonado numa paragem de autocarro?
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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por Tissot em Ter Dez 01, 2015 2:21 pm

pedro121 escreveu:
Tissot escreveu:
pedro121 escreveu:
Portanto em pelo menos 5 ocasiões vi 4 raridades sem meter gaivotas

Queres dizer "...em pelos menos 5 ocasiões vi 3 raridades"...

Exacto... vou emendar

E quando é que colocas a tua versão de teres sido abandonado numa paragem de autocarro?

Bom, já disseste tudo e não fomos propriamente abandonados na paragem, porque vocês ficaram connosco até te certificares que apanhávamos o autocarro para Lisboa...acho que estavas preocupado na altura. Agora não sei exactamente o teu motivo de preocupação, mas aposto que estavas com receio que eu e o Manuel mudássemos de ideias e que tivesses de dizer à tua mulher que afinal não era só um marmanjo que iria passar a noite em vossa casa mas sim 3!!! Very Happy Very Happy Very Happy
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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por pedro121 em Qui Jan 14, 2016 8:13 am

9º Então já viste o marreco?

Bem, esta é uma história curta, e não tem realmente nada de especial, mas tem alguns pormenores cómicos.

Um pormenor é que eu não participei no twitch, em vez disso “encontrei” as aves, o que faz com que eu possa causar o pânico e não sofrer dele.

Em 2013 várias pessoas estavam a fazer um big year, entre eles o Paulo Alves e o Flávio Oliveira, no dia 26 de Janeiro que era um sábado, ambos tinham combinado vir a Peniche ver gaivotas e depois íamos à foz do Sisandro ver se víamos uma narceja-galega e para acabar o dia uma tentativa para o Bufo-real.

Até aqui tudo certo, um dia normal de observação de aves no oeste, o problema surge quando o Flávio altera os planos e decide ir primeiro á ETAR de Alverca antes de vir para Peniche, andava lá um Marreco que era um lifer para ele.

Eu e o Paulo começamos a ver aves no molhe leste, tentando encontrar a gaivota-de-bico-riscado que andava na zona, quando o Paulo repara numa gaivota branca pousada na areia dentro do porto, Larus hyperboreus, um lindo 1º inverno!! Espectáculo, ainda por cima era uma lifer para ele, mas agora tínhamos um pequeno problema, a gaivota era também uma lifer para o Flávio que continuava na ETAR de Alverca à procura do Marreco…

Eu nestas situações sou geralmente uma pessoa bastante simpática e gosto de ajudar os amigos, e claro que telefonei ao Flávio a dar-lhe a boa nova, estranhamente o facto de estar a uma hora de distância de um lifer quando podia estar já a ver a ave não o deixou feliz, há pessoas que nunca estão contentes!

Deixando a gaivota em paz, e o Flávio com a decisão de perder mais tempo a tentar encontrar o Marreco ou desistir e vir ver a gaivota, eu e o Paulo fomos dar uma olhada no fosso, lá chegados em vez da esperada gaivota-de-bico-riscado estava outra gaivota branca, desta vez uma Gaivota-polar!!! Outro 1º inverno, ao ver a ave, a segunda raridade num espaço de minutos o Paulo exclama “Peniche é uma terra sem lei” frase que ainda hoje me faz sorrir. Também é preciso não esquecer que em 2013 ambas as espécies não eram tão banais como ficaram depois do influxo de 2014.

Novo telefonema ao Flávio a avisar que afinal estava a perder dois lifers e não um…

Enquanto o desesperado não se punha em Peniche fomos tomar café, naquele local mítico para a observação de raridades que é o café do Quebrado em Peniche, quando ele finalmente chega (algo agitado), fomos para o molhe leste tentar ver a gaivota.

Bom, o molhe leste como qualquer praia a um sábado de manha sofre de um excesso de pessoas, pessoas com cães, pessoas a correr, surfistas, pescadores, namoradas de surfistas, etc, tantas pessoas causam um estranho efeito nas gaivotas, elas desaparecem. Logo nada de hyperboreus.

