Chamamentos variáveis de Phylloscopus collybita

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Chamamentos variáveis de Phylloscopus collybita

Mensagem por Agostinho Tomás em Seg Out 31, 2016 6:14 am

Boas

Tenho detectado nas ultimas 2/3 semanas vários chamamentos nos Phy col que fogem do seu chamamento "normal" (huit), principalmente no salgueiral junto à Barragem de Montargil, onde certamente mais de 8-10 aves o estão a utilizar. São chamamentos em geral mais limpos (sem harmónicos), lembrando Phylloscopus mas em forma de " ^ " (V invertido), entre 3 - 6 kHz. Um "suiiu", às vezes isolado, outras vezes repetido. Em alguns casos aparece um chamamento um pouco mais longo, com a inflexão para cima ultima "perna do ^, lembrando ao ouvido o "V" do Phy ino, mas em tom mais grave. Existem ainda outros chamamentos de forma intermédia ou de transição entre o relatado e o chamamento “normal”.
Inglês: "sweeoo" or "wheeoo".

Tive dúvidas na identificação, pois nunca tinha detectado tal chamamento, ainda para mais numa densidade de aves desta ordem.
Aos observar as aves, pareceram-me Phylloscopus sp., imaginando as subespécies de Phy col. Mas ao verificar o livro "The Sound Approach to birding", que muito recomendo, está lá documentado esse tipo de chamamento, referindo ser utilizado por imaturos de Phy col col, no outono e não só. Pelo que li, existe ainda algum debate acerca do assunto, pois ao que parece até alguns adultos às vezes o introduzem na primavera.
Ver também: http://www.xeno-canto.org/333101

Já tenho alguns minutos de chamamentos, que tenciono colocar no xeno-canto, pois não me parece normal este chamamento tão para oeste. Deixo contudo um registo fotográfico de uma ave que assim vocalizava e imagem de alguns dos seus chamamentos em sonograma.



Deixo ainda a nota deste artigo:
www.caluta.liitin.net/Caluta/Caluta6.pdf
(não sei se se tratará de uma “invasão” como as relatadas, mas não tinha tido a percepção de tal ocorrência – e já lá vão muitos chamamentos de Phy col gravados)

Dêem-me sff o vosso "contacto" com este tipo de chamamento.

Saudações,
A.Tomás
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Agostinho Tomás

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Re: Chamamentos variáveis de Phylloscopus collybita

Mensagem por Pedro Pereira em Seg Out 31, 2016 7:41 am

Olá Agostinho,
O tema é muito interessante. Aproveitei o seu tópico para adicionar ao xenocanto uma gravação (com a qualidade possível) de pintos de Phy collybita com poucos dias após terem saído do ninho. O chamamento é diferente do que gravou, mas uma coisa não invalida a outra:

http://www.xeno-canto.org/340949

Detalhes da observação aqui: http://ebird.org/ebird/view/checklist/S30773258

Já ponderou outras subspécies de Phy col, como por exemplo a P. c. abietinus ou até mesmo uma variação incomum da Phy ibericus?

Não tenho tempo para fazer grandes pesquisas sobre o tema, mas estou interessado nas suas conclusões.

Continuação de bom trabalho.
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Pedro Pereira

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Re: Chamamentos variáveis de Phylloscopus collybita

Mensagem por conspicillata em Seg Out 31, 2016 9:33 am

Boas,

o Rui Lourenço gravou hoje duas aves na Herdade da Mitra com esse tipo de chamamento, e o sonograma é muito coincidente. A nossa opinião é que podem ser P. collybita abietinus.

http://ebird.org/ebird/portugal/view/checklist/S32308975

é bastante interessante que tenham sido registadas mais aves noutros locais com este tipo de chamamento.

