Reintrodução da Águia-pesqueira em Portugal

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Re: Reintrodução da Águia-pesqueira em Portugal

Mensagem por Gonçalo Elias em Sex Jul 15, 2011 3:14 pm

jvicente escreveu:Também já se fala da replicação do projecto no estuário do Sado, através do ICNB.

Tenho quase a certeza que em tempos chegou a ser colocada uma plataforma a pensar nessa espécie, algures na margem direita do estuário.
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Re: Reintrodução da Águia-pesqueira em Portugal

Mensagem por jvicente em Sex Jul 15, 2011 3:28 pm

No mínimo curioso! A quem se terá devido o empreendedorismo? scratch

Já agora.. Na tua opinião, quais os melhores locais do estuário do Sado para uma hipotética nidif. da espécie?


Abraço
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Re: Reintrodução da Águia-pesqueira em Portugal

Mensagem por Gonçalo Elias em Sex Jul 15, 2011 3:31 pm

jvicente escreveu:Já agora.. Na tua opinião, quais os melhores locais do estuário do Sado para uma hipotética nidif. da espécie?

Nunca pensei muito nisso... nem sei se deveria ser em postes... talvez em árvore tivesse mais sucesso (há registos antigos de nidificação de pesqueiras em pinhal junto à costa).
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Re: Reintrodução da Águia-pesqueira em Portugal

Mensagem por Gonçalo Elias em Sex Jul 15, 2011 3:33 pm

Já que estamos numa de compilar informação sobre a espécie deixo aqui o link para um artigo da minha autoria dedicado a esta espécie, que foi publicado no jornal Quercus Ambiente em 2004:

http://www.quercus.pt/scid/webquercus/defaultArticleViewOne.asp?categoryID=610&articleID=1574
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Re: Reintrodução da Águia-pesqueira em Portugal

Mensagem por RuiCaratao em Sex Jul 15, 2011 4:51 pm

Como contribuinte, e amante da natureza em geral, não posso deixar de mostrar o meu desagrado por este projecto, pelas inumeras razões que o Gonçalo já apontou, e que concordo plenamente, lembro-me inclusive de inumeras especies nas quais seria muito mais impotante investir tamanha quantia......as adalberti, por exemplo, porque não fazer o mesmo que se fez com o caimão e aproveitar a sua expansão para criar pequenos grupos populacionais e facilitar a expansão da espécie.
Melhor, investir o dinheiro na conservação de habitat e tentar aumentar os numeros de coelho, de certeza que inumeras especies de rapinas em Portugal iriam benificiar com isso.


.....o grande lago! é este o nome que tramou o saramugo


Nunca pensei muito nisso... nem sei se deveria ser em postes... talvez em árvore tivesse mais sucesso (há registos antigos de nidificação de pesqueiras em pinhal junto à costa).

Gonçalo, se forem como alguns casais alemães, que vi a nidificarem tipo cegonhas em postes de electricidade, não é preciso preocuparmos-nos muito.




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Re: Reintrodução da Águia-pesqueira em Portugal

Mensagem por Gonçalo Rosa em Sex Jul 15, 2011 6:09 pm

Em sequência desta questão de como estoirar dinheiro em embustes, acabo de publicar no blogue Ambio um comentário a um post de Henrique Pereira dos Santis lá publicado (ver http://ambio.blogspot.com/2011/07/um-premio-merecido.html).

Quanto ao meu comentário, aqui vai, por crer que creio também ajudar à discussão aqui tida:

Quando no final da década de 90 era técnico do então ICN, participei num par de reuniões com estes dois empreendedores, a quem aproveito para felicitar por terem conseguido vender este verdadeiro embuste, tendo em vista a reintrodução da águia-pesqueira em Portugal como nidificante. Lembro-me que os valores envolvidos eram relativamente faraónicos (se compararmos, por exemplo, com o orçamento de então do ICN) e lembro-me também de que o principal argumento para a importância desta reintrodução era o facto da “população mediterrânica” de águia-pesqueira ser distinta das do centro e norte europeu. A primeira é residente (efectuando apenas alguns “movimentos de dispersão”), caça em ambiente costeiro (embora também o faça em águas interiores) e nidifica em escarpas costeiras, contrariamente às do norte e centro europeu. Estas diferenças eram, bem me recordo, invocadas insistentemente pelos mesmos intocáveis empreendedores agora premiados, como justificação única (obviamente, para além da recente extinção) para tanto dispêndio e prioridade.

