O estranho caso do chasco-ruivo

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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por Paulfer em Sex Mar 18, 2016 8:26 am

PNicolau escreveu:P**ta da Erva Smile
Hmm... foi da nipalensis?
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Paulfer

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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por pedro121 em Sex Maio 06, 2016 5:24 am

10º pusilla ao quadrado

A Escrevedeira-pequena (Emberiza pusilla) é uma das espécies que estava na minha lista das mais desejáveis há muito tempo, era também uma espécie em que eu tinha falhado num arrolamento meio estranho em 2012.

Em 2013 houve nova oportunidade quando o Alexandre H. Leitão foi ao estuário do Sado procurar umas escrevedeiras-das-neves que lá andavam.

Não conseguiu encontrar as escrevedeiras mas em compensação deu com uma Escrevedeira-pequena nos arrozais da península da Carrasqueira no dia 16 de Dezembro uma segunda-feira, e a notícia saí uns dias depois a 19, o que deixa sempre um hiato temporal em que a ave pode pirar-se, para alem disso e por razões que já não me lembro a malta não podia ir no Sábado dia 21, mas combinou-se para domingo 22.

Demasiado tempo entre o avistamento inicial e o arrolamento, sem mais noticias o pessoal começa a vacilar, a área é enorme, dar com uma escrevedeira no meio de tanto arrozal é literalmente dar com a agulha no palheiro, só que esta agulha tem asas.

Bem, fez-se uma equipa de 5 e o João T. Tavares combinou ir ter connosco à Carrasqueira vindo de Alcácer, mas lá está, esperar por domingo fez mossa, e no sábado à noite alguém roeu a corda, a equipa estava reduzida a 4, mas eis que perto da meia noite chega a noticia que a ave tinha sido vista no sábado mais a menos à mesma hora, e dá-se o momento mais cómico da minha noite, como fui para a cama cedo tenho uma sucessão de mensagens, que li pela ordem inversa de chegada, a 1ª a avisar que o desistente afinal já ia, depois outra (de outra pessoa) a avisar que a ave tinha sido vista (há gente que não dorme) e a inicial que li por ultimo a avisar que iria haver uma desistência.

Bem, fui a rir-me o caminho todo para Lisboa, e quando cheguei o pessoal estava com o moral em alta, uma coisa é procurar uma agulha num palheiro, outra bem diferente é procurar uma escrevedeira que pelos vistos andava sempre pela mesma zona.

Chegados ao sítio e depois de nos encontramos com o JTT tentamos decidir qual a melhor estratégia. Enquanto o pessoal conversava eu comecei a andar na direcção do último avistamento.

Quem me conhece sabe que eu não sou propriamente sociável, e não gosto realmente de fazer o mesmo que toda a gente, alem disso pensei em ver 1º no sítio óbvio antes de começar a procurar numa zona mais alargada.

Enquanto os outro ficavam na conversa eu andei umas dezenas de metro, e dei com 2-3 escrevedeiras nuns pequenos arbustos na divisória de dois talhões de arroz, pego nos binóculos e vejo que uma é tem muito bom aspecto, coloco o telescópico em posição e bingo estou a olhar para uma Escrevedeira-pequena em toda a sua gloria! O resto da malta entretanto começou a andar na minha direcção e eu sinalizei que estava a ver a ave, passados minutos de termos chegados ao local já todos tínhamos visto o objectivo, bem há arrolamentos assim, nem todos são maratonas, alguns é chegar e ver.

Ainda tivemos tempo para dar com mais umas coisas, incluindo as escrevedeiras-da-neve em cima do restolho de arroz, o que é uma imagem algo surreal.

Sem muito para fazer decidimos ir tentar fotografar melhor a escrevedeira, mas não deu, éramos demasiados para nos conseguirmos aproximar dela.