Bem, ainda tínhamos a polar, por isso seguimos para o fosso, com o Flávio a resmungar, para quem o conhece sabe que é o estado natural dele, felizmente e para alívio geral a polar estava lá e um “twitcher” muito ansioso pode finalmente suspirar de alívio.

Estávamos a voltar para o carro quando passa uma gaivota clara por cima das nossas cabeças, eu grito argentatus, e começo a ir atrás dela, e ao mesmo tempo ligo o meu cérebro que devia estar desligado, já que obviamente não era uma argentatus, era a gaivota-de-bico-riscado, felizmente ela pousou e deu para ver.

Acabámos por voltar a seguir o plano e a ir à foz do Sizandro tentar a narceja-galega. Bom ver a narceja implica ou muita sorte ou arranjar um pobre desgraçado para se atirar para dentro de agua para tentar levantar uma, como é óbvio a fava calhou-me a mim e lá tive que entrar dentro de agua em Janeiro para fazer levantar uma, enquanto os fidalgos ficavam secos e quentinhos a apreciar a cena… típico!

Vista a narceja, voltamos a Peniche, o dia estava a acabar e fomos dentro do porto ver se víamos a hiperbórea, nem sinal dela e com o Flávio de mau humor (piada) estávamos a prepararmos-nos para ir ver do bufo quando de repente aparece uma gaivota branca, ainda pensei que era a polar, mas não, era a hiperbórea que pousa à nossa frente!!!

E para acabar o dia? Um Bufo-real!
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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por Helder Vieira em Qui Jan 14, 2016 9:15 am

Eh pá, muito fixe. Conseguir fazer rir com a escrita não é fácil, mas tu consegues.

"Peniche é uma terra sem lei" está muito bom. Já xinguei várias vezes Peniche por tanta tralha alada que por aí aparece... a frase do Paulo resume tudo😊
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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por Paulfer em Qui Jan 14, 2016 9:17 am

E o marreco? Very Happy
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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por Paulfer em Qui Jan 14, 2016 9:21 am

Paulfer escreveu:E o marreco? Very Happy

Já vi que falhou, pois só o registou em Março.
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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por pedro121 em Qui Jan 14, 2016 9:43 am

Paulfer escreveu:
Já vi que falhou, pois só o registou em Março.

Sim, falhou o marreco, mas depois fez a dupla, Marreco e Marrequinha-americana no Paul do Taipal.
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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por PNicolau em Qui Jan 14, 2016 10:51 am

O Paulo sabe sempre de facto animar a malta.
Dão um bom equilíbrio, Paulo Alves e Flávio Oliveira. Very Happy
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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por Paulfer em Sex Fev 05, 2016 4:25 am

Há uma história nova. Laughing
13) O pardal que ''rouba'' carteira
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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por Tissot em Sex Fev 05, 2016 5:46 am

Paulfer escreveu:Há uma história nova.  Laughing
13) O pardal que ''rouba'' carteira

e....!!!!!! Estamos à espera de mais desenvolvimento Paulo.
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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por Paulfer em Sex Fev 05, 2016 11:16 am

13) Um cafézinho primeiro que o sol abra, sempre foi uma ''exigência'' de quem está com ''uma direta'' para ver ''umas aves''.
Mas melhor que um café, nada do que chegar ao local e estar um telescópio montado e apontado para a ave. Esta situação faz ''qualquer um'' saltar!
Pois bem, isto é o inicio de uma artimanha!!! De quem? isto conto mais à frente...
Bem esta artimanha consiste num esquema para que na nossa cabeça só entrem 2 coisas. A ave e uns binóculos/máquina fotográfica. O ambiente estava perfeito, luz, tempo, local, ave, etc
Depois de umas ''malhuzias'', finalmente chega a altura de.... ir embora.
Vamos ao 2.º round....um café.
Com o repouso, a vida cai em nós e já nos lembramos de mais umas coisas, principalmente da carteira para pagar o café Smile
E ao meter a mão no bolso.... ''ups perdi a carteira''!! Foi o pardal!!! Embarassed Instala-se o desespero!!
Sem querer incomodar ''muito'' as restantes pessoas... algo inevitável, lá tivemos de regressar à procura do pardal.
No campo, o pardal lá continuava todo feliz da vida a cantarolar pois eu sabia que ele me tinha ''sacado'' da carteira.
Mas onde é que a tinha ''escondido'', isso era incógnita. Tínhamos de andar atrás dele para descobrir.
Entretanto um lembra-se de tirar os binóculos para observar e lá dá com a carteira. Aberta!! O sacana não tirou nada mas eu sei que ele bem que queria, as mãos é que não ajudam... Very Happy
Cuidado com estas artimanhas. Ainda nos esquecemos da cabeça