Tendo-se verificado que o afastamento genético não era o desejado pelos intocáveis empreendedores e que, se bem me recordo, se vislumbravam dificuldades em conseguir países doadores de jovens águias na área da então chamada “população mediterrânica”, mandaram-se os argumentos iniciais literalmente para trás das costas porque o que afinal mais importava era introduzir as águias fosse lá como fosse. E fica-me a suave sensação que se chama à soberba de dois intocáveis empreendedores, conservação da natureza…

Quanto ao ICNB, espero que não sendo esta uma questão minimamente relevante para a conservação da natureza, não torre um cêntimo do seu – que digo, do nosso! – dinheiro em folclore. Porque se o fizer confirmo a triste conclusão que o seu primeiro problema não é mesmo dinheiro.

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Re: Reintrodução da Águia-pesqueira em Portugal

Mensagem por Gonçalo Rosa em Sex Jul 15, 2011 6:57 pm

Pedro Ramalho: “…acima de tudo facilita a vigilância dos indivíduos e dos ninhos, uma introdução em zona costeira levanta problemas específicos especialmente porque as melhores zonas são as mais inacessíveis o que iria dificultar o trabalho, além de penso ser melhor começar numa situação tão controlada quanto possível e uma localização como o Alqueva facilita em muito o acompanhamento dos indivíduos”

Está a colocar a questão “de trás para a frente”. A questão primeira é saber se faz algum sentido introduzir águias-pesqueiras numa área onde não existem quaisquer referências que aí tenham nidificado, gastando jorros de dinheiro, parte deles públicos. Depois sim… verifica-se se determinados aspectos, nomeadamente o que refere, se verificam ou não…

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Re: Reintrodução da Águia-pesqueira em Portugal

Mensagem por Gonçalo Rosa em Sex Jul 15, 2011 6:57 pm

JVicente: é um facto que existem referências históricas que indicam a nidificação de águias-pesqueiras em suportes arbóreos, mas por se tratar de informação histórica deve ser tida com reservas (pessoalmente sempre tive muitas reservas e até algumas certezas do contrário)… muita desta informação era obtida por via de relatos de terceiros, sem qualquer confirmação à posteriori, sem o auxílio de guias de campo ou qualquer bibliografia, muitas vezes inexistente ou inacessível...

Mas não posso concordar de todo quando afirma que “Independentemente disto, a verdade é que os habitats mais tradicionais já não reunem as condições necessárias à sobrevivência da espécie, nomeadamente costa Sudoeste/Vicentina, Algarve, Arrábida e Roca. A única forma de recuperar a espécie, numa perspectiva reactiva, é o seu imprinting em áreas favoráveis, e o Alqueva (ironicamente) é a melhor delas.”. Não é evidente que não existam condições necessárias à sobrevivência da espécie nas áreas costeiras que refere, a que se refere? A alimento? A perturbação?

E mesmo dando de barato que é impossível ter/restabelecer condições necessárias à nidificação de águias-pesqueira, que é uma espécie relativamente comum em boa parte da centro e norte europeu e com uma vastíssima distribuição mundial, introduzi-la numa área/habitat onde nunca se sabe ter existido? E faz sentido gastar dinheiros públicos nestes delírios, em especial quando o Estado tem as suas contas “ligadas ao ventilador”?


Última edição por Gonçalo Rosa em Sab Jul 16, 2011 2:30 am, editado 1 vez(es)

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Re: Reintrodução da Águia-pesqueira em Portugal

Mensagem por Gonçalo Rosa em Sex Jul 15, 2011 6:59 pm

JVicente:” Dou aqui ênfase ao "conhecimento histórico existente", porque este é na verdade muito pouco. A espécie extinguiu-se de grande parte do território desde muito cedo. Poucos passarólogos existiam na altura. Quem sabe se a espécie não nidificaria no interior? As costeiras, inclusive, também predavam no interior, em água doce.”