Fomos comer qualquer coisa e voltamos a tentar ver se conseguíamos fotografar melhor a ave, andávamos nisto quando recebemos um telefonema do Pedro Marques a avisar que enquanto estava a fotografar um Abetouro na Ponta da Erva tinha encontrado uma Franga-d’água-pequena (Porzana pusilla)!!

Portanto estávamos nos no estuário do Sado atras de uma pusilla quando aparece no estuário do Tejo outra pusilla! A escrevedeira já estava! Agora era decidir se íamos à franga ou não. E não era uma decisão tão simples como pareceria à primeira vista.

Dos 6, 3 já tinham visto Franga-d’água-pequena em Portugal continental, tanto eu como o Rui Caratão tínhamos encontrado uma e o Flávio Oliveira tinha visto a do Rui. O JTT não tinha a espécie mas estava com carro, mas no “nosso” carro nem o Frederico Morais nem o António Gonçalves tinham a espécie e quem tinha levado o carro era o Frederico por isso em última analise a decisão era dele.

Portanto com um lifer para ver a decisão deveria ser simples para o Frederico, mas em 2013 ele e o Flávio estavam numa disputa titânica para ver quem via mais aves no decorrer do ano, e ir à pusilla implicada que o Flávio poderia ver o Abetouro que o Frederico já tinha para o ano mas o Flávio ainda não.

A questão era ainda mais complicada porque sendo todos amigos, e sendo o convívio uma parte muito importante dos arrolamentos, a verdade é que no fundo fazer as listas e coloca-las no Bubo e ver em que lugar ficamos no ranking é um jogo, e todas as 6 pessoas que estavam na carrasqueira naquele dia faziam parte do Top 10, e a Porzana pusilla era uma ave importante para se ver, dadas as dificuldades que a espécie apresenta é na prática um blocker.

Por isso em vez de arrancarmos logo houve um momento de indecisão, em que ficamos todos a olhar uns para os outros, pareceu durante uns segundos um jogo de poker.

Mas foi só uns segundos de suspense, decidimos ir! Todos menos o JTT que tomou a infeliz opção de regressar a Alcácer.

Depois de decidido o que fazer o importante era chegar o mais depressa possível ao local, mantivemo-nos em contacto com o PM e com as noticias que a aves estava a afastar-se do topo do talhão a ansiedade ia aumentando, quando finalmente lá chegámos estava o PM a fotografar o Abetouro, e o Flávio finalmente viu um após varias tentativas falhadas.

Mas mal saímos do carro o Abetouro eclipsou-se, e a busca pela pusilla começou, a ave estava a avançar para o topo oposto ao que nos encontrávamos, mas a tarefa de a localizar era complicada, já que dentro do restolho era impossível vê-la e a única hipótese era se ela estivesse nos carreiros entre as linhas de restolho, felizmente o restolho fazia linhas perpendiculares á estrada onde nos encontrávamo-nos, portanto conseguíamos ver bem os carreiros.
O pessoal espalhou-se para aumentar as hipóteses e ao fim de alguns minutos alguém vê-a a atravessar um carreiro para chegar à próxima linha de restolho.

Devo dizer que a partir daqui foi um dos arrolamentos mais divertidos em que participei, a ave tinha uma rotina e rapidamente desenvolvemos também a nossa. Ela atravessava o restolho paralelamente à estrada, e quando saia do outro lado da fila, dava uma corrida pelo carreiro para chegar à próxima fila e repetir o processo, o tempo que demorava dentro do restolho era variável, e não o atravessava em linha recta, estava lentamente a afastar-se da estrada.

Como era tudo muito rápido, era difícil perceber em que local ela ia sair, e conseguir vê-la antes de ela entrar na fila seguinte, mas alguém apercebeu-se que a agua no carreiro começava a fazer pequenas ondulações no sitio onde ela ia sair, o que dava tempo para apontarmos os telescópios e vermos a ave, as vezes ela não atravessava logo permitindo excelentes observações. Assim que ela atravessava e se enfiava dávamos um passo ao lado e ficávamos à espera da próxima aparição.