Abraços
Carlos

conspicillata

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Re: Chamamentos variáveis de Phylloscopus collybita

Mensagem por Paulo Alves em Seg Out 31, 2016 9:56 am

Deixo também uma lista com uma ave a vocalizar dessa forma, a qual identifiquei como abietinus:
http://ebird.org/ebird/view/checklist/S32019680

Tenho ouvido mais aves a vocalizar desta forma aqui por Abrantes.

Tendo em conta outras opiniões isto não é assim tão limpinho (como as fontes que referes Agostinho) e sendo assim será impossível separar esta subspécie.
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Re: Chamamentos variáveis de Phylloscopus collybita

Mensagem por João Tomás em Seg Out 31, 2016 11:44 am

Agostinho Tomás escreveu:Boas

Tenho detectado nas ultimas 2/3 semanas vários chamamentos nos Phy col que fogem do seu chamamento "normal" (huit), principalmente no salgueiral junto à Barragem de Montargil, onde certamente mais de 8-10 aves o estão a utilizar. São chamamentos em geral mais limpos (sem harmónicos), lembrando Phylloscopus mas em forma de " ^ " (V invertido), entre 3 - 6 kHz. Um "suiiu", às vezes isolado, outras vezes repetido. Em alguns casos aparece um chamamento um pouco mais longo, com a inflexão para cima ultima "perna do ^, lembrando ao ouvido o "V" do Phy ino, mas em tom mais grave. Existem ainda outros chamamentos de forma intermédia ou de transição entre o relatado e o chamamento “normal”.
Inglês: "sweeoo" or "wheeoo".

Tive dúvidas na identificação, pois nunca tinha detectado tal chamamento, ainda para mais numa densidade de aves desta ordem.
Aos observar as aves, pareceram-me Phylloscopus sp., imaginando as subespécies de Phy col. Mas ao verificar o livro "The Sound Approach to birding", que muito recomendo, está lá documentado esse tipo de chamamento, referindo ser utilizado por imaturos de Phy col col, no outono e não só. Pelo que li, existe ainda algum debate acerca do assunto, pois ao que parece até alguns adultos às vezes o introduzem na primavera.
Ver também: http://www.xeno-canto.org/333101

Já tenho alguns minutos de chamamentos, que tenciono colocar no xeno-canto, pois não me parece normal este chamamento tão para oeste. Deixo contudo um registo fotográfico de uma ave que assim vocalizava e imagem de alguns dos seus chamamentos em sonograma.

Também já tinha pensado neste assunto. Este ano parece-me haver mais aves (juvenis/subespécie) com esse tipo de call, uma vez que nos anos anteriores apenas escutava o típico "buit". Ou pelo menos, se ouvia, era em muito menos quantidade.
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João Tomás

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Re: Chamamentos variáveis de Phylloscopus collybita

Mensagem por Flávio Oliveira em Seg Out 31, 2016 3:14 pm

Boa noite,

desde há 2/3 semanas que tenho ouvido várias aves com este tipo de chamamento aqui pelos arredores do Porto (a norte). Gravei o som de uma meia dúzia e o sonograma é coincidente com o apresentado pelo Agostinho.

Já tinha discutido esta questão com dois membros do fórum e, apesar de termos pensado na possibilidade de P. c. abietinus, não parece ser possível descartar P. c. collybita à luz dos conhecimentos actuais.
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Re: Chamamentos variáveis de Phylloscopus collybita

Mensagem por PNicolau em Seg Out 31, 2016 6:21 pm

De facto este ano estes chamamentos estão por todo o lado, esta temporada. O conhecimento actual sugere que estes chamamentos sejam efectuados essencialmente por aves juvenis, sem ser possível identificar ssp pelo chamamento. Apenas alguns chamamentos de tristis são distintivos.
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Re: Chamamentos variáveis de Phylloscopus collybita

Mensagem por Paulo Lemos em Seg Out 31, 2016 10:33 pm

É uma espécie que não conheço muito bem (em termos de toda a vocalização que emite um exemplar e o significado) e o que vou sabendo, reforça ainda mais as minhas duvidas quanto à ID das Phylloscopus em geral.
Mas vou estar mais atento, pois tenho ouvido alguma diversidade no que me parece P. collybita ainda sem interpretação ou pesquisa decentes.

