ESPÉCIE: Cruza-bico (Loxia curvirostra)

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Re: ESPÉCIE: Cruza-bico (Loxia curvirostra)

Mensagem por Gilberto Pinelas em Qua Fev 01, 2017 9:15 am

Paulo Lemos escreveu:
Gilberto Pinelas escreveu:
Costumavam preferir os “Pinus halepensis” com pinhas alongadas e com fruto pequeno.

O primeiro que vi na vida, estava exactamente nessa espécie de Pinus, junto portão do "antigo" ciclo nos espaços verdes, ao lado da secundária Rafael Bordalo Pinheiro (onde eu tinha aulas na altura).

Hoje dei uma volta pela zona costeira para confirmar se já havia narcejas-galegas "em mato" (não), e se de facto as pinhas do P. pinaster parecem mais maneirinhas junto ao mar (sim).

Esta é outra situação que já presenciei...
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Re: ESPÉCIE: Cruza-bico (Loxia curvirostra)

Mensagem por Paulo Lemos em Qua Fev 01, 2017 9:53 am

Era caçador?
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Re: ESPÉCIE: Cruza-bico (Loxia curvirostra)

Mensagem por Gonçalo Elias em Qua Fev 01, 2017 10:52 am

Gilberto Pinelas escreveu:Em relação aos registos podes dar-me um exemplo mais concreto daquilo que pretendes?

Estava a perguntar-te se por acaso terias registado datas, locais e quantidades.

Gilberto Pinelas escreveu:Os registos que tenho são apenas de memória.

É melhor que nada, mas a memória por vezes prega-nos partidas (que em casos como este se pode traduzir em informação imprecisa), daí que eu considere relevante o facto de os registos ficarem registados. Desde há 30 anos que registo sempre as aves todas que vejo (data, local, espécies e por vezes anotações sobre o número de indivíduos, o habitat ou outros aspectos relevantes). Bem, todas todas não, se eu for simplesmente a passar no jardim e vir lá um melro aos saltos, provavelmente não escrevo Smile

Gilberto Pinelas escreveu:Eram outros tempos, outros princípios e outras sensibilidades se sobrepunham… Raros eram aqueles que, como tu, abraçavam um desafio destes, esta caminhada em prol de uma causa.

De acordo, embora eu não tenha começado a escrever as minhas observações motivado por qualquer "causa", e sim movido pelo simples desejo de sistematizar e organizar as minhas observações.

Gilberto Pinelas escreveu:Outra coisa: não sei se te recordas ou se alguém te disse, mas quando o hipermercado Jumbo de Cascais foi inaugurado em 1973, fazia parte integrante dele uma “petshop”. Nessa mesma loja, á semelhança de pintassilgos, lugres, verdilhões, chamarizes, etc, muitos cruza-bicos foram vendidos todos os anos por meia dúzia de escudos

Gilberto eu não tenho quaisquer dúvidas sobre aquilo que descreves, aliás nos anos 90 (anos das invasões) houve apreensões de cruza-bicos e outros fringilídeos feitos numa feira do concelho (se não foi em Cascais foi em Carcavelos). Apenas queria perceber melhor a parte que marquei a negrito ("todos os anos"). Queria perceber se era realmente todos os anos e foi precisamente por isso que perguntei se por acaso terias registos mais detalhados Wink
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Re: ESPÉCIE: Cruza-bico (Loxia curvirostra)

Mensagem por João Tomás em Qua Fev 01, 2017 11:06 am

pedro121 escreveu:Nota que ninguém discute que na década de 90 havia cruza-bicos por todo o lado, houve grandes influxos nessa altura. Desde então os influxos foram muito mais pequenos, e nos ultimos anos na zona da grande Lisboa a maior parte dos avistamentos diz respeito a aves isoladas ou pequenos bandos.

Gilberto nunca dúvidei dos factos que apresenta Smile estou na mesma posição que a restante malta que está para aqui a falar! Nada a opor x)
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Re: ESPÉCIE: Cruza-bico (Loxia curvirostra)

Mensagem por Paulo Lemos em Qua Fev 01, 2017 2:03 pm

Quer dizer então que, em "Cascais", as aves eram observadas só no Outono inverno, certo?