Alem disso para ajudar a festa foram aparecendo mais alguns arroladores, alguns sem saberem de nada mas que iam a passar e juntaram-se à festa.

Foi um final de dia espectacular a todos os níveis.

Ps: no dia seguinte o JTT tentou relocalizar a ave à chuva e apesar de uma grande esforço a única coisa que conseguiu foi uma molha.
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pedro121

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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por Gonçalo Elias em Sex Maio 06, 2016 5:35 am

pedro121 escreveu:há arrolamentos assim, nem todos são maratonas, alguns é chegar e ver.

tipo o pardal Very Happy
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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por José Frade em Sab Maio 07, 2016 5:49 pm

Gonçalo Elias escreveu:
pedro121 escreveu:há arrolamentos assim, nem todos são maratonas, alguns é chegar e ver.

tipo o pardal Very Happy

Ou o corredor Smile
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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por pedro121 em Dom Maio 08, 2016 12:51 pm

Pois o corredor ainda deu algum trabalho, não foi só sair do carro e ver, e o pardal ainda se gastou uns segundos, não a minha melhor foi a gaivota-marfim, nem tinha parado o carro e já estava a ver a ave
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pedro121

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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por PNicolau em Dom Maio 08, 2016 1:11 pm

pedro121 escreveu:Pois o corredor ainda deu algum trabalho, não foi só sair do carro e ver, e o pardal ainda se gastou uns segundos, não a minha melhor foi  a gaivota-marfim, nem tinha parado o carro e já estava a ver a ave
O pardal gastou-se alguns segundos a sair do carro e olhar pelo telescópio do Thijs...
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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por pedro121 em Seg Maio 09, 2016 3:07 am

PNicolau escreveu:
O pardal gastou-se alguns segundos a sair do carro e olhar pelo telescópio do Thijs...

Eu estive a pensar e em termos de rapidez, contando o tempo em que se para o carro até se ver a ave para mim o top 5 foram:

1º Gaivota-marfim
2º Pilrito-de-perna-longa
3º Pardal-das-neves
4º Gaivota-de-bonaparte
5º Gaivota-prateada-americana


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pedro121

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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por pedro121 em Qui Set 15, 2016 5:00 am

13) Peça em três actos, em 3 dias diferentes, 1º o épico, 2º o cómico e 3º o trágico

Atualmente muitas raridades são descobertas na internet, alguém fotografa uma ave, pensa que é uma espécie comum e ei que em vez de ser uma Escrevedeira-das-neves é um Pardal-das-neves, ou fotografa uma ave que não conhece e é uma tarambola-dourada-americana.

Um destes casos deu-se a 07 de Novembro de 2013 quando foi encontrada uma “Galinha-d'água” em Monsanto no coração de Lisboa, o observador não tinha a certeza do que era, por isso enviou fotos a varias pessoas, que por sua vez as reenviaram a outras, eventualmente eu vejo as fotos a meio da noite, e sem olhar para o guia (boa!!) identifico a ave como sendo um Caimão-africano, uma espécie com apenas 2 registos em Portugal. Bom, no dia seguinte, que era sexta-feira iam passar-se uma serie de coisas, nomeadamente era greve geral.

Eu não ia aderir à greve-geral, mas de manha fiquei a pensar na vida, se calhar era melhor ficar em casa não fosse o diabo tece-las. Mas no final decidi-me por ir para o emprego.

Quando estou a chegar ao meu local de trabalho vejo que o Hélder Cardoso estava na Cruz dos remédios a ver marítimas, parei para falar com ele, e ele disse-me que os falaropos estavam a passar em força e muito perto, coisa que constatei quando passou um bando bem visível a olho nu, bem, nessa altura vacilei, com a perspetiva de uma Mega e uma boa passagem de marítimas a perspetiva de aderir à greve pareceu-me mais cativante. Mas resisti às tentações e fui trabalhar.