Já agora, alguém sabe o significado de "huit" ou se é usado para mais do que uma função, conhecem as situações possíveis e variação num mesmo exemplar? Eu só consigo confirmar esse "huit" usado como alarme, quando a ave implica com alguma coisa, predador, "desconforto" territorial, etc. Mesmo que não se veja predador à vista muitas vezes as aves emitem alarme por razão desconhecida ou se frequentam em território ou ocupam uma posição no relevo que as inquieta, também conta a inexperiência da ave, etc.) e desconheço se tons parecidos há com outras funções.

De acordo com o que entendo neste tópico, o chamamento (ou alarme) deste género de aves poderá então não ser totalmente inato mas sim condicionado a alguma aprendizagem/treino, ou haverá alguma razão mais radical, neuro ou fisiológica para os juvenis o emitirem algo distinto?
É que então, ou estarei a complicar muito, ou isso afecta pelo menos temporariamente (dependendo das circunstancias, do ano em questão, da quantidade de aves de determinada idade num local etc.) o que se ouve de determinada (sub)espécie. já não bastava a diversidade (individual) nestas (sub)espécies muito aparentadas e também a hibridação a dificultar as IDs ou a mesmo a impossibilita-las como rigorosas....

Ainda nas Phylloscopus, diferença talvez noto por vezes nas Phylloscopus ibericus da minha zona (não muito comuns) cujo canto às vezes soa como as collybita. Por vezes 3 ou 4 vezes seguidas, para depois voltar a "ibericus".
Espécies ainda pouco "separadas" e portanto nota-se semelhança conforme o ímpeto do canto (os exemplares de facto criam sem vizinhança rival de congéneres), ou serão híbridos?
De resto, tal como disse, vou estar atento às vocalizações das invernantes.
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Re: Chamamentos variáveis de Phylloscopus collybita

Mensagem por João Tomás em Ter Nov 01, 2016 6:52 am

Paulo Lemos escreveu:Já agora, alguém sabe o significado de "huit" ou se é usado para mais do que uma função, conhecem as situações possíveis e variação num mesmo exemplar? Eu só consigo confirmar esse "huit" usado como alarme, quando a ave implica com alguma coisa, predador, "desconforto" territorial, etc. Mesmo que não se veja predador à vista muitas vezes as aves emitem alarme por razão desconhecida ou se frequentam em território ou ocupam uma posição no relevo que as inquieta, também conta a inexperiência da ave, etc.) e desconheço se tons parecidos há com outras funções.

Alarme não acho. Pelo menos todas as aves que vi a emitir este som não me pareceram estar muito preocupadas com o que se passa em seu redor. Fazendo uma pesquisa rápida no xeno, os alarmes são uma série de repetições desta nota. Agora, os territórios durante a migração/invernada são muito importantes para a sobrevivência da ave, daí que esse "huit" poderá ser um género de "olha que eu estou aqui". A ajudar a isto a ave poderá ainda cantarolar Smile
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João Tomás

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Re: Chamamentos variáveis de Phylloscopus collybita

Mensagem por Paulo Lemos em Ter Nov 01, 2016 8:48 am

João Tomás escreveu:

Alarme não acho. Pelo menos todas as aves que vi a emitir este som não me pareceram estar muito preocupadas com o que se passa em seu redor. Fazendo uma pesquisa rápida no xeno, os alarmes são uma série de repetições desta nota. Agora, os territórios durante a migração/invernada são muito importantes para a sobrevivência da ave, daí que esse "huit" poderá ser um género de "olha que eu estou aqui". A ajudar a isto a ave poderá ainda cantarolar Smile