Obrigado a todos que incomodei Very Happy
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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por pedro121 em Seg Fev 08, 2016 3:41 am

7º Seus idiotas ela está mesmo atrás de vocês!!!


Bem, esta história é muito complicada a vários níveis, e por vários motivos, mas principalmente por motivos pessoais, mas para além disso tem que ser enquadrada por alguns prólogos:

Prólogo 1: 29 de Abril de 2013, o Rui Caratão dá com uma fêmea de 2ºano de Falcão-de-pés-vermelhos na lagoa dos Patos, infelizmente estava sem bateria e a noticia só sai a meio da tarde, a questão era ir ou não no 1 de Maio, o risco era grande e eu sou avesso a ir arrolar rapinas, hesitei e acabei por não ir, mas fiquei com um serio amargo de boca.

Prólogo 2: No ano seguinte, Paul Chapman um observador inglês descobre um juvenil a 16 de Setembro na Cabranosa em Sagres, a ave é vista ao fim do dia, sendo provável que passe a noite, bom eu é que não passei nada bem a noite, na realidade não ir ver a ave no dia seguinte vai contra tudo o que eu defendo, mas ir a uma rapina durante a semana era demais para a minha cabeça, quando comentei que iria esperar pelo fim de semana a reacção no Birdforum foi a seguinte:
Observador 0: “The average twitcher doesn't wait I'd say. On saturday you're normally in the 'mongolenwaaier'”
Observador 1:“ member of the "slow starters", "Saturday twitchers", "latter day listers" or whatever you want to call them in English without resorting to politically incorrect cycling-related terms! There must be some horse-racing term for a jockey who always chooses the wrong line which the British twitchers could adopt?”
Observador 2: “In Britain we call them dippers.”

E eu concordo com eles, a serio, mas a ave estava em Sagres, era uma rapina, era uma ave demasiado longe. Smile  Novo amargo de boca, e claro a ave foi muito bem vista na manha seguinte e depois nunca mais…

Bom, avançando para 2015, no dia 12 de Maio tive um serio problema familiar e fiquei literalmente a bater mal, felizmente que perto da meia-noite telefonaram-me do hospital a avisar que havia melhorias, tendo ficado mais descansado.

Na manha do dia 13 as 6 horas o Rui Caratão envia-me um sms a avisar de um Falco vespertinus perto de Beja, eu apanhei um susto quando a sms chega, já que pensei que era do hospital, mas quando vejo que era acerca de aves, mandei uma mensagem para o Rui e voltei para a cama, não estava realmente voltado para pensar em aves.

As 7 recebo um sms do Thijs acerca de uma fêmea, mas onde ele não indica o local, e eu fico a pensar que estava a falar da ave de Beja (Não estava, tinha dado com uma na ETAR de Faro), também não liguei.

Mas reencaminho para o Flávio, que obviamente telefona-me de imediato a perguntar se era para ir, eu explico-lhe a situação e digo para a malta ir sem mim, que eu estava noutra.

Bom, entretanto tinha que ir a Peniche buscar o meu carro, e as 9 horas uns colegas passaram por minha casa para me darem boleia, depois de ir buscar o carro, recebo um telefonema do hospital a avisar que as coisas estavam bem melhores, que os prognósticos eram positivos, isso deixou-me bastante aliviado, mas continuava fora, mesmo porque tinha que ir ao hospital as 13 horas fazer a visita.

Bom, e o que fazer perante estes múltiplos registos de falcões-de-pés-vermelhos? Obviamente ir as compras e tratar do almoço.