O seu comentário é contraditório. Se o conhecimento histórico existente “ é na verdade muito pouco”, como pode afirmar que, a águia pesqueira “extinguiu-se de grande parte do território desde muito cedo”. Para além de que a espécie nidificaria na costa sul do país, entre a costa da Sintra/Cascais e o Algarve, muito pouco mais se sabe. O único artigo que conheço é um de Luís Palma (um dos proponentes deste projecto ), creio que datado de finais da década de 90, que traça o histórico da águia-pesqueira em Portugal, desde início do século XX, estimando a população década a década e relatando o que se passou quanto à área de distribuição, mas o que lá vem, baseado, se bem me recordo em toponímia, relatos de pescadores/locais e referências bibliográficas trata-se de um verdadeiro delírio, autêntica astrologia científica, pois o grosso da informação de base tem muito pouca credibilidade. Anteriormente à década de 1970, pouco mais existe que muito poucos registos pontuais, certamente mais ou menos credíveis, sobre a existência de um ninho aqui e de outro acolá. Tudo o resto são suposições e meras hipóteses…

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Re: Reintrodução da Águia-pesqueira em Portugal

Mensagem por Gonçalo Rosa em Sab Jul 16, 2011 2:29 am

JVicente: é um facto que existem referências históricas que indicam a nidificação de águias-pesqueiras em suportes arbóreos, mas por se tratar de informação histórica deve ser tida com reservas (pessoalmente sempre tive muitas reservas e até algumas certezas do contrário)… muita desta informação era obtida por via de relatos de terceiros, sem qualquer confirmação à posteriori, sem o auxílio de guias de campo ou qualquer bibliografia, muitas vezes inexistente ou inacessível...

Mas não posso concordar de todo quando afirma que “Independentemente disto, a verdade é que os habitats mais tradicionais já não reunem as condições necessárias à sobrevivência da espécie, nomeadamente costa Sudoeste/Vicentina, Algarve, Arrábida e Roca. A única forma de recuperar a espécie, numa perspectiva reactiva, é o seu imprinting em áreas favoráveis, e o Alqueva (ironicamente) é a melhor delas.”. Não é evidente que não existam condições necessárias à sobrevivência da espécie nas áreas costeiras que refere, a que se refere? A alimento? A perturbação?

E mesmo dando de barato que é impossível ter/restabelecer condições necessárias à nidificação de águias-pesqueira, que é uma espécie relativamente comum em boa parte da centro e norte europeu e com uma vastíssima distribuição mundial, introduzi-la numa área/habitat onde nunca se sabe ter existido? E faz sentido gastar dinheiros públicos nestes delírios, em especial quando o Estado tem as suas contas “ligadas ao ventilador”?

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Re: Reintrodução da Águia-pesqueira em Portugal

Mensagem por jvicente em Sab Jul 16, 2011 4:37 am

Gonçalo Rosa escreveu:
Não é evidente que não existam condições necessárias à sobrevivência da espécie nas áreas costeiras que refere, a que se refere? A alimento? A perturbação?

Bem, o facto da espécie se ter extinguido na área, parece um forte indicador que deixaram de existir condições naqueles territórios. E não se fez nada nos derradeiros "momentos finais" pela inversão da tendência..
Desconheço os motivos reais que promoveram a extinção, mas, e como já referi antes, talvez possa ter ocorrido um somatório de causas, entre perseguição directa, redução da disponibilidade alimentar, perturbação nas áreas de cria, etc. Raramente consequências tão graves, como a extinção de uma população, se devem unicamente a uma ou duas causas.
Imaginando que ainda existam condições para a permanência da espécie nesses habitats, e tendo em consideração a tendência actual da população mediterrânica, parece-me muito pouco provável a colonização natural da espécie. Só numa perspectiva de muito longo prazo, contando com a eventual recuperação dos remanescentes núcleos reprodutores, já bastante afastados geograficamente.
O facto de referir isto, não significa que não concorde que fosse esta a abordagem mais correcta, acredito no conceito de "objectivos a longo prazo" Smile . Sempre pensei que áreas protegidas pudessem ser espaços priviligeados para este tipo de intervenções. Infelizmente parece que o ICNB não vê as coisas desta forma..