Quando chego ao trabalho vejo que o Gonçalo Elias tinha enviado um mail a divulgar a notícia e identificando a ave como sendo um Caimão-africano. Mas passados minutos o Magnus Robb contesta a identificação, já que para ele era um Caimão-americano (Porphyrio martinicus), o Magnus tinha obviamente razão, mas resolvida a identificação o que fazer?

O Espaço Biodiversidade do PFMonsanto é daqueles sítios estranhos que existem, mas ninguém sabia que existiam, que permitem visitas, mas só marcadas com 5 dias de antecedência, em suma é um daqueles sítios públicos que não querem publico. 

Portanto tenhamos um 1º para Portugal continental, no meio de Lisboa, numa sexta-feira dia de greve geral e ninguém conseguia perceber onde exatamente estava a ave, e mais importante como aceder ao local sem termos que esperar 5 dias.

Os primeiros a chegarem ao local foram o Pedro Nicolau e a Sofia Melo que tendo encontrado o sítio mais ou menos por acaso deram com a porta fechada, o Pedro não se atrapalhou e depois de ter ficado na conversa com a rececionista durante uma hora lá conseguiu que lhe abrissem a porta para ir dar uma espreitadela, e num pequeno lago coberto de nenúfares lá estava a “Galinha-d'água”, um 1º inverno e o primeiro a chegar a Portugal continental .

Bem, confirmado a localização e a identidade, só faltava tratar do acesso, e aqui foi à Portuguesa, foi telefonar a alguém que conhecia alguém que tinha possibilidade de arranjar acesso.

Entretanto as rodas da engrenagem do arrolamento não paravam, se ir arrolar a uma sexta-feira faz confusão a muita gente em Portugal, a outros faz menos.

Aos poucos as pessoas foram chegando, eu incluído que tive que meter meio dia de ferias para conseguir ir, mais valia ter aderido à greve. Quando cheguei já estavam varias pessoas a ver a ave que cooperou espetacularmente.

O caso mais incrível daquela sexta-feira foi o do David Monticelli que é um bem conhecido twitcher ao nível do paleártico ocidental e que em 2013 estava a trabalhar em Coimbra, nessa sexta-feira tinha acabado de regressar da Alemanha onde tinha ido arrolar um Grus canadensis, e estava já a caminho de Coimbra quando a notícia saiu, não hesitou, saiu do comboio e regressa no comboio seguinte para Lisboa e consegue chegar ao local sem falar português e indo de táxi.
Mas porque é que foi um arrolamento épico? Por causa da ave em si, obviamente que uma mega raridade no centro de Lisboa vai ser sempre muito concorrida, primeiro pela vaga inicial que são normalmente twitcher’s que tem mais consciência da raridade da ave, e depois pela segunda vaga que vem quando as fotos começam a sair. Mas neste caso a ave em si é muito especial, o Caimão-americano é um membro da família Rallidae, e esta família apesar de não parecer são vagabundos inveterados! São capazes de colonizar ilhas no meio do nada, sendo incrível como espécies que aparentemente seriam más voadoras conseguem fazer as deslocações que fazem.

O Caimão-americano é portanto um aventureiro, mas infelizmente para ele não tem as reservas de gordura que lhe permitam atravessar o Atlântico de boa saúde, a quase totalidade das aves que foram encontradas na europa estavam mortas ou quase a morrer, mas a ave de Monsanto bateu as probabilidades, estava viva e activa, e tinha encontrado uma área de habitat perfeita para as suas preferências, é absolutamente incrível o feito que ela alcançou, ter sobrevivido à travessia, e ter encontrado um porto de abrigo.