Tal como disse, "desconheço se tons parecidos há com outras funções", mas que um deles e muito comum corresponde ao alarme disso não há duvida, que como noutras aves pode ser repetido ou não, mais aceso ou não. Qualquer coisa como o "tac" do pisco, que pode significar muita coisa sempre relacionada com alarme ou com um anunciar da sua presença menos descontraído. Se a felosa é jovem sobretudo, de acordo com o que já se disse antes, poderá também emiti-lo regularmente como treino (como muitas aves por vezes fazem) ou ligeiramente zangada para comunicação intraespecífica, não para atrair congéneres mas para os "aborrecer" ou em desagrado, e o mesmo acontece com outras espécies não sociais quando se juntam muitas aves num pequeno espaço (há sempre 1-2 que refilam). Não estou a ver como esta ave possa tem reais vantagem em anunciar a sua presença na maioria dos casos. Significaria concorrência em recursos que nada convém partilhar no inverno (geralmente boas zonas muito localizadas) e é frequentemente alvo de gaviões machos. Não se observam muitas lutas, apenas alguns "chega para lá", mas mesmo assim...
Parece-me que há muita coisa mal esclarecida assim como há relativamente a muitas espécies e este género talvez seja dos mais difíceis (por exemplo bem mais do que os chapins, nos quais já vejo alguma confusão quanto às funções das vocalizações).
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Re: Chamamentos variáveis de Phylloscopus collybita

Mensagem por Pedro Pereira em Ter Nov 01, 2016 10:22 am

Olá a todos,
Bem... como se não bastasse hoje também ouvi uma Phylloscopus a vocalizar com o "sweeoo" em Coimbra.   Smile Só fez 3 notas e como foi dentro de um quintal privado não tive hipótese de gravar!

Se poderem partilhem as fontes que vos levaram às vossas conclusões baseadas no conhecimento actual. Eu agradeço, porque quero ficar a par disso. E de qualquer modo ficam aqui listadas para um dia (ou ano) mais tarde em que se volte a tocar neste assunto sejam mais fáceis de encontrar.

O “The sound approach to birding” já consultei, mas imagino que existam fontes adicionais.

Quanto à função do “huit”, à falta de melhor referência podem sempre consultar o BWP. Se não vos agradar é só questão de procurar artigos mais recentes sobre calls.

Quanto à questão da territorialidade, segundo consta na bibliografia, as Phy col não são territoriais no inverno: https://www.researchgate.net/profile/Ines_Catry/publication/228834990_Within_and_between-year_winter-site_fidelity_of_Chiffchaffs_Phylloscopus_collybita/links/02e7e51800836750b1000000.pdf

obrigado!
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Pedro Pereira

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Re: Chamamentos variáveis de Phylloscopus collybita

Mensagem por Paulo Lemos em Ter Nov 01, 2016 12:24 pm

Hoje dirigi-me ao local mais perto de casa e ouvi o tal som "sweeoo", bem como o "huit" de outra ave. Ambas iniciaram vocalização quando me aproximei e pararam quando se habituaram à minha presença (como já é tipico nestas aves). Gravei com a Canon 6D mas não sei como vou editar e quanto tempo demorarei (sou um nabo ao PC e nem tenho programa instalado).
Para quem quiser gravar melhor, dirija-se às Águas Santas/Sagilda, a "sweeoo" estava sempre na face norte do "sitio" dos escureiros (lado escuro durante a tarde) e a outra estava sempre (como muitas regularmente) alta no grande eucalipto florido junto à fábrica.
https://www.google.pt/maps/@39.406074,-9.156813,84m/data=!3m1!1e3