Existem referências, não baseadas em toponímias locais ou relatos do "diz que disse", que atestam a nidificação da espécie em habitats relativamente distintos em Portugal. Coverley, por exemplo, refere a nidificação de pesqueiras em pinhais na Marinha Grande, até à década de 50. O mesmo parece ter acontecido na lagoa de Albufeira. Na minha opinião, estas variáveis levantam interessantes questões.

Não estou aqui a defender este proj de reintrodução, também partilho de muitas das dúvidas aqui expressas no Fórum. Mas parece-me interessante manter uma postura aberta relativamente ao assunto.


Abraço,
Jorge
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Re: Reintrodução da Águia-pesqueira em Portugal

Mensagem por ACarvalho em Sab Jul 16, 2011 11:26 am

jvicente escreveu:... No seguimento do plano de reintrodução da espécie na Andaluzia (bichos escoceses), um casal fixou-se, e reproduz-se, na barragem de Barbate, em Cadiz. Mais quente que essa zona não sei se se arranja na Península..
Pelo que vi, essa barragem é na costa (com temperaturas mais amenas).
Nem é preciso falar em Sevilha, a meio caminho a temperatura já é bem mais elevada.
Mas a questão não deve ser essa.

Gonçalo Elias escreveu:

pedro121 escreveu:para além disso temos outras zonas de ocorrência em que a temperatura ambiente é provavelmente maior do que no Alqueva na época estival, o interior da Rússia não é propriamente fresco no verão.

Pedro, não generalizemos. A Rússia tem zonas quentes sim, mas é preciso ver que a zona de distribuição das pesqueiras está sobretudo na faixa temperada entre os 55 e os 65 graus de latitude norte e as temperaturas máximas que aí encontras são bem mais moderadas do que as que tens em Portugal (raramente ultrapassam os 30 graus).

No verão o interior da Russia tem temperaturas mais quentes que em Portugal.
Digo isto com conhecimento de causa.
Por exemplo, há 3 ou 4 anos, estive a meio de Agosto numa cidade a cerca de 1.000 km a sudeste de Moscovo. Fica a 52ºN, na margem do Volga.
Nunca apanhei tanto calor na minha vida, e já estive em muitos sítios quentes (Portugal, Espanha, 3 zonas do Brasil, Ankara no verão, etc.).
Durante vários dias seguidos, estiveram temperaturas de 42º, muito seco e sem qualquer brisa. Era calor dia e noite. Para terem uma ideia, na 2ª ou 3ª noite lá, tive um momento em que pude arrefecer e soube muito bem. Foi na margem de um canal do Volga, em que estavam cerca de 30º e corria uma muito leve brisa.
E isto para eles é normal.
O "Verão" lá, começa em Maio. E em Junho, Julho e Agosto, há já temperaturas altas.

Não sei se lá há Águias-pesqueiras, mas segundo os mapas da distribuição, haverá.

Abraço,
Alberto


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Re: Reintrodução da Águia-pesqueira em Portugal

Mensagem por ACarvalho em Sab Jul 16, 2011 12:17 pm

Gonçalo Elias escreveu:
O maior accionista da EDP chama-se Estado (com E grande), que ainda detém 24% do capital da empresa.
Fonte: http://www.edp.pt/pt/investidores/accaoedp/estruturaaccionista/Pages/ShareholderStructure.aspx

Logo qualquer financiamento que venha da EDP é parcialmente público. Dado que estamos a falar de dinheiro público, penso que é legítimo questionar a sua utilização, não concordas?

Nada disto é de borla.
Quem paga é o consumidor de electricidade. Não tenham dúvidas.
Não é por isto que os administradores, vão cortar na divisão de lucros entre eles.
Eles não tem problemas nenhuns em gastar dinheiro (novas redes, estruturas, edifícios...), basta aumentar o custo da electricidade, ao consumidor. E aumentam, antes de avançarem com o dinheiro. Porque quem paga é o contribuinte.