No caso dos Loxia, assim de cabeça não me lembro das datas das observações, mas é possível datar se for importante. Tenho quase sempre referências e até filmei uma das vezes a espécie, nos jardins do hospital das Caldas (portanto até provas há).
Costumo sobretudo fazer de memória uma compilação progressiva das minhas observações (mesmo que esqueça as datas rigorosas depois, ou as deixe inacessíveis e desorganizadas) e tenho sempre cada espécie presente numa "noção" mais generalista, que pode ser complementada por informação de outrem ou conhecimento publicado, para depois ser seguida mais a sério, se necessário (relacionando uma complexidade de outras espécies e sua ecologia) ou consultando melhor eventuais dados que tenha. Normalmente não falho por muito uma boa hipótese ou até conclusão, se quero dar a partir daí atenção mais focada a alguma espécie.
Por isso mesmo, acho que há "algo mais" sobre esta espécie em PT (a Sul), que será possível averiguar ainda hoje em dia , mesmo sem grande influxo de migradores ou seja lá o que forem de norte (na sua totalidade ou não).

Seria para pensar melhor e até "cuscar" este ano, mas... uff.. já são coisas demais.
Para que nada fique fora do papel ou para trás, um dia contrato uma secretária e talvez dê para mais What a Face ...
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Re: ESPÉCIE: Cruza-bico (Loxia curvirostra)

Mensagem por Gilberto Pinelas em Qui Fev 02, 2017 1:42 am

Paulo Lemos escreveu:Era caçador?

Sim, fui caçador de caça menor.
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Re: ESPÉCIE: Cruza-bico (Loxia curvirostra)

Mensagem por Gilberto Pinelas em Qui Fev 02, 2017 1:44 am

João Tomás escreveu:
pedro121 escreveu:Nota que ninguém discute que na década de 90 havia cruza-bicos por todo o lado, houve grandes influxos nessa altura. Desde então os influxos foram muito mais pequenos, e nos ultimos anos na zona da grande Lisboa a maior parte dos avistamentos diz respeito a aves isoladas ou pequenos bandos.

Gilberto nunca dúvidei dos factos que apresenta Smile estou na mesma posição que a restante malta que está para aqui a falar! Nada a opor x)

Eu sei Tomás, fica tranquilo. Very Happy
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Re: ESPÉCIE: Cruza-bico (Loxia curvirostra)

Mensagem por Gilberto Pinelas em Qui Fev 02, 2017 1:51 am

Paulo Lemos escreveu:Quer dizer então que, em "Cascais", as aves eram observadas só no Outono inverno, certo?

No caso dos Loxia, assim de cabeça não me lembro das datas das observações, mas é possível datar se for importante. Tenho quase sempre referências e até filmei uma das vezes a espécie, nos jardins do hospital das Caldas (portanto até provas há).
Costumo sobretudo fazer de memória uma compilação progressiva das minhas observações (mesmo que esqueça as datas rigorosas depois, ou as deixe inacessíveis e desorganizadas) e tenho sempre cada espécie presente numa "noção" mais generalista, que pode ser complementada por informação de outrem ou conhecimento publicado, para depois ser seguida mais a sério, se necessário (relacionando uma complexidade de outras espécies e sua ecologia) ou consultando melhor eventuais dados que tenha. Normalmente não falho por muito uma boa hipótese ou até conclusão, se quero dar a partir daí atenção mais focada a alguma espécie.
Por isso mesmo, acho que há "algo mais" sobre esta espécie em PT (a Sul), que será possível averiguar ainda hoje em dia , mesmo sem grande influxo de migradores ou seja lá o que forem de norte (na sua totalidade ou não).

Seria para pensar melhor e até "cuscar" este ano, mas... uff.. já são coisas demais.
Para que nada fique fora do papel ou para trás, um dia contrato uma secretária e talvez dê para mais What a Face ...

Sim, Paulo, eram observadas nesse período que refere. Nunca as vi, excepto em cativeiro, para além desse período.
Sim, é bem provável que esta espécie não tenha a devida atenção e que nos escape ainda muita coisa acerca dela. Quanto ao resto, uma secretária é capaz de ser uma boa opção. Very Happy
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Re: ESPÉCIE: Cruza-bico (Loxia curvirostra)

Mensagem por Paulo Lemos em Qui Fev 02, 2017 3:26 am

Pois, o que diverge das minhas observações que são sobretudo do fim do Verão.

