Atlas das aves nidificantes

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Atlas das aves nidificantes

Mensagem por conspicillata em Qua Jul 08, 2015 12:19 am

A primeira época de amostragem do Atlas das aves nidificantes chegou ao fim e como algumas das questões sobre o atlas estão dispersas noutros tópicos, por isso era bom ter um tópico próprio onde o projecto possa ir sendo debatido e possam ser colocadas dúvidas, sugestões, comentários, etc.

O feedback dos observadores que contribuíram com observações, sejam elas sistemáticas ou adicionais, é sempre importante para se poder melhorar.

Aproveito para agradecer ao Gonçalo pois a ideia de iniciar este tópico surgiu em conversa com ele.

Abraços
Carlos

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Re: Atlas das aves nidificantes

Mensagem por scirpaceus em Qui Jul 09, 2015 10:43 am

O que terminou por este ano foram as visitas sistemáticas, não a recolha de informação sobre a nidificação das espécies.

Cumps

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Re: Atlas das aves nidificantes

Mensagem por conspicillata em Qui Jul 09, 2015 4:37 pm

Olá Paulo,

sim, claro tens toda a razão, era às sistemáticas que me referia. A recolha de informação de nidificação está apenas dependente de as aves nidificarem, o que em muitas espécies pode não coincidir com a altura das visitas sistemáticas.

Abraço
Carlos

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Re: Atlas das aves nidificantes

Mensagem por Paulfer em Qui Jul 09, 2015 5:13 pm

conspicillata escreveu:A recolha de informação de nidificação está apenas dependente de as aves nidificarem, o que em muitas espécies pode não coincidir com a altura das visitas sistemáticas.

Peço desculpa mas eu não vos percebi. Estão a falar de que casos?
Outra dúvida: É obrigatório o nível 16 para consideramos espécie nidificante?
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Paulfer

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Re: Atlas das aves nidificantes

Mensagem por conspicillata em Qui Jul 09, 2015 6:12 pm

Olá,

no primeiro post que coloquei disse que a época de amostragem do atlas tinha chegado ao fim, mas o mais correcto era dizer que o período de visitas sistemáticas tinha acabado - essa foi a correcção, e bem, do Paulo Tenreiro.

Isto porque existem espécies nidificam (ou podem nidificar) fora do período das visitas sistemáticas, como algumas das exóticas, ou o Cercotrichas galactotes onde é possível encontrar ninhos e juvenis em Julho, ou os cortiçois. E muitas rapinas (diurnas e nocturnas) que iniciam a época de reprodução bem antes de Março.

Quanto aos códigos de nidificação, a partir do 10 é considerada nidificação confirmada, ou seja entre o 10 e o 16 o resultado final é o mesmo.

Abraço
Carlos

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Re: Atlas das aves nidificantes

Mensagem por PNicolau em Sex Jul 10, 2015 11:15 pm

Uma dúvida:
normalmente, faço um trajecto que passa duas quadrículas diferentes, e meto a visita toda num único ponto.
No que toca a códigos de nidificação que estejam na outra quadrícula onde não está o ponto, como faço?

Pior: um dos ninhos está entre uma das duas quadrículas, e não sei qual é, e os indivíduos voam de uma para a outra...
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Re: Atlas das aves nidificantes

Mensagem por Gonçalo Elias em Sab Jul 11, 2015 12:47 am

conspicillata escreveu:
Quanto aos códigos de nidificação, a partir do 10 é considerada nidificação confirmada, ou seja entre o 10 e o 16 o resultado final é o mesmo.

sem dúvida Carlos, contudo chamo a atenção para este aspecto: a metodologia refere (página 2):

Para além dos registos sistemáticos, como o objectivo mais importante é saber quantas espécies nidificam na quadrícula e confirmar a nidificação com o código mais elevado possível

para quem não esteja dentro destas coisas isto pode ser entendido como um incentivo para "andar aos ninhos", pois o que está aqui implicitamente referido é que um código 13 ou 14 não é suficiente e que é desejável encontrar o ninho com juvenis, de modo a obter o código de nidificação máximo. Talvez valha a pena clarificar este aspecto em versões futuras da metodologia?
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Re: Atlas das aves nidificantes

Mensagem por scirpaceus em Sab Jul 11, 2015 3:04 pm


[/quote]


para quem não esteja dentro destas coisas isto pode ser entendido como um incentivo para "andar aos ninhos", pois o que está aqui implicitamente referido é que um código 13 ou 14 não é suficiente e que é desejável encontrar o ninho com juvenis, de modo a obter o código de nidificação máximo. Talvez valha a pena clarificar este aspecto em versões futuras da metodologia?[/quote]

Eu não faço esta leitura. A leitura que faço é que os observadores devem tentar obter informação sobre o comportamento nidificante no sentido de obter o valor mais elevado dentro da escala considerada, seja qual for o valor. Se existe necessidade de clarificar os observadores, devem aumentar as sessões de formação para os interessados, presenciais ou on-line. Agora complicar o manual com regras, para mim só complica o que é simples.

Cumprimentos

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Re: Atlas das aves nidificantes

Mensagem por conspicillata em Sab Jul 11, 2015 11:24 pm

Possivelmente a forma como está redigido esse parágrafo poderá dar essa interpretação, mas o objectivo não é colocar as pessoas a andar aos ninhos, mas sim tentar que na escala mais simples - nidificação possível, nid provável e nid confirmada - consigam a confirmada. Acho que a sugestão de passar essa ideia em sessões formação é boa e deve ser considerá-la.

Uma dúvida:
normalmente, faço um trajecto que passa duas quadrículas diferentes, e meto a visita toda num único ponto.
No que toca a códigos de nidificação que estejam na outra quadrícula onde não está o ponto, como faço?

Pior: um dos ninhos está entre uma das duas quadrículas, e não sei qual é, e os indivíduos voam de uma para a outra...

Não sei se esta é a melhor forma de resolver, mas a minha primeira ideia é que numa das visitas colocasses dois pontos, um em cada quadrícula, com os códigos mais elevados que observaste. Se isso baralhar a forma como costumas ter os teus dados/visitas organizados, em vez de fazeres duas listas, coloca só um ponto com as espécies para as quais tens códigos de nidificação.

O ninho no meio das duas quadrículas... o ideal era achares a espécie a nidificar nas duas Smile
se não terás de decidir e colocar numa, eventualmente naquela que achares que os adultos usam preferencialmente - mas é só um opinião.

Abraço
Carlos

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Re: Atlas das aves nidificantes

Mensagem por HL em Ter Jul 14, 2015 4:02 pm

conspicillata escreveu:O ninho no meio das duas quadrículas... o ideal era achares a espécie a nidificar nas duas Smile
se não terás de decidir e colocar numa, eventualmente naquela que achares que os adultos usam preferencialmente - mas é só um opinião.

Eu nestas questões, se o ninho está exactamente sobreposto ao limite da quadricula, tenho tendência para considerar que o(s) individuo(s) nidifica(m) nas duas quadrículas. Mas por uma questões de não sobrestimar, a opção do Carlos (uso preferencial) deve ser a mais indicada.
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Re: Atlas das aves nidificantes

Mensagem por Gonçalo Elias em Qui Jul 16, 2015 1:02 pm

Paulo Tenreiro escreveu:Eu não faço esta leitura. A leitura que faço é que os observadores devem tentar obter informação sobre o comportamento nidificante no sentido de obter o valor mais elevado dentro da escala considerada, seja qual for o valor.

Sim, Paulo, eu entendo e partilho da tua leitura. Mas creio que essa interpretação só será feita por quem esteja "dentro destas coisas".
Para observadores inexperientes que nunca tenham participado neste tipo de projectos, a leitura que sugeri pode ser a mais lógica.

Paulo Tenreiro escreveu: Se existe necessidade de clarificar os observadores, devem aumentar as sessões de formação para os interessados, presenciais ou on-line.

Totalmente de acordo quanto a isto.
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Re: Atlas das aves nidificantes

Mensagem por Paulfer em Qui Jul 16, 2015 3:09 pm

Dúvidas:
1.: Numa visita sistemática, eu tento observar e registar o maior numero de espécies na tetrada e com o maior código possível. É óbvio que não posso ''andar aos ninhos'' na sistemática pois iria perder muito tempo.
É possível eu não encontrar códigos superiores a 10 ou até mesmo 1. Mas conhecendo o local sei que há nidificação de espécies. Para isso existem as não sistemáticas, certo?

2.: Houve divulgação e preocupação para a conclusão das visitas sistemáticas, e então as não sistemáticas? Eu como voluntário ''penso'' que o meu trabalho já está feito. E está?

3.:O mais importante é a quadricula e não a tetrada?

4.: exemplo (não sei se se é verdade), na ''minha'' quadricula não há nidificação de qualquer espécie pois não tenho códigos superiores a 10. Como vai ser feito?
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Re: Atlas das aves nidificantes

Mensagem por Gonçalo Elias em Qui Jul 16, 2015 10:23 pm

Olá Paulo,

As questões que levantas são muito pertinentes.

Deixo aqui a minha opinião sobre as mesmas (trata-se de uma opinião pessoal, já que não estou ligado à equipa de projecto).

Paulfer escreveu:1.: Numa visita sistemática, eu tento observar e registar o maior numero de espécies na tetrada e com o maior código possível. É óbvio que não posso ''andar aos ninhos'' na sistemática pois iria perder muito tempo.

Em minha opinião, no caso de espécies muito comuns, é uma perda de tempo estar a investir em confirmações de nidificação.
Para ilustrar o meu ponto, tomemos como exemplo o melro-preto. A estimativa populacional para esta espécie em Portugal, dada pelo primeiro atlas de nidificantes, que foi publicado em 1989, aponta para mais de um milhão de casais. O país tem 1000 quadrículas, o que dá uma média de 1000 casais por quadrícula, ou seja 10 casais por km2. Com números destes, é mais do que evidente que a espécie deverá nidificar em todas as quadrículas do país (ou quase). A confirmação efectiva não traz qualquer valor acrescentado ao nosso conhecimento sobre a distribuição espécie e não justifica o tempo despendido.
Claro que “é giro” ter mais confirmações no mapa de melro, mas em termos de conhecimento sobre a espécie isso não significa rigorosamente nada. O mesmo princípio se aplica a outras espécies comuns, como pintassilgos, chapins, gralhas, pombos-torcazes, poupas, patos-reais, fuinhas-dos-juncos, rouxinóis, andorinhas, pardais e quejandos.
Este raciocínio não se aplica, contudo, a espécie muito escassas ou coloniais (ver abaixo no ponto 4).

Paulfer escreveu:É possível eu não encontrar códigos superiores a 10 ou até mesmo 1. Mas conhecendo o local sei que há nidificação de espécies. Para isso existem as não sistemáticas, certo?

Concordo em parte. Em minha opinião, as visitas não sistemáticas devem destinar-se prioritariamente a detectar espécies que não foram observadas nas visitas sistemáticas, nomeadamente aquáticas, coloniais, nocturnas ou espécies de distribuição muito localizada, isto de modo a permitir que os mapas de distribuição tenham menos buracos.
Para efeito do nosso conhecimento sobre as espécies, considero preferível que os mapas tenham menos buracos e menos confirmações do que mais buracos e mais confirmações (por “buracos” entenda-se falhas na distribuição como resultado de uma cobertura deficiente). Ou seja, considero mais útil investir o tempo disponível a completar as distribuições do que a procurar obter confirmações.

Paulfer escreveu:2.: Houve divulgação e preocupação para a conclusão das visitas sistemáticas, e então as não sistemáticas? Eu como voluntário ''penso'' que o meu trabalho já está feito. E está?

No segundo atlas (1999-2005) havia uma recomendação  no sentido de se investir nas visitas não sistemáticas, justamente com o objectivo de detectar novas espécies.
Na prática, o que se verificou é que a maioria dos colaboradores não fez qualquer visita não sistemática (posso afirmá-lo porque fui organizador regional no segundo atlas e por isso recebia directamente as fichas de muitos colaboradores). O resultado foi que muitos mapas de distribuição ficaram incompletos, como resultado de não ter sido feita uma busca direccionada a espécies menos abundantes.
Em minha opinião, tanto no atlas anterior como no actual houve um enfoque muito grande na componente sistemática, o que de certa forma “subvaloriza” a parte não sistemática, cujo objectivo poderá não ficar muito claro, nomeadamente para quem tenha pouca experiência neste tipo de projectos.

Paulfer escreveu:3.:O mais importante é a quadricula e não a tetrada?

No já mencionado segundo atlas a lógica era esta:
- a presença nas quadrículas era usada para os mapas de distribuição
- a informação das tétradas era usada para elaborar os mapas de abundância, de acordo com o método frequencial (não era necessário contar as aves, mas apenas assinalar as tétradas em que ocorria, partindo-se do princípio de que se uma ave ocorre em mais tétradas, é porque é mais abundante na quadrícula). Os mapas de distribuição obtidos reflectem isso mesmo.
No actual atlas é necessário contar todas as aves, contudo também é necessário visitar 6 tétradas. Não tenho a certeza se neste projecto a informação que vai ser usada é a do número de indivíduos (caso em que não seria necessário visitar 6 tétradas, mas apenas realizar 6 percursos), ou se é a do número de tétradas (caso em que não seria necessário contar as aves). De qualquer forma, daquilo que sei do actual projecto parece-me que a informação das tétradas serve unicamente para a componente quantitativa.
Note-se que a informação quantitativa (isto é, as contagens efectuadas nas tétradas) só é relevante para as espécies comuns (no caso das espécies pouco comuns, a informação quantitativa é geralmente insuficiente para elaborar mapas de abundância e por isso apenas é produzido o mapa de distribuição).

Paulfer escreveu:4.: exemplo (não sei se se é verdade), na ''minha'' quadricula não há nidificação de qualquer espécie pois não tenho códigos superiores a 10. Como vai ser feito?

Como referi acima, no caso de espécies comuns sou da opinião de que as confirmações não são relevantes.
A situação é muito diferente no caso de espécies pouco comuns (como águias-de-bonelli, abutre-do-egipto, abetarda ou chasco-preto) ou coloniais (como garça-nocturna, colhereiro, cagarra, gaivota-de-audouin), ou que apareçam fora da área de distribuição conhecida – neste casos, as confirmações são extremamente relevantes.
No entanto, creio que, tal como no segundo atlas, a maioria destas espécies, nomeadamente as rapinas rupícolas, as coloniais e a maior parte das aquáticas deverá ser alvo de censos dirigidos, isto é, haverá observadores que percorrerão o país com o propósito de recensear estas espécies. Isto não quer dizer que não possa haver casais que escapam aos censos, por isso se na tua quadrícula suspeitares que uma determinada espécie muito escassa esteja a nidificar, a confirmação de nidificação pode ser um dado interessante.
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Re: Atlas das aves nidificantes

Mensagem por Paulfer em Sex Jul 17, 2015 11:11 am

Gonçalo,
Obrigado pela tua opinião pessoal, ajuda-me a perceber o esquema de construção do atlas. Era o que me estava a faltar e que me deixava bastante confuso.
Uma formaçãozita não se perdia nada. Agora vejo que podia ter feito as coisas um bocado diferente
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Paulfer

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Re: Atlas das aves nidificantes

Mensagem por conspicillata em Sex Jul 17, 2015 2:26 pm

Olá,

as questões são realmente importantes e vou dar também a minha opinião pessoal. Apesar de estar envolvido no atlas, e de por vezes as coisas se misturaram, a minha opinião no forum é principalmente do ponto de vista de um observador de aves.

1. A visita sistemática permite, na maioria dos casos, a recolha de informação de presença/abundância das espécies mais comuns, ou outras que não sendo comuns estão muito condicionadas pela presença de determinado habitat e caso esse habitat seja visitado iremos observá-las. Para muitas espécies os códigos de nidificação nas sistemáticas não são elevados, mas não deixa de ser frequente ver aves com alimento, paradas nupciais e mesmo alguns ninhos ou locais onde provavelmente existe um ninho. E alguns dos critérios de nidificação provável revelam evidências muito fortes, para algumas espécies, de elas estarem a nidificar.

2. As não sistemáticas ou adicionais são fundamentais para o sucesso de um atlas. Com mais visitas é possível encontrar espécies que não foram detectadas nas sistemáticas e como passamos mais tempo na quadrícula é um pouco inevitável que iremos recolher dados de códigos de nidificação mais elevados para as espécies mais comuns. Isto é facilmente visível para os locais que são mais interessantes para observar aves, ou onde existam projectos de investigação a correr, que têm mais pessoas no campo durante mais tempo e consequentemente as áreas são melhor prospectadas. O problema coloca-se em quadrículas onde dificilmente irá alguém, e onde é difícil arranjar observadores para sistemáticas quanto mais para fazer visitas adicionais. Infelizmente é comum haver casos desses ficando a faltar informação para algumas espécies.

3. Existe algures a nota de que são aceites (nem fazia sentido de outra forma) registos de nidificação fora do período de visitas sistemáticas. Assim toda essa informação é fundamental e portanto o trabalho nunca está acabado Very Happy . Se calhar é um ponto que merece ser reforçado e divulgado em acções de formação.

4. A informação do atlas será à escala da quadrícula, contudo toda a informação que esteja a uma escala mais fina (tetrada) pode permitir fazer análises com mais detalhe (p. Ex. Estimativas populacionais, relações com habitat, modelação, etc.). Até porque o trabalho de campo é exigente e portanto (na minha opinião) toda a informação que for possível recolher o deve ser. Estes dados, e pensando no evoluir das plataformas online, irão ficar disponíveis para as gerações futuras, e se calhar daqui a 50 anos quando mais detalhe existir nos registos melhor. Por exemplo a população de espécies muito comuns hoje pode evoluir noutro sentido, e se existirem os dados a escalas mais finas será sempre melhor.

Abraço
Carlos

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Re: Atlas das aves nidificantes

Mensagem por LuisMM em Sex Jul 17, 2015 4:02 pm

Quando se fazem visitas não sistemáticas, fora da época das visitas sistemáticas, contam apenas para o atlas as espécies cujo código de nidificação seja igual ou superior a 8 (nidificação confirmada) ou entram todas as aves que tenham 1 código reprodutor associado?

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Re: Atlas das aves nidificantes

Mensagem por conspicillata em Seg Jul 20, 2015 11:53 am

Como há espécies cujos períodos de nidificação são mais abrangentes que o das visitas sistemáticas, todos os registos que tenham código reprodutor associado serão vistos com detalhe. Para registos fora da Primavera (de grosso modo) serão considerados os códigos mais elevados.

abraço
Carlos

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Re: Atlas das aves nidificantes

Mensagem por Gonçalo Elias em Seg Jul 20, 2015 5:17 pm

conspicillata escreveu:Como há espécies cujos períodos de nidificação são mais abrangentes que o das visitas sistemáticas, todos os registos que tenham código reprodutor associado serão vistos com detalhe. Para registos fora da Primavera (de grosso modo) serão considerados os códigos mais elevados.

abraço
Carlos

Creio que no atlas anterior o critério era parecido: no caso de confirmações supostamente eram aceites registos em qualquer época do ano (na prática não sei como foram depois processados esses registos).
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Re: Atlas das aves nidificantes

Mensagem por LuisMM em Seg Jul 20, 2015 5:40 pm

conspicillata escreveu:Como há espécies cujos períodos de nidificação são mais abrangentes que o das visitas sistemáticas, todos os registos que tenham código reprodutor associado serão vistos com detalhe. Para registos fora da Primavera (de grosso modo) serão considerados os códigos mais elevados.

abraço
Carlos

Obrigado
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Re: Atlas das aves nidificantes

Mensagem por Gonçalo Elias em Qua Fev 17, 2016 7:38 pm

Alguns resultados do primeiro ano estão disponíveis para consulta aqui:
http://www.spea.pt/pt/noticias/iii-atlas-das-aves-nidificantes-de-portugal-2015-2018/
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Re: Atlas das aves nidificantes

Mensagem por pedro121 em Qua Fev 17, 2016 8:36 pm

Gonçalo Elias escreveu:Alguns resultados do primeiro ano estão disponíveis para consulta aqui:
http://www.spea.pt/pt/noticias/iii-atlas-das-aves-nidificantes-de-portugal-2015-2018/

Qual será a diferença entre uma quadricula estar incompleta e ter sido vista apenas numa volta? suponho que faltam tetradas no 1º caso, mas teve duas visitas.

É surpreendente os buracos nalgumas zonas, especialmente no alentejo.
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Re: Atlas das aves nidificantes

Mensagem por Gonçalo Elias em Qua Fev 17, 2016 8:54 pm

pedro121 escreveu:Qual será a diferença entre uma quadricula estar incompleta e ter sido vista apenas numa volta? suponho que faltam tetradas no 1º caso, mas teve duas visitas.

também não sei...

pedro121 escreveu:É surpreendente os buracos nalgumas zonas, especialmente no alentejo.

Este efeito é habitual, já se registou no atlas anterior, as pessoas preferem quadrículas ao pé de casa e portanto o mapa reflecte em boa medida a distribuição dos observadores.
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Re: Atlas das aves nidificantes

Mensagem por João Tomás em Qua Fev 17, 2016 9:06 pm

Gonçalo Elias escreveu:Este efeito é habitual, já se registou no atlas anterior, as pessoas preferem quadrículas ao pé de casa e portanto o mapa reflecte em boa medida a distribuição dos observadores.

Perfeitamente normal tendo em conta a crise que vivemos e o facto de não haver apoios para a "gasosa".
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Re: Atlas das aves nidificantes

Mensagem por Gonçalo Elias em Qua Fev 17, 2016 9:21 pm

João Tomás escreveu:
Gonçalo Elias escreveu:Este efeito é habitual, já se registou no atlas anterior, as pessoas preferem quadrículas ao pé de casa e portanto o mapa reflecte em boa medida a distribuição dos observadores.

Perfeitamente normal tendo em conta a crise que vivemos e o facto de não haver apoios para a "gasosa".

João, essa é a explicação mais intuitiva, mas não creio que seja assim tão simples.

No atlas anterior (1999-2005) havia muito apoio monetário não apenas para deslocações, mas também para portagens, alojamento e alimentação. Os valores disponíveis para pagamento de despesas eram realmente elevados (mais de 250 euros por quadrícula - sim, leste bem, duzentos e cinquenta euros para cada quadrícula, o que correspondia a cerca de 125 euros para cada volta) e no entanto o padrão de visitação registado era muito parecido com este. Ou seja, mesmo com as despesas pagas, não havia muitas pessoas disponíveis para ir fazer visitas de atlas em zonas longe de casa.

Em minha opinião o que conduz a este padrão não é (apenas) uma questão de dinheiro.
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Re: Atlas das aves nidificantes

Mensagem por João Tomás em Qua Fev 17, 2016 9:32 pm

Gonçalo Elias escreveu:João, essa é a explicação mais intuitiva, mas não creio que seja assim tão simples.

No atlas anterior (1999-2005) havia muito apoio monetário não apenas para deslocações, mas também para portagens, alojamento e alimentação. Os valores disponíveis para pagamento de despesas eram realmente elevados (mais de 250 euros por quadrícula - sim, leste bem, duzentos e cinquenta euros para cada quadrícula, o que correspondia a cerca de 125 euros para cada volta) e no entanto o padrão de visitação registado era muito parecido com este. Ou seja, mesmo com as despesas pagas, não havia muitas pessoas disponíveis para ir fazer visitas de atlas em zonas longe de casa.

Em minha opinião o que conduz a este padrão não é (apenas) uma questão de dinheiro.

Percebo o que dizes... e concordo! Claro que a questão disponibilidade também é um factor limitante a ter em conta, entre outros! Eu falo por mim, caso houvesse apoios como houve no anterior (acho um pouco elevado o valor por quadrícula) eu talvez tentaria cobrir as quadrículas mais para leste de Vila Real. É que uma coisa é no litoral onde existem estradas por todo o lado, outra coisa é o interior em que para fazer meias dúzia de kms temos montes e montes para precorrer!
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Re: Atlas das aves nidificantes

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