À saída do supermercado falo com o Thijs, que me comunicou do 2º vespertinus na Etar, desta vez um macho, e em que finalmente percebi que tinha percebido mal as mensagens matinais e que a mensagem original do Thijs era sobre uma ave que ele tinha descoberto e não como eu pensava sobre a ave do Rui. E mais importante, avisou-me que estava uma Egretta gularis legítima na Etar, o Peter Dedicoat e a June Taylor ao irem ver o 1º falcão deram com o 2º e com a garça.

Bem, eu aqui vacilei, estava já bastante mais aliviado com as notícias bastante positivas que tinha tido, e sabendo que a minha visita seria curta, no máximo 10 minutos comecei a pensar se seria possível, falei novamente com o Flávio, que entretanto já tinha feito planos para Beja, que se calhar era melhor ir antes a Faro, mas eu continuava fora.

E vou para casa, quando ia a sair de Peniche vejo na recta antes da entrada no IP6 dois falcões pousados nos fios telefónicos do outro lado da estrada, um deles era um peneireiro mas o outro? O outro era um Falcão-de-pés-vermelhos macho!!! Fiquei em estado de choque, mas acelerei para fazer a rotunda, voltei para traz e parei na berma e incrivelmente estava a ver um macho de 2º ano de Falco vespertinus em Peniche, passado o choque avancei com o carro para um cruzamento em que podia ficar fora do carro a ver a ave de telescópico, e aproveitei para enviar um sms a avisar o pessoal, a ave passados uns minutos pirou-se (mas foi depois relocalizada à tarde por vários fotógrafos locais).

O Flávio telefona-me a avisar que alterou os planos e que em vez de ir para Beja procurar pela ave do Rui vem a Peniche, e nessa altura eu comecei a vacilar, isto porque quando mandei o sms de aviso ao Thijs, ele respondeu-me a avisar que na ETAR estava também uma Phylloscopus sibilatrix que era para mim uma espécie ainda mais importante que a garça.

Eu volto a telefonar ao Flávio e depois de falarmos combinamos que eu vou ter com eles a Lisboa, fazia a visita que tinha para fazer e depois consoante o meu estado iria com eles ou não ao Algarve.
Dito e feito, pelas 13.30 seguimos para sul, uma equipa de 4, eu, o Flávio Oliveira, o Pedro Nicolau e o Marcos Schwager, o plano era simples, chegar o mais rápido possível à ETAR, ver as 3 espécies, e voltar para casa.

A parte de chegar à Etar correu bem, mas depois começaram os problemas, eu queria ir ver da felosa, os outros 3 queriam procurar 1º os falcões (sim no dia 13 de Maio de 2015 os falcões-de-pés-vermelhos ainda eram uma mega-raridade… ), enquanto eles perdiam tempo a não ver os falcões eu começo a avançar para a “sebe”.

Para quem não conhece a etar de Faro, ela consiste em duas lagoas bastante grandes, e perpendicularmente as lagoas existe um caminho de terra batida com arvores plantadas ao longo da estrada, para passeriformes arborícolas na primavera deve ser o melhor local em Portugal para fazer arrolamentos, já que se for encontrada uma raridade na sebe durante a manha é quase garantido que ela vai permanecer até á noite, já que não tem basicamente sitio para onde ir, a não ser percorrer a sebe que é muito comprida, mas que consiste numa fila de apenas 1 árvore de espessura.

Bom, estava eu a percorrer a sebe quando os meus colegas chegam depois de terem desistido da busca infrutífera do falcão, avançamos quase até ao ponto em que a sebe faz uma curva, quando de repente voa na nossa direcção uma felosa! Bingo, felosa-florestal!