Costumo ser muito cuidadoso com a bibliografia nestes e noutros casos. As Phy não são territoriais no inverno, tal como tantas passeriformes deixam de o ser ou mal se nota. Mesmo no pisco a territorialidade é discutível, dependendo das circunstancias, como por exemplo observei neste fim de semana em ambiente urbano numa pequena área com elevada densidade de piscos: pequenas contendas, aves juntas e aparentemente muito tolerantes alimentando-se num espaço de 6m2, algumas cantavam em redor sem no entanto mostrar agressividade, e mais importante outras davam o alarme sem haver perigo imediato (até mesmo o de longo aviso agudo, insistentemente, que não é muito frequente senão em perigo sério ou nas imediações do ninho e também o ralhar tic tic tic). Atenção que não quis comparar directamente as duas espécies, apenas apontar a origem de alguns comportamentos independentemente de quão vinculados estão a uma espécie.
O "huit" como alarme nas Phy dou a certeza, desconheço é todas as vocalizações da espécie e suas possíveis variações com exactidão e só será possível saber ao certo o que significam em condições minimamente controladas. Não tenho essa experiência com as Phy, apesar de não ser uma completa novidade para mim e portanto posso apontar algumas certezas.
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Re: Chamamentos variáveis de Phylloscopus collybita

Mensagem por Paulo Lemos em Ter Nov 01, 2016 3:57 pm

Fail Very Happy.
Estava um Phylloscopus durante todo o tempo em Myoporum lateum, de onde vinha o som (não dos telhados pois tb ouvi numa posição paralela e a ave mudava de poiso nos arbustos) mas como aquela bodega agora está toda cercada Rolling Eyes , não me aproximei o suficiente e nalgumas fases da gravação parece agora um pardal (montez ou comum, ambos criam lá, apesar de nesta época serem silenciosos).
Amanhã passo por lá de novo, mas porque posso não conseguir gravar nada, fica para que vocês consigam descartar ou não Passer sp. Original: https://www.flickr.com/photos/69055300@N05/30603150382/. Provavelmente o meu problema foi ouvir demais, mais 30 minutos e já não parece uma ave sequer Very Happy. Mas convém ter certeza e agora não tenho.
À partida não é fácil pois à distancia podem coincidir bastante parecidos conforme o ímpeto da ave, principalmente na felosa que como se confirma noutros links apresentados aqui, pode parecer monossilábico por vezes se menos convicto.
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Re: Chamamentos variáveis de Phylloscopus collybita

Mensagem por Agostinho Tomás em Qua Nov 02, 2016 7:25 pm

Ao que parece estes chamamentos menos usuais estão mais presentes este ano, e um pouco por todo lado. A separação das duas subespécies (Phy col col e Phy col abi) é aparentemente muito difícil, mesmo com a ave na mão. Este fenómeno de abundância anormal destes tipos de chamamentos, suscita algumas perguntas para as quais, ao que parece, não há uma resposta concreta. scratch

Coloco então as ligações a alguns dos chamamentos:
http://www.xeno-canto.org/341315
http://www.xeno-canto.org/341316
http://www.xeno-canto.org/341317
http://www.xeno-canto.org/341318
http://www.xeno-canto.org/341319

Saudações,
A.Tomás
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Agostinho Tomás

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Re: Chamamentos variáveis de Phylloscopus collybita

Mensagem por Pedro Pereira em Qui Nov 03, 2016 3:13 am

Agostinho, obrigado pela sua partilha!

Fiquei sem perceber o porquê de ter identificado os chamamentos que gravou como pertencentes a P. c. collybita, uma vez que diz que a separação das subspécies é muito difícil.

Pode partilhar as fontes que leu acerca das dúvidas que existem na identificação deste chamamento? Gostava de ler também.

Muito obrigado!
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Pedro Pereira

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Re: Chamamentos variáveis de Phylloscopus collybita

Mensagem por Paulo Lemos em Qui Nov 03, 2016 9:38 pm

Uma coisa parece clara? Haver mais diversidade neste tipo de alarme "sweeoo" do que nos "huit"? Excepto no tom, que varia conforme as aves ou mais agudo ou mais grave.
Mais interessante ainda, nalguns casos parece haver uma aproximação a ""huit", ou mesmo tentativas (e aqui a palavra tentativa pode significar várias coisas) e "notas em falso"?