Entretanto o pessoal do parque apercebe-se da dimensão do problema que tinha em mãos, o David estava ao telefone com vários observadores estrangeiros que estavam já a fazer planos para virem ver a ave no fim-de-semana, por mais desejosos de correrem connosco dali para fora, também sabiam que iam ficar mal na fotografia se o fizessem. Felizmente correu tudo razoavelmente bem, com o acesso durante o fim-de-semana, sem danos de maior.

E nesta saga qual foi a parte cómica? Bem um grupo onde eu estava incluído ia no dia seguinte para a serra da estrela, ver tordos, e no caminho íamos passar pela barragem de santa Luzia para tentar a trepadeira, não correu muito bem, mas íamos animados já que esperávamos ver muitos tordos na serra, e depois de uma mega como o caimão era difícil estar em baixo por falharmos a trepadeira.

Bem tínhamos saído da barragem e estávamos a caminho da serra quando um bem conhecido observador nos telefona, era sábado e o dia já ia a meio, e esse observador tinha estado desaparecido desde quinta, basicamente foi para a feira da Golegã e tinha-lhe passado tudo ao lado.

Quando ele me telefona no sábado foi absolutamente hilariante, eu não consigo descrever a conversa, mas digamos que depois de algumas noites bem passadas na Golegã a capacidade de raciocínio estava algo comprometida e a fala também, eu comecei-me a rir a meio da explicação de como ver o Caimão e tive que passar o telefone porque não havia condições.

Depois de falharmos a trepadeira foi sem dúvida um momento de boa disposição muito necessário. E felizmente apesar da ressaca ele conseguiu ver a ave.

Os dois dias passados na serra não foram particularmente produtivos, mas pronto, nunca se sabe sem lá ir, e vimos muitos tordos-ruivos, mas falhamos o resto.

E a parte inevitável desta história aconteceu na segunda-feira, quando o Caimão foi descoberto num grande estado de fraqueza, e teve que ser levado para um centro de recuperação, onde acabaria por morrer. Que eu saiba foi o individuo que aguentou mais tempo vivo depois de atravessar o Atlântico. Mas foi um final muito triste para uma ave espectacular.

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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por Paulo Alves em Qui Set 15, 2016 9:00 am

Pedro estas memórias são de partir o coco! Smile

pedro121 escreveu:Bem tínhamos saído da barragem e estávamos a caminho da serra quando um bem conhecido observador nos telefona, era sábado e o dia já ia a meio, e esse observador tinha estado desaparecido desde quinta, basicamente foi para a feira da Golegã e tinha-lhe passado tudo ao lado.

Ou seja, um Caimão arranja forças para atravessar o Atlântico e aterrar numa charca minúscula. Passar um fim-de-semana na feira da Golegã desde quinta e a dormir numa roulotte de transporte de cavalos deve ser o equivalente para um humano Laughing

pedro121 escreveu:Quando ele me telefona no sábado foi absolutamente hilariante, eu não consigo descrever a conversa, mas digamos que depois de algumas noites bem passadas na Golegã a capacidade de raciocínio estava algo comprometida e a fala também, eu comecei-me a rir a meio da explicação de como ver o Caimão e tive que passar o telefone porque não havia condições.

Não me peças para ditar a conversa, não me lembro... pirat Mas imagino que tenha sido a perguntar como lá chegar e como entrar, que por sinal nem foi complicado. Comboio, taxi, caimão.

pedro121 escreveu:Depois de falharmos a trepadeira foi sem dúvida um momento de boa disposição muito necessário. E felizmente apesar da ressaca ele conseguiu ver a ave.

E que momento lindo! O bicharoco a acabar com as últimas rãs e o seu fim a aproximar-se. Eu ainda com a visão meio turva... Épico!

Venham mais... Golegãs e Caimões! Wink




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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por pedro121 em Sex Set 16, 2016 3:02 am

Paulo Alves escreveu:
Não me peças para ditar a conversa, não me lembro...  pirat  Mas imagino que tenha sido a perguntar como lá chegar e como entrar, que por sinal nem foi complicado. Comboio, taxi, caimão.