Excepto a maior conservação que já vi, na minha opinião apenas porque as aves foram se acumulando muito gradualmente desde fins de Julho). Entre milhares de aves granívoras presentes num campo de girassol (!!!) acumularam-se umas dezenas de cruza-bicos ao longo do fim do Verão, Outono, inverno e inicio da primavera.
Quando a caça à rola começou a 15Ago (quando fui "controlar" se os caçadores matavam também cruza-bicos), já cá andavam alguns sobre girassol. A espécie só partiu de vez, quando por fim limpou até as exóticas locais de sementes. Criaram pelo menos 2 casais bem antes do inverno, passou-se o inverno com alguns presentes e foram-se "de mansinho" até inicio de Março, inclusive.

Uma secretária e um cofre seguro também dava jeito silent .

Há bocado perguntei se foi caçador, porque se bem me recordo, já tinha sugerido que sim e porque só mesmo um para frequentar os melhores locais que conheço para as narcejas-galegas em matagal. A não ser que muito pontualmente alguém estude flora ou entomologia, ou goste de andar em terreno complicados (agora até há uma moda praí virada).
A maioria dos caçadores que conheço, tem sempre grandes historias e eu acredito em muitas.
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Re: ESPÉCIE: Cruza-bico (Loxia curvirostra)

Mensagem por Gilberto Pinelas em Qui Fev 02, 2017 11:45 am

Pois, acredito, mas no meu concelho há muito tempo que a agricultura deu lugar aos campos e golf e a alguns dos condomínios mais caros do país, destruindo em grande parte a paisagem natural e bravia de outrora. Aliás, pelo que conta, á semelhança do que vem acontecendo no seu concelho. Mesmo assim, por força da criação do Parque Natural Sintra Cascais, ainda se conseguiu preservar alguma coisa, permitindo que uma parte da mancha de “Pinus halepensis” de outrora se mantenha e dê guarida a determinadas espécies onde se incluem os cruza-bicos. Até quando? Bom, eu espero bem que não, mas parece-me que até a construção civil tomar novamente conta do concelho, sobretudo, nalguns espaços verdes bem próximos de mim, como me parece estar a acontecer.

Presenciei apenas uma vez essa situação, mas eram comuns e se havia alguma galega misturada, não deu para perceber porque eram dezenas delas. Foi num pinhal em terreno arenoso e com mato rasteiro disperso na Herdade de Arapouco em Arez…

Sim, tenho imensas histórias nessa condição. Desde observar um bufo real (Outeiro da Cabeça) pousado numa pernada de eucalipto á espera das javalinas com as suas proles para tentar roubar um bacorinho/listado… muitas, mesmo!
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Re: ESPÉCIE: Cruza-bico (Loxia curvirostra)

Mensagem por Gonçalo Elias em Qui Fev 02, 2017 3:45 pm

Gilberto Pinelas escreveu:Mesmo assim, por força da criação do Parque Natural Sintra Cascais, ainda se conseguiu preservar alguma coisa, permitindo que uma parte da mancha de “Pinus halepensis” de outrora se mantenha

Eu gostaria de acreditar que o PNSC serviu para preservar alguma coisa da vegetação nativa... Rolling Eyes

O Pinus halepensis é uma espécie introduzida em Portugal.
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Re: ESPÉCIE: Cruza-bico (Loxia curvirostra)

Mensagem por Paulo Lemos em Qui Fev 02, 2017 4:13 pm

Gilberto Pinelas escreveu:
bufo real (Outeiro da Cabeça) pousado numa pernada de eucalipto á espera das javalinas com as suas proles para tentar roubar um bacorinho/listado… muitas, mesmo!

A melhor dessa espécie é actual: ela sabe, em várias regiões do país, reconhecer as diferentes formas de contentores do lixo para capturar ratazanas. Há anos que o faz em localidades ou nos subúrbios.
As presas costumam ser devoradas no local e só ficam as tripas.
Um deles ia ficando debaixo do meu carro, de tão pesado que levantou voo. Pensava eu que era um cão sentado à beira da estrada...
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Re: ESPÉCIE: Cruza-bico (Loxia curvirostra)

Mensagem por Gilberto Pinelas em Sex Fev 03, 2017 3:57 am

Paulo Lemos escreveu:
Gilberto Pinelas escreveu:
bufo real (Outeiro da Cabeça) pousado numa pernada de eucalipto á espera das javalinas com as suas proles para tentar roubar um bacorinho/listado… muitas, mesmo!