Para decifrar este enigma, e porque é quase impossível seguir as aves nos seus territórios (pois migram), só com pilhas e pilhas e anos de dados, incluindo "n+1" capturas e anilhagem (e sorte) ou então com os pássaros na mão por diversos dias ou meses.
Bem... certamente que pela "quantidade" necessária ao estudo, os impactos seriam bastante menores aqui do que nas actividades anteriores.

Outra questão interessante, algo relacionada com estas aves alarmarem muito frequentemente, até na presença de predadores menos perigosos como cães ou serem humanos (e às vezes a consideravel distancia), poderá ter como explicação as suas actividades intensas, a diversidade de habitats por onde passam e a forma como essa actividade é desenvolvida na vegetação (que torna a ave constantemente vulnerável). O facto de serem presas "gordinhas" (tecido adiposo de migradora) e muito cobiçadas por gavião, sobretudo gavião macho que durante o inverno as caça entre árvores, matagal e pequenos arbustos quase rentes ao chão (na verdade muitos machos escondem-se e voam baixo em ambientes quase sem vegetação media/superior, como encostas rochosas) e matagal pouco alto (ou matagal sob as árvores), faz com que estas felosas necessitem de atenção acrescida quando a probabilidade de perigo cresce. Uma das principais estratégias deste predador é aproveitar a passagem de outros animais que espantam ou distraem as suas presas. E claro que isto não foi dito à toa, sem uma boa dose de observações por longos anos, sendo o gavião o melhor especialista observado e o alvo muitas vezes coincide. É mesmo uma pratica comum tal como são as emboscadas em bebedouros e afins, mas com um factor ainda mais "ninja-style" Twisted Evil  Twisted Evil o gavião tenta não ser detectado pelo seu ajudante, antes durante e depois da caçada , ou seja, passa despercebido portanto este comportamento menos conhecido.
Portanto há vantagens nos alarmes das Phy, seja qual for a intensidade e isto para além da época de nidificação. Emitido impulsivamente pela ave, acaba por se relevar numa forma "não intencional" de comunicação em espaços onde à partida esta espécie comum se dispersa ou chega a convergir em busca de recursos. De alguma forma poderá alterar o comportamento e atenção de cada ave, o modo como "foge" se o "tal animal menos perigoso se aproximar demais, sem se colocar nas garras do pior deles.
Importante "lembrar" que provavelmente estas aves evoluíram na presença de muitos mais gaviões do que hoje. E o género Phy não será caso único, haverá semelhantes ou outros um pouco distintos, conforme espécies, algumas únicas. Porque alarma o melro adulto "daquela maneira" quando foge de nós ou de um cão? Havia necessidade? Fugirá de nós porquê? De outro perigo real "alarmaria" de outro modo (ou nem alarmaria). Alguem estudou isso? (links quero links).

Contudo... tal teoria não explica as questões da variabilidade deste tipo de vocalização, pelo menos à 1ª vista...
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Re: Chamamentos variáveis de Phylloscopus collybita

Mensagem por Agostinho Tomás em Sex Nov 04, 2016 3:22 am

Pedro Pereira escreveu:Fiquei sem perceber o porquê de ter identificado os chamamentos que gravou como pertencentes a P. c. collybita, uma vez que diz que a separação das subspécies é muito difícil.