Pois, também já não me lembro, do que me lembro é que tive que passar o telefone a alguém porque estava já com lágrimas nos olhos de tanto rir. Very Happy Very Happy

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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por pedro121 em Sex Set 16, 2016 3:04 am

pedro121 escreveu:
1º Aquele cujo nome não será mencionado
2º falhar uma perna no meio de gado bravo
3º como suar nas praias do Algarve em pleno inverno
4º vamos? Sim!! Domingo! Sim!!... bem e então se fossemos assim que o outro acabar de mudar o óleo?
5º Então filho finalmente em casa? sim, mas vou já para baixo outra ves... 1 e 2.
6º Uma boa razão para bater o recorde de velocidade na recta do cabo
7º Seus idiotas ela está mesmo atrás de vocês!!!
8º Muraria, muraria muraria!!
9º Então já viste o marreco?
10º pusilla ao quadrado
11º Mergulhão-caçador? não vai acontecer!
12) Dá chuva para a tarde mas com sorte não vai ser nada...
13) Peça em três actos, em 3 dias diferentes, 1º o épico, 2º o cómico e 3º o trágico

E pronto só faltam 3 Very Happy Very Happy
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Re: O estranho caso do chasco-ruivo

Mensagem por pedro121 em Qui Fev 16, 2017 3:18 am

4º vamos? Sim!! Domingo! Sim!!... bem e então se fossemos assim que o outro acabar de mudar o óleo?

Talvez o arrolamento mais louco até agora.

Foi um arrolamento épico!

Começou com um telefonema, era sexta-feira 08 de Março de 2013, e eu estava no café do costume com a malta do costume, quando o Flávio me telefona com a noticia que o Simon Wates tinha enviado um email para o raridades a avisar que um observador inglês tinha dado com um Corredor (Cursorius cursor)!! nas dunas da ria de Alvor!

Como em tudo, há uma escala de importância nestas coisas dos arrolamentos, e o Corredor está muito próximo do cimo da escala, logo para começar é lindo, depois tem um comportamento espetacular, e é raro! Em suma tem todas as qualidades para ser uma ave em que se vai logo.

Perante a hipótese de estar uma raridade deste calibre no Algarve, fui para casa ver o mail já que ainda não tinha smartphone.

Chegado a casa, ligo o computador E lá estava o email, um Corredor nas Dunas de Alvor, tinha sido visto por um inglês que eu não conhecia e transmitido ao Simon que tinha enviado para o raridades.

Primeira coisa a fazer? Avisar o Thijs! eu tenho o hábito de o avisar sempre que aparece uma raridade que ele precisa já que embora ele more no Algarve muitas vezes fica a saber as noticias depois de mim.

E este foi um desses casos, combinei com ele, que se ele fosse ver a ave na manha seguinte e ela lá estivesse para me dar um toque.
E depois começaram a circular sms e emails, estávamos em 2013, nessa altura não era ainda normal ir ver raridades no Algarve, o pessoal ainda não tinha essa mentalidade, e ainda não havia um grupo de pessoas que em princípio quando aparece uma boa raridade vai sempre.

Foi daqueles momentos fundadores em que a partir dai foi tudo mais fácil e simples.

Mas naquele momento era tudo difícil e pantanoso, ia-se sem a ave estar confirmada? Alguns só podiam ao sábado, mas não seria melhor esperar para ver se a ave era vista no sábado e ir depois no domingo?

E onde nas dunas tinha sido vista a ave? Será que a id estava correta? Quem levava o carro? Muitos dos que queriam ir não se conheciam pessoalmente, ou só tinham estado juntos 1-2 vezes
Havia um núcleo de 3 pessoas que em princípio iriam e depois mais 3 que poderiam ir, mas tudo estava no ar.

Como havia muitas incertezas ninguém tomou a decisão de avançar e fomos dormir, note-se que já era meia-noite…

A manha de sábado começou tranquila, dia de sol, sem sms no telemóvel, começar a arrumar a casa, e aproveitei para informar a minha esposa que no domingo podia ir a Alvor, mas que ainda estava tudo no ar.

Tinha combinado com a minha esposa irmos comprar roupa antes de irmos almoçar a casa dos meus pais, portanto como já era quase 10 tínhamos muito para fazer, e eis que o telefone toca!

Era o Thijs a avisar que estava a ver a ave… Boa!

Aviso a minha esposa que no domingo vou ao Algarve, ela diz ok, e vai tomar banho.

Nota importante: tudo o que se segue se passa com a minha esposa a tomar banho, a pensar que íamos as compras e depois almoçar a casa dos meus pais e que no domingo eu então iria a Alvor.

Telefono ao Rui Caratão, a dar as notícias e ao Flávio, para combinarmos ir no domingo!

E começa a loucura!

A ave estava lá hoje! Ninguém sabe o dia de amanha, e se a ave voasse?

Volto a telefonar ao Flávio, por ele era de ir hoje!

Telefono ao Rui, ele concorda!

Telefono ao Paulo Alves, ele está a mudar o óleo ao carro em Abrantes e não pode enquanto não acabar!

Telefono ao Frade e ao Frederico, ambos podem e o Frade leva o carro.

Telefono ao Paulo, o óleo ainda demora!

Telefono ao Rui, e equacionamos vários horários, nomeadamente se dá para esperar pelo óleo do Paulo.

Volto a telefonar ao Paulo.

A decisão é tomada!

Fica decidido ir ter com ele a Santarém, e depois ir ter com o resto do pessoal à Marateca!

E eis que a minha esposa sai do banho, pronta para ir as comprar e almoçar a casa dos meus pais, ups!

Imaginem a cena, eu a tentar explicar à minha muito muito querida esposa porque é que ela teria que ir as compras sozinha e ir almoçar a casa dos sogros também sozinha…

Ultrapassada essa pequena crise matrimonial, arranquei para Santarém onde fiquei à espera que o outro mudasse o óleo, espera, desespera, o resto do pessoal já estava a caminho da Marateca e eu ainda à espera.

O Paulo lá aparece, e arrancamos para a Marateca, onde nos reunimos com os outros, e arrancamos para Alvor.

Chegados lá, tinhamos a questão de dar com a ave, as dunas da ria de Alvor tem actualmente um passadiço em madeira, fazendo um percurso circular, mas a área ainda é grande e o Corredor pequeno, mas fomos andando, o resto do grupo foi mais rápido e ganhou alguma distancia enquanto eu que sou mais pesadote ia ficando para trás, mas ia espreitado as áreas que passava, enquanto o resto da malta parecia determinada a ir para parte incerta.

Numa das paragens vejo uma ave a mover-se a umas dezenas de metros do caminho, estava encontrado o Corredor.

https://youtu.be/6D5A467uCvw

Chamei o pessoal e rapidamente estávamos todos a ver uma das raridades mais míticas passiveis de aparecer em Portugal!
Ufa!!

Passado a excitação inicial dedicamo-nos à ave, entretanto chegaram vários algarvios, incluindo o Thijs e como tínhamos ainda um tempinho fizemos planos para irmos ver as petinhas-de-garganta-ruiva que se encontravam em Estômbar. Dito e feito, seguimos para os carros tendo no caminho cruzado caminhos com o descobridor do Corredor tendo aproveitado a oportunidade para lhe dar os parabéns!

Chegados a Estômbar com a ajuda dos “guias” rapidamente demos com as cervinus.

Uma viagem muito fixe com o forjar de relações que possibilitaram muitos arrolamentos nos anos que se seguiram.

ps: a ave ficou durante semanas e podíamos ter ido no Domingo...
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