Actividade nocturna em rapinas "diurnas".

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Actividade nocturna em rapinas "diurnas".

Mensagem por Paulo Lemos em Qui Dez 22, 2016 3:24 pm

A actividade crepuscular é muito característica de certas rapinas diurnas, sobretudo no açor e gavião, bem antes do nascer e depois do por do sol. Também se observa o Ógea em condições de fraca luz, ou pelo menos este desloca-se bem cedo para certas zonas de passagem de aves, muito antes da alvorada. Os morcegos são presas não raras de gavião e Ógea em Portugal (observado por mim pelo menos, em várias localidades).
O peneireiro-cinzento também é regularmente observado ao crepúsculo, sobretudo de manhã, e tartaranhão (sobretudo o "grande") quase antes ou imediatamente depois de completa escuridão.

No verdadeiro período nocturno, entre tais fases de escassa luz, ou seja na mais adiantada escuridão da noite, a actividade destas e de outras rapinas pode ser bem mais rara. No açor sei que é possível, mas apenas se a oportunidade surge. Noutras, pode ser uma estratégia bem mais premeditada ou mesmo um auxiliar de sobrevivência no inverno ou durante fases de escassez.

Das poucas aves que já observei activas durante a noite e longe de iluminação artificial, conta-se o bútio no topo da lista.
Não muito longe da "falsa" poça do Vau, por várias vezes em anos anteriores, observei um bútio no topo dos postes de madeira junto à estrada ou nos ramos de eucalipto por cima da mesma. Às vezes também fogem, longe de estrada, de poisos menos conspícuos mas bastante incomuns para descanso desta espécie, parecendo mais uma posição ataque dirigida a qualquer criatura de silhueta ou som reconhecíveis que passe por baixo. Mais interessante ainda, às vezes há restos de buteo em volta dos ninhos de raposa, que poderão não resultar de aves encontradas já mortas ou feridas (o aspecto dos restos adivinha rapinas saudáveis e adultas e as raposas mal sobem às árvores). Algumas talvez possam ter aprendido a capturar buteos em locais propícios durante a noite, darem com o cheio das presas ao serem devoradas, seguirem os gritos das presas (como coelhos), ou as possíveis capturas ocorrem durante o dia?

Há cerca de 1 mês na Serra do Bouro, fugiu-me da estrada mesmo em frente do carro o que me parecia um bufo-real (seria o 2º que atropelava) mas depois, as marcas alares e o tamanho tornaram-se evidentes para este caso, bem como um sapo semi-devorado na estrada. Mais surpreendente ainda, é o facto de não ter sido em noite de luar, nem de nuvens altas (o que reflectiria a luz de cidade a poucos quilómetros e proporcionaria alguma luz difusa).

Apesar de ser arriscado caçar de noite, será este comportamento assim tão raro?
Quem confirma observações deste género? E em que espécies?
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