Seria mais justo, se na factura constasse uma opção para: X, quer contribuir com 0,50€, para o o projecto Águia-pesqueira. Creio que 0,001% das pessoas contribuiriam. Então nos dias de hoje.
Logo tornava inviável o financiamento.
E se os 0,001%, tivessem de contribuir com 60€, em cada factura de electricidade. É muito. só 1% ou menos ia contribuir.
Ia dar ao mesmo, não havia dinheiro para o financiamento.

Dá que pensar...
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Re: Reintrodução da Águia-pesqueira em Portugal

Mensagem por Gonçalo Elias em Sab Jul 16, 2011 1:43 pm

Alberto, se a EDP fosse totalmente privada eu nada teria a dizer ao destino que é dado ao dinheiro. A parte que questiono é a que envolve dinheiros públicos.

Quanto à parte da Rússia: podes indicar a cidade mais próxima do local onde estiveste? É só para cruzar dados do clima e da distribuição da espécie.
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Re: Reintrodução da Águia-pesqueira em Portugal

Mensagem por Gonçalo Rosa em Sab Jul 16, 2011 2:17 pm

Só agora me apercebi que existem 6 páginas de comentários e não apenas uma… Cá vão algumas notas,

Pedro Ramalho: “A espécie é residente em Cabo Verde, não me parece portanto que a temperatura ambiente seja limitativa.”

As temperaturas máximas no Verão em Cabo Verde são efectivamente muito inferiores às máximas observadas no interior de Portugal Continental. Jamais as máximas médias atingem os 30C e nunca se verificam temperaturas sequer próximas aos nossos 38C/40C. Na orla costeira cabo verdiana, onde a maioria dos casais nestas ilhas nidificam (conheço uns poucos mais no interior de algumas ilhas – nomeadamente em Santo Antão e São Nicolau –mas nunca a mais de 5 km, as temperaturas são ainda mais amenas. A questão pode ter pois relevância (não digo que não tem), mas o exemplo de Cabo Verde é um péssimo exemplo.

Apesar de conhecer muito bem Cabo Verde e de conhecer mais de duas dezenas de ninhos, ainda não consegui perceber qual a época de nidificação. Parece ser relativamente pouco marcada, ou seja, não parece ser possível designar um período como época de nidificação.

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Re: Reintrodução da Águia-pesqueira em Portugal

Mensagem por Gonçalo Rosa em Sab Jul 16, 2011 2:18 pm

Pedro Ramalho: “Um caso em que podem ser importantes é no caso de extinção da população principal, existem vários exemplos de extinções (normalmente com mão humana) em que a recuperação é feita por uma população satélite perdida numa ilhota ou numa zona mais inacessível, ou seja uma zona que á partida é de interesse secundário para a espécie de repente passa a ser fundamental se a área de distribuição principal for comprometida.”

Pois, mas irrelevante no caso da águia-pesqueira, dada a vasta distribuição mundial da espécie.

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Re: Reintrodução da Águia-pesqueira em Portugal

Mensagem por Gonçalo Rosa em Sab Jul 16, 2011 2:18 pm

Pedro Ramalho: “A aguia de Bonelli é um bom exemplo, a população que tem melhor futuro em Portugal é provavelmente a que nidifica em arvores, mas isso não é razão para não fazermos o esforço de tentar manter as duas populações, faz sentido em termos de conservação se algo acontecer a uma ainda temos a outra”

É o caso das cegonhas-pretas, onde a sul, a maioria dos casais nidifica em árvores, contrariamente ao que acontece no resto do país. E não se tratam de duas populações, trata-se somente de uma população cujos casais, dependo dos suportes potenciais disponíveis, ocupa escarpas ou árvores.

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Re: Reintrodução da Águia-pesqueira em Portugal

Mensagem por Gonçalo Elias em Sab Jul 16, 2011 2:20 pm

Gonçalo Rosa escreveu:Apesar de conhecer muito bem Cabo Verde e de conhecer mais de duas dezenas de ninhos, ainda não consegui perceber qual a época de nidificação. Parece ser relativamente pouco marcada, ou seja, não parece ser possível designar um período como época de nidificação.