A melhor dessa espécie é actual: ela sabe, em várias regiões do país, reconhecer as diferentes formas de contentores do lixo para capturar ratazanas. Há anos que o faz em localidades ou nos subúrbios.
As presas costumam ser devoradas no local e só ficam as tripas.
Um deles ia ficando debaixo do meu carro, de tão pesado que levantou voo. Pensava eu que era um cão sentado à beira da estrada...

Pois, começo a acreditar…

Vou contar-lhe uma “coisa” que só partilhei com uma pessoa até hoje por ter as minhas dúvidas: há cerca de 4 anos, um vigilante que fazia a ronda da noite no nosso espaço, no nosso parque, sabendo do meu interesse por aves, disse-me que, durante uma dessas rondas noturnas, tinha visto uma ave enorme que parecia uma coruja, pousada numa pilha de paletes que temos num canto do nosso recinto. Confesso que não acreditei na sua narrativa e que esta seria apenas consequência do seu imaginário fértil, quiçá para me agradar. Passado um tempo, não muito, recordo-me que voltou com a mesma história dizendo que tinha visto a mesma ave agora noutro local, mais concretamente junto ao canil que temos para os nossos cães adotados. Surpreendido por ter voltado “á carga”, levei-o ao meu gabinete e mostrei-lhe umas fotos de bufo real para que pudesse confirmar exatamente o que tinha visto. Bingo! Jurou a pés juntos que de facto a ave era a que tinha visto nas duas ocasiões. Pergunto:

Será possível no centro da Reboleira, às portas de Lisboa, acontecer isto?
A ser verdade, será que as ratazanas que vinham ao canil para roubar a comida dos cães foram o motivo para a sua aparição neste local?

Ps: Peço desculpa para estar a fugir ao tema do tópico…

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Re: ESPÉCIE: Cruza-bico (Loxia curvirostra)

Mensagem por Paulo Lemos em Sex Fev 03, 2017 4:39 am

Mais do que possível, é provável. Vejo-os nesse tipo de comportamento há tempos.
Já tenho dito algumas vezes: os grandes/médios predadores terão cada vez melhor oportunidade mais junto às grandes cidades, até talvez mais do que nas ditas áreas protegidas longe da civilização. O bufo-real está no topo da lista.
Julgo que já era tempo de os haver por Lisboa (não haverá?!). Não sei como a espécie se daria com os cabos aéreos, mas de resto tem lá tudo.
Bem... depende também do tipo de venenos com que matam as ratazanas.

Quanto aos cães, no Oeste os corvus corax por exemplo, roubam comida aos acorrentados em espaço aberto e quintais. Fazem-no com muita arte, bem como as raposas, ginetos e saca-rabos.
Se há ratazanas no canil, e bufo real por perto, é garantido que recebe a sua visita durante a noite. De dia será pouco provável.
Os bufos, bem como outras nocturnas, perdem a timidez durante a noite. Alem disso, a caça já não os "selecciona" e isso vai se intensificando, pois cada vez mais noto indícios de agressividade contra mim, quando ando por aí de noite.
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Re: ESPÉCIE: Cruza-bico (Loxia curvirostra)

Mensagem por Gilberto Pinelas em Sex Fev 03, 2017 5:07 am


Pois, acredito no que diz.
As ratazanas desapareceram porque a empresa contratou uma empresa especializada em desinfestações, o que, me parece não ser compatível com a sua permanência atual neste local. O que temos aqui e agora são peneireiros e também já tivemos o privilégio da visita de um peregrino...
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Re: ESPÉCIE: Cruza-bico (Loxia curvirostra)

Mensagem por pedro121 em Sex Fev 03, 2017 7:04 am

Paulo Lemos escreveu:Alem disso, a caça já não os "selecciona" e isso vai se intensificando, pois cada vez mais noto indícios de agressividade contra mim, quando ando por aí de noite.

Noto uma tristeza com isso?
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Re: ESPÉCIE: Cruza-bico (Loxia curvirostra)

Mensagem por Gilberto Pinelas em Sex Fev 03, 2017 7:47 am

Gonçalo Elias escreveu:
Gilberto Pinelas escreveu:Mesmo assim, por força da criação do Parque Natural Sintra Cascais, ainda se conseguiu preservar alguma coisa, permitindo que uma parte da mancha de “Pinus halepensis” de outrora se mantenha

Eu gostaria de acreditar que o PNSC serviu para preservar alguma coisa da vegetação nativa...  Rolling Eyes

O Pinus halepensis é uma espécie introduzida em Portugal.