Hesitei sem dúvida em colocar a ssp, só a coloquei porque não tenho conhecimento de presença “habitual” e abundante de aves invernantes de Phy c. abi e porque as recapturas de aves anilhadas (ao que sei) são na sua esmagadora maioria de aves de anilhadas no Reino Unido, France, Bélgica, ou seja, áreas fora da zona de ocorrência/nidificação de Phy c. abi. De qualquer forma agradeço a questão, e visto que também já o tinha pensado, vou baixar a identificação à espécie.
Relativamente às fontes colocarei referências que tenho este fim-de-semana.
Existe uma hipótese, referida também no  "The Sound Approach to birding", que considera que poderão ser aves resultantes de ninhadas mais tardias, que estão em “modelação” do chamamento. O que me parece poder fazer sentido. Vamos ver se ao longo do outono/inverno este chamamento se vai dissipar.
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Re: Chamamentos variáveis de Phylloscopus collybita

Mensagem por Helder Vieira em Sex Nov 04, 2016 10:35 am

Também ouvi esse chamamento há cerca de 3 semanas atrás. Na altura não o reconheci. Estava a fazer lembrar-me uma Motacilla flava (havia campos de milho recém cortado bem próximo), mas o som vinha de arbustos baixos. Acabei por descobrir o autor, um Phylloscopus que saltitava de arbusto em arbusto, certamente Phy col. No xeno encontrei algo muito parecido rotulado como "juvenil a chamar".
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Re: Chamamentos variáveis de Phylloscopus collybita

Mensagem por HL em Sex Nov 04, 2016 5:48 pm

Também ouvi algo desse tipo, pelo menos num individuo a 20/10/2016. Tudo muito semelhante ao que já foi descrito pelo Agostinho e outros, com a excepção que não me apercebi que a ave tenha imitado algum "huit", apenas chamamentos que encaixo em "sweeo" e "swee".
Uma gravação aqui:
http://ebird.org/ebird/portugal/view/checklist/S32121850

Paulo e Carlos com base em que bibliografia se basearam para considerar a ID como P. c. abietinus?
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Re: Chamamentos variáveis de Phylloscopus collybita

Mensagem por Paulo Alves em Sex Nov 04, 2016 7:21 pm

HL escreveu:Paulo e Carlos com base em que bibliografia se basearam para considerar a ID como P. c. abietinus?

Principalmente em gravações do Xeno.
Depois de discutir o assunto com outros observadores e depois de ter consultado outras fontes já apresentadas concordo que não meio de ter certeza.

A ID será retificada.
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Re: Chamamentos variáveis de Phylloscopus collybita

Mensagem por Paulo Lemos em Sex Nov 04, 2016 7:42 pm

HL escreveu:
http://ebird.org/ebird/portugal/view/checklist/S32121850

A vocalização desse exemplar parece-me também muito "indecisa" e, na sua estranha variabilidade, noto alguma aproximação ao "huit", por vezes no final, como se o grito tendesse a "descair" para essa "estrofe".
Não sei quantos de vós já assistiram ao vivo aos "treinos" (de alarme também) de algumas passeriformes, mas é muito parecida a aparente falta de jeito (o balbuciar) nas primeiras semanas ou em alguns casos bem mais tarde "a perder de vista" quando sentem necessidade de usar um grito em questão. Dependendo da espécie e do grito (alarme, aviso e afins) alguns são inatos e saem às primeiras enquanto outros requerem treino, enquanto outros há que implicam aprendizagem mais complexa, com sons mais ou menos adaptados e até a capacidade de os alterar e substituir em qualquer fase da vida como no caso dos chapins.

Talvez prematuro afirmá-lo, mas acho as vocalizações aqui apresentadas muito pouco "consistentes" para caber na vocalização de uma ave adulta, apesar de tudo ser possível. Não quero sugerir que as variações ao "huit" são todas de jovens e que as várias subespécies não tenham gritos distintos, mas... tendo, não seriam eles melhor definidos, emitidos em jeito mais uniforme do que os apresentados?
A ser verdade que são jovens em "modelação" da voz, é bastante tarde no ano para falharem em algo tão simples. E seria de esperar que já tivessem definido gritos paras funções mais básicas. Mas, talvez alguma alteração (neuro-fisiológica por ex.) ocorra apenas nesta época, sentindo as aves "vontade" de "alarmar" pelas 1ªs vezes muito tarde no ano, isto despoletado por uma faceta comportamental crucial à espécie como a que sugeri antes, por exemplo?.