No livro The Birds of the Cape Verde Islands, de C. J. Hazevoet, refere-se que a época de reprodução vai de Novembro a Abril.
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Re: Reintrodução da Águia-pesqueira em Portugal

Mensagem por Gonçalo Rosa em Sab Jul 16, 2011 2:25 pm

JVicente: “Para isto acontecer já teria que estar em posição, há muito, um plano de recuperação do habitat de reprodução histórico conhecido, que teria de ter arrancado durante os 90s quando ainda restava um casal. O facto da área em questão ser um PN (na altura ainda seria APP) teria facilitado a intervenção, mas tal nunca chegou a ser feito, apesar de pressões nesse sentido. Perderam-se as águias, e provavelmente o habitat..”

Desculpe-me, mas esta era a cantiga de alguns dos empreendedores. Em termos de eficácia, não se ganhava nada de extraordinário em começar o projecto na década de 90. Ganhava-se tempo e ainda mais tempo se se tivesse começado em 1980, 1970 ou antes. E perdia-se lucidez. Eu por exemplo fui a favor do projecto mas mudei de postura quando me apercebi da flacidez dos argumentos dos impulsionadores. Falo da história da "população mediterrânica", usada para exacerbar a importância da reintrodução, mas atirada para trás das costas quando se verificou que os únicos dadores disponíveis com que se podia contar eram precisamente de países fora da área de distribuição mediterrância. A questão é que seguramente há décadas que a viabilididade deste núcleo populacional se encontrava comprometida, devido ao baixíssimo número de casais existentes desde a década de 70. Foi por isso que, contrariamente à vontade de alguns, se optou por discutir primeiro o sentido e a prioridade do projecto. E ainda bem.

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Re: Reintrodução da Águia-pesqueira em Portugal

Mensagem por Gonçalo Rosa em Sab Jul 16, 2011 2:29 pm

JVicente: “Provavelmente um misto de factores, entre perseguição directa, redução da disponibilidade alimentar e degradação do território de nidif.”.

Que informação tem que lhe permita apontar neste sentido??? É bom não cairmos em “lugares comuns” … não vale a pena procurar justificações na casuística de mortes ou fracassos reprodutores nas últimas décadas. As verdadeiras causas da extinção da espécie como nidificante remontam a antes disso. Tudo o que acontece quando temos 3, 2 ou finalmente 1 casal -do tiro, à falta de peixe, ao ataque de tosse - é pouco relevante no sentido da conservação população, porque esta já o era.

Não sei se os factores que levaram à extinção da espécie como nidificante ainda se encontram presentes ou não, pois nem sequer sabemos quais foram... mas talvez fosse mais interessante tentar perceber o que se alterou e o que se poderá fazer para mitigar potenciais factores limitantes na área de nidificação tradicional. Obviamente se fizesse sentido esturrar uma barbaridade de dinheiros públicos nesta acção de conservação claramente não prioritária...

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Re: Reintrodução da Águia-pesqueira em Portugal

Mensagem por ACarvalho em Sab Jul 16, 2011 2:50 pm

Gonçalo Elias escreveu:Alberto, se a EDP fosse totalmente privada eu nada teria a dizer ao destino que é dado ao dinheiro. A parte que questiono é a que envolve dinheiros públicos.

Quanto à parte da Rússia: podes indicar a cidade mais próxima do local onde estiveste? É só para cruzar dados do clima e da distribuição da espécie.
Respondido.

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Re: Reintrodução da Águia-pesqueira em Portugal

Mensagem por Gonçalo Elias em Sab Jul 16, 2011 4:16 pm

ACarvalho escreveu:
Gonçalo Elias escreveu:Alberto, se a EDP fosse totalmente privada eu nada teria a dizer ao destino que é dado ao dinheiro. A parte que questiono é a que envolve dinheiros públicos.

Quanto à parte da Rússia: podes indicar a cidade mais próxima do local onde estiveste? É só para