Gonçalo, mesmo assim, com todas as lacunas/deficiências que possam existir no seu seio, que existem, muitas, não sei se seria melhor não existir esta área semi-protegida, sobretudo, das investidas da construção civil. É minha convicção que, não fosse a criação do PNSC, pouco ou nada restaria da mancha florestal existente outrora. Ainda assim, com este protecionismo vendável, diga-se também em abono da verdade, estou convicto que é melhor do que nada. Se assim não fosse, há muito tempo que, desde o topo Norte do “Abano” (Praia da Grota), passando pelo “Guincho” (zona dunar) até ao topo Sul dos “Oitavos” estaria tudo ou quase tudo urbanizado…
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Re: ESPÉCIE: Cruza-bico (Loxia curvirostra)

Mensagem por Paulo Lemos em Sex Fev 03, 2017 8:02 am

pedro121 escreveu:
Paulo Lemos escreveu:Alem disso, a caça já não os "selecciona" e isso vai se intensificando, pois cada vez mais noto indícios de agressividade contra mim, quando ando por aí de noite.

Noto uma tristeza com isso?

Não estou nada triste com o facto de a caça não os "seleccionar" (quis dizer em termos de timidez). Especialmente porque essa actividade e o "mito" do controlo de predadores, são péssimos como factor de "selecção" e interferem muito negativamente, por vezes até intensificando os problemas que pressupõem "corrigir".

Podia estar mais triste, com o facto de a espécie depender muito de ratazanas no período invernal, e talvez por isso sobrevivam e se concentrem mais exemplares numa região. Essa situação, outras presas menos comuns é que poderão ver como menos feliz. Não me refiro a coelhos, pois esses estão bem adaptados a flutuações importantes, por serem presas preferenciais de muitos animais. Mas há aves, outros mamíferos, etc., nos nossos campos, mais vulneráveis à crescente densidade ou versatilidade de bufo real, que a meu ver é culpa das ratazanas e dos factores que as promovem na natureza e nos meios urbanos (e como se lê por aqui, elas são capturadas em qualquer lugar onde estão disponíveis).
Pelo que percebo, muitas rapinas nocturnas afastam-se dos seus locais pernoita e nidificação para caçar.
Não sei quão importante pode ser a ratazana no reforço da dieta ou como presa garantida, mas tenho-a visto como presa regular.

Quanto a notar a espécie agressiva, tristeza não tenho também. Será mais "um certo receio" durante a noite, perto dos locais de cria, pois não tenho experiência com a espécie e não sei o que esperar. Durante a noite sou seguido "de nariz encostado" por raposas, ginetos e corujas... algumas delas necessitam de constantes "chega para lá" e mesmo assim não resulta, estão sempre a querer testar-me. Felizmente são animais pequenos...
O bufo é uma ave grande, bem armada, que não se sente aproximar-se. E tal como disse, pouco tímida durante esse período. Conheço 2 casos em que as aves não tímidas até durante o dia (permanecem pousadas num pinheiro e podemos passar por baixo, sem que sequer olhem para nós). Portanto, vamos ver...

O bufo real não parece uma ave perigosa. Eu é que poderei abusar da sua tolerância, no sitio errado e na altura errada Wink Já fui atacado por outras estrigiformes, no que não passou de menos avisos (voos rasantes e ameaças vocais a curta distancia), portanto é tudo muito previsível.
Só conheço um caso com gravidade que envolveu um bufo-real. A ave em questão era mesmo bera (vi-a ao vivo), mas proveniente de cativeiro, usada como reprodutora no programa de reintrodução da espécie na Alemanha. Alguém teve a infelicidade de a colocar em liberdade também, resultando em danos sérios em pessoas e animais de estimação. Mas tal não aconteceria com uma ave selvagem.
Segundo me parece, o programa de reintrodução na Alemanha foi também acompanhado pela avaliação de impacto da espécie sobre outras raras.
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Re: ESPÉCIE: Cruza-bico (Loxia curvirostra)

Mensagem por Gilberto Pinelas em Sex Fev 03, 2017 8:54 am

Citação:

"... Especialmente porque essa atividade e o "mito" do controlo de predadores, são péssimos como factor de "selecção" e interferem muito negativamente, por vezes até intensificando os problemas que pressupõem "corrigir"..."