Simplesmente espectacular, ficámos um bom bocado a ver a ave, mas a garça chamava, e eu comecei a voltar para as lagoas, quando estávamos a sair da sebe, eis que chega a malta de Castro Verde que vinha para ver a felosa e a garça, depois dos cumprimentos da praxe eles foram à felosa e nós ficámos a ver se víamos a garça e o falcão, mas nem sinal deles, entretanto chega o Thijs e companhia, e o grupo começa a dar voltas a tentar encontrar a garça, mas nem sinal, eu estava estourado e basicamente satisfeito depois de um dia muito complicado, mas os meus colegas estavam desesperados por não terem ainda visto o Falcão (sim, nessa altura ninguém imaginava que nos próximos dias haveria falcões me todo o lado), por isso enquanto os algarvios, eu e o pessoal de CV ficamos no lado poente da etar na conversa, o resto da malta colocou-se no lado nascente, junto á estrada da sebe, no local onde os Falcões tinham sido observados de manha.

Estava já o sol a pôr-se quando vimos uma fêmea de vespertinus a passar nas costas do Flavio e Nicolau, eu começo a fazer sinais de que a ave estava atras deles, e avanço para eles para lhes chamar a atenção, eles veem-me correr na direcção deles, a gritar “atrás de vocês!!!” e o que é que as inteligências fazem, ao verem alguém a correr na sua direcção e a apontar para atras deles? Olham para trás? Não! Começam a correr na minha direcção!! Giro… ai mudo de frase e começo a gritar “Seus idiotas ela está mesmo atrás de vocês!!!” E eles lá perceberam, voltaram-se e viram a ave, que entretanto num acto de bondade pousou numa árvore para passar a noite.

Pronto, acabou tudo em bem, mas não antes de ter aparecido o 2º Falcão vespertinus, o macho que veio dormir com a fêmea, e não antes de termos chegado à conclusão que arranjar estacionamento em Faro pode ser algo ligeiramente complicado…


Última edição por pedro121 em Ter Jul 25, 2017 9:32 am, editado 1 vez(es)
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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por pedro121 em Qui Mar 17, 2016 9:01 am

6º Uma boa razão para bater o recorde de velocidade na recta do cabo

Mais uma história curta, mas com muitos pequenos episódios.

O outono 2014 foi bastante produtivo já que várias raridades anuais apareceram na zona de Lisboa, permitindo que vários observadores conseguissem finalmente ver espécies relativamente comuns, para dois observadores em particular a montanha russa que foi esse período, ficou para a historia não necessariamente pelos melhores motivos.

Começou no inicio do Setembro com o Falaropo-de-bico-fino, esta espécie é anual em Portugal, mas espantosamente em 2014 eu ainda não tinha visto um!

Devido a um conjunto de fatores a espécie tinha-me escapado, basicamente por ser uma raridade anual e portanto não achar necessário ir ao Algarve para ver um. Para além disso falhei a espécie 2 vezes na Figueira-da-Foz (esse local maldito)! Resumindo em 2014, ainda precisava do falaropo, e como eu uma serie de pessoas.

No dia 07 de Setembro estava eu num almoço com a família da minha mulher no Forte da Casa-Alverca quando toca o telemóvel, era o Luis Gordinho a avisar que tinha dado com um nas marinhas da Saragoça, inacreditável, por uma vez estava com sorte, era literalmente ali ao lado.

Depois do almoço fui lá num instante e arrolei rapidamente o falaropo. O resto do pessoal teve mais problemas já que por azar ninguém estava em Lisboa, mas no dia seguinte o Flávio Oliveira veio do Porto de comboio para arrolar a ave. Eu estar com compromissos familiares e o Flávio estar no Porto foi um tema recorrente ao longo das semanas seguintes

No fim de semana seguinte nova bomba, o António Gonçalves descobre 2 gaivinas-de-asa-branca na foz do Sisandro, mesma situação, eu já tinha falhado a espécie 2 vezes, não tinha ido ao algarve, as aves foram descobertas ao sábado à tarde, no domingo tinha um almoço de família em Lisboa (a família da minha mulher faz toda anos em Setembro e Outubro o que normalmente não dá muito jeito) e o Flávio estava no Porto.

Bom, mais um arrolamento fácil, fui para Lisboa, faço um desvio pelo Sisandro, vejo as aves, fico à conversa com o António Gonçalves e com o Pedro Marques que tinham lá voltado, o Flávio entretanto chega vindo do Porto meio a dormir que tinha estado numa festa e pronto vou almoçar.