É possível até que a diferença que separa(?) as subespécies quanto a gritos desta natureza (os já bem definidos num individuo adulto), seja apenas a geografia, dependente de cognição enquanto juvenis que "registaram" o alarme dos progenitores.
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Re: Chamamentos variáveis de Phylloscopus collybita

Mensagem por Paulo Lemos em Sab Nov 05, 2016 2:04 pm

Hoje dei uma passagem rápida por algumas zonas favoráveis, incluindo onde fiz a gravação anterior.
Talvez devido a mudança do clima, as aves andavam muito atarefadas e apenas vocalizaram quando me fiz notar, calando-se em menos de 10s. Gravações zero.
Uma delas interessante aqui: https://www.google.pt/maps/@39.4050633,-9.1628769,50m/data=!3m1!1e3, emitiu vários gritos repetidos de um modo ainda aqui não postado, ascendentes, mas não consegui gravar a tempo mesmo que tivesse voltado atrás para 5min depois voltar a aparecer de modo a "alertar a ave" (e mais uma vez ela alarmou, mas demasiado brevemente).
Observei um numero considerável de felosas activas, isoladas ou em "grupos" poucos apertados de 3-4, todas caladas.

Há uma maneira inofensiva de induzir a vocalização desta espécie, sem reproduzir sons que é uma técnica pouco eficaz.
Mas para que ninguém a aproveite para atrair aves sem razão de interesse, apenas dou a dica por MP a quem justifique a razão para que a usará (para estudo).
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Re: Chamamentos variáveis de Phylloscopus collybita

Mensagem por HL em Sab Nov 05, 2016 4:52 pm

Paulo Alves escreveu:
Principalmente em gravações do Xeno.
Obrigado pelo esclarecimento!
É realmente curioso. Procurei mais fontes de informação mas não encontrei nada substancial.
Há um tópico similar no Surfbirds:
http://www.surfbirds.com/forum/showthread.php?8612-Chiffchaff-s-sweeoo-call
Seria interessante saber o paradeiro da informação obtida neste caso (post #4).
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Re: Chamamentos variáveis de Phylloscopus collybita

Mensagem por Paulo Lemos em Sab Nov 05, 2016 5:55 pm

Depois de ler esse tópico fico ainda mais convencido de que há muito para "definir" (conhecer) quanto às funções de cada "chamamento" em determinada ave.
Nem gosto de tratar toda e qualquer vocalização por "chamamento", apesar de em inglês aparentar um sentido mais lato.
Por exemplo, vejo o tema "vocalização de alarme" tão ou mais complexo do que o do "canto". Seria até mais correcto apelidar um conjunto de gritos de uma ave como vocalizações "de excitação" (cada um com a sua sub-função, mas todos parte de um complexo).
A meu ver não será a partir desta espécie, ainda por cima forma complexo de ssp., que se obteria facilmente o conhecimento preciso ou uma base de comparação para estuda-la nesta temática, e sim noutras aves mais simples. Em contrapartida há o problema de que as Phy formam, em termos filogenéticos, um grupo algo especial e pouco comparável a outras passeriformes e portanto essa via também teria limites...

Edit: Mesmo assim, "excitação" não é o termo ideal para se definir determinado complexo de gritos (e haverá sempre duvidas quanto aos limites desse complexo, já que o tema "alarme" é mesmo vasto na vocalização das aves). Encontrem lá outro que não tenho jeito para letras :p.
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Re: Chamamentos variáveis de Phylloscopus collybita

Mensagem por Pedro Pereira em Qua Nov 16, 2016 5:38 am

Olá a todos,

Questão para aqueles que entretanto continuaram a fazer visitas de campo regulares aos locais onde ouviram os chamamentos em debate: continuaram a ouvi-los ou não?





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Re: Chamamentos variáveis de Phylloscopus collybita

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