Concordo plenamente!
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Re: ESPÉCIE: Cruza-bico (Loxia curvirostra)

Mensagem por Gonçalo Elias em Sex Fev 03, 2017 9:06 am

Gilberto Pinelas escreveu:Gonçalo, mesmo assim, com todas as lacunas/deficiências que possam existir no seu seio, que existem, muitas, não sei se seria melhor não existir esta área semi-protegida, sobretudo, das investidas da construção civil. É minha convicção que, não fosse a criação do PNSC, pouco ou nada restaria da mancha florestal existente outrora. Ainda assim, com este protecionismo vendável, diga-se também em abono da verdade, estou convicto que é melhor do que nada. Se assim não fosse, há muito tempo que, desde o topo Norte do “Abano” (Praia da Grota), passando pelo “Guincho” (zona dunar) até ao topo Sul dos “Oitavos” estaria tudo ou quase tudo urbanizado…

Para prevenir a urbanização existem outros instrumentos legais (os PDM e o POOC, por exemplo).

No caso do PNSC, é uma área protegida que ainda hoje não percebo para que serve. Para além dos já referidos pinheiros, o que vejo é uma proliferação de vegetação exótica, nomeadamente acácias, pinheiros e outras resinosas, eucaliptos, carvalhos-americanos, háquias, ailantos (espanta-lobos), canas e, nas zonas de arribas do cabo da Roca, o chorão-da-praia. As exóticas tomaram de assalto a maior parte da serra e sinceramente gostava de perceber quais são os valores faunísticos nem florísticos que justificam o estatuto de Parque Natural.
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Re: ESPÉCIE: Cruza-bico (Loxia curvirostra)

Mensagem por Gilberto Pinelas em Sex Fev 03, 2017 9:34 am

Supostamente deveriam servir para isso que referes, mas é muito difícil contrariar determinados interesses instalados, e tu sabes disso, Gonçalo. Vê o caso da Penha Longa, da Marinha-guincho e outros mais que, mesmo com PDM e afins vão conseguindo o que querem em pleno PNSC...
Esse é outro problema, de facto, mas achas sinceramente que, por isso, não faz sentido a existência do PNSC?


Última edição por Gilberto Pinelas em Sex Fev 03, 2017 9:36 am, editado 1 vez(es)
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Re: ESPÉCIE: Cruza-bico (Loxia curvirostra)

Mensagem por Paulo Lemos em Sex Fev 03, 2017 9:35 am

Gonçalo Elias escreveu: As exóticas tomaram de assalto a maior parte da serra e sinceramente gostava de perceber quais são os valores faunísticos nem florísticos que justificam o estatuto de Parque Natural.

Já agora, deixa-se estar. Há muitas espécies e formas locais das mesmas (incluindo não descritas pela ciência), que mesmo assim dependem de algumas zonas onde crescem espécies rasteitas/arbustivas nativas, onde não faz muita diferença a natureza do estrato superior.
E porque não recuperar? Bem... eu tenho medo é desta palavra.

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Re: ESPÉCIE: Cruza-bico (Loxia curvirostra)

Mensagem por Gonçalo Elias em Sex Fev 03, 2017 9:49 am

Gilberto Pinelas escreveu:Esse é outro problema, de facto, mas achas sinceramente que, por isso, não faz sentido a existência do PNSC?

Pois, depende dos objectivos...

Convirá não esquecermos que o PNSC começou por ser uma "área de paisagem protegida", mais tarde evoluiu para parque natural.

Saliento que não estou a dizer que não faz sentido a sua existência, apenas gostava de perceber o que se pretende proteger, porque até hoje não percebi muito bem...

Já agora, daquilo que conheço do país, considero que há outras zonas (nomeadamente zonas de serra) com valores naturais muito mais relevantes que o PNSC e que não têm qualquer estatuto de protecção.

Exemplos (cingindo-me às zonas de serra):
- serra da Nogueira
- serra do Larouco
- serra do Caldeirão

Mas isto está a afastar-se do tema do tópico, por isso não me vou alongar.
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Re: ESPÉCIE: Cruza-bico (Loxia curvirostra)

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