A meio do almoço telefona-me o António Gonçalves a avisar que tinha dado com um Pilrito-de-colete na parte norte do Sisandro (de manha tínhamos estado na parte sul). Bem, eu não precisava do pilrito mas o Flávio precisava, por isso telefonei a avisar, ele estava já em Almada e a ideia de voltar outra vez ao Sisandro não foi propriamente bem recebida, mas lá arranjou coragem e foi ver o pilrito.

Entretanto no dia 16 eu encontro uma Gaivina-de-asa-branca na ETAR!! Fiquei algo agastado, passei anos a olhar para gaivinas-pretas sempre na esperança de dar com uma de asa-branca e dois dias depois de ir arrolar uma, encontro outra.

Bom, no meio destas confusões havia alguém a roer as unhas, o Paulo Ferreira não se tinha movido no fim de semana de 14 e agora estava com um problema, estavam 4 espécies em cima da mesa, era demasiado tentador, por isso, no 20-Set sábado vem ter comigo a Peniche para irmos limpar as varias raridades.

As coisas não correram nada de acordo com o plano. Começámos por falhar o Borrelho-ruivo e a gaivina de Peniche, depois vamos ao Sisandro onde falhamos as gaivinas e o pilrito, mas encontrámos o José L. Santos e o filho e ficamos à conversa com eles durante um bocado.

E eu tive aqui um daqueles momentos proféticos, ao comentar que as 2 ultimas raridades tinham aparecido comigo “preso” por compromissos familiares, e que no dia seguinte que era domingo eu tinha que ir a um casamento, sendo assim certo que iria aparecer uma mega.

O José L. Santos achou graça ao comentário e disse que esperava ser ele a dar com ela!! Mal ele sabia…

Bom, com o Paulo a deitar fumo, seguimos para a ponta da erva, lá chegados falamos com o Pedro Nicolau que nos avisa que o Falaropo já não estava na Saragoça, bem, basicamente estávamos sem aves para ver, fomos para o EVOA tomar café e entrar em depressão! Quando íamos na estrada para o EVOA dou com um grupo de borrelhos do lado esquerdo da estrada, paro o caro, pego nos binóculos, e no meio do bando de Borrelhos estava um Pilrito-canela que era um lifer para o Paulo, mas também para o Nicolau e para o Marco que seguiam noutro carro.

Enquanto estávamos a olhar para o Pilrito aviso o resto do pessoal que estava na zona, o Matthias Tissot e o Manuel Lemos chegaram passados uns minutos, o Flávio veio a acelerar já que estava em Alcochete, Entretanto descobrimos um 2º pilrito-canela, nada mal para um dia que estava a correr mesmo muito mal.

Acabamos a volta pelo estuário sem dar com mais nada e o Paulo deixou-me em casa.

No domingo 21 de Setembro estava eu no casamento da minha cunhada quando recebo um telefonema do José Lima Santos a avisar que tinha encontrado um Acrocephalus agricola na Ameixoeira-Lisboa, a menos de 15 minutos de onde me encontrava… foi muito giro. MEGA raridade, mesmo ao pé de mim e eu não podia sair!! Que depressão!! Ainda por cima nem carro tinha.

Mas depois de várias peripécias lá consegui ir ver a ave que ainda por cima ficou toda a semana…

Gostava de agradecer uma vez mais ao Frederico Morais, que veio em meu socorro, vindo do Algarve e me deu boleia. A imagem da minha chegada ao twitch em fato de casamento ficou certamente na memória dos presentes.

Mas a cereja em cima do bolo desta sequência de lifers foi o Papa-moscas-pequeno descoberto pela família Lima Santos no dia 2 de Outubro no parque do Tejo, essa ave foi muito cómica porque tendo sido descoberta de manha, foi procurada intensamente por um grupo de observadores durante a tarde. Mesmo sabendo que a ave não estava a ser vista eu decidi arriscar lá ir ao fim da tarde, na esperança que ela se movesse no final do dia. Não tive sorte e ninguém viu a ave.

Era o fim de semana do festival de Sagres e a maior parte do pessoal foi para baixo, chegando mais tarde do que desejavam, e não vendo o tartaranhão-pálido que andava a passear por lá e que era um lifer.
No dia seguinte era RAM e estava eu a chegar ao ponto da contagem onde me ia encontrar com dois voluntários quendo recebo um telefonema do Francisco Lima Santos a avisar que estava novamente a ver o Papa-moscas… bem, devo dizer que proferi algumas profanidades. Mas não havia nada a fazer, falei com os dois voluntários, que felizmente moram mesmo ao lado do ponto de contagem e disse que tinha uma emergência e que tinha que ir para Lisboa.

Uma hora depois estava de volta ao Parque do Tejo, mas desta vez estava a olhar para um Papa-moscas-pequeno!!!

Entretanto o pessoal que foi para Faro conseguiram não ver o Tartaranhão-pálido e claro que quando voltaram para cima o papa-moscas já se tinha pirado.

Mas a historia não acaba aqui, no fim de Novembro eu encontrei outro papa-moscas, em Peniche que se portou bem melhor que o de Lisboa tendo sido visto por uma dezena de observadores.
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pedro121

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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por Paulfer em Qui Mar 17, 2016 9:58 am

pedro121 escreveu:
Quando íamos na estrada para o EVOA ...
Pois, eu lembro-me bem que levava o carro e gritaste para mim quando tivemos de fazer uma paragem:
''Olha o Nicolau, cuidado não pares, ACELEEEEEERA!!'' (é que ele vinha atrás de carro e com ''intenções'' em bater)
Não é nada aconselhável formar fila de carros a ver aves
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Paulfer

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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por Paulfer em Qui Mar 17, 2016 10:02 am

pedro121 escreveu: com o Paulo a deitar fumo
O dia não ficou negro Very Happy Foi quebrado o feitiço da ''minha 1ª bonelli'' Laughing
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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por pedro121 em Qui Mar 17, 2016 10:02 am

Paulfer escreveu:
''Olha o Nicolau, cuidado não pares, ACELEEEEEERA!!'' (é que ele vinha atrás de carro e com ''intenções'' em bater)
Não é nada aconselhável formar fila de carros a ver aves

Bem, para defender o Nicolau, ele tinha carro à pouco tempo, e o conceito de que era melhor travar quando o carro que segue à nossa frente para! ainda não estava bem entranhado. Very Happy Very Happy
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pedro121

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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por Paulfer em Qui Mar 17, 2016 10:52 am

pedro121 escreveu:
Ele tinha tudo controlado que nem se apercebeu da nossa aflição Laughing
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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por pedro121 em Qui Mar 17, 2016 11:09 am

Paulfer escreveu:
pedro121 escreveu:
Ele tinha tudo controlado que nem se apercebeu da nossa aflição Laughing

Sei, sei... o que eu sei é que arrancas-te com o carro, essa é que é essa. Very Happy
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pedro121

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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por PNicolau em Qui Mar 17, 2016 3:41 pm

Paulfer escreveu:
pedro121 escreveu:
Ele tinha tudo controlado que nem se apercebeu da nossa aflição Laughing
Ora muito obrigado Paulo, estava a começar a pensar que ninguém me compreendia. Laughing Laughing

Entretanto, mais recentemente, houve ainda outra de "como quebrar o recorde de velocidade na PDE", e dessa há vídeo. Twisted Evil
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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por pedro121 em Sex Mar 18, 2016 5:44 am

PNicolau escreveu:
Entretanto, mais recentemente, houve ainda outra de "como quebrar o recorde de velocidade na PDE", e dessa há vídeo. Twisted Evil

Video? sinistro...
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pedro121

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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por Paulfer em Sex Mar 18, 2016 5:55 am

PNicolau escreveu: "como quebrar o recorde de velocidade na PDE", e dessa há vídeo. Twisted Evil
O que é a PDE?
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Paulfer

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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por PNicolau em Sex Mar 18, 2016 7:09 am

P**ta da Erva Smile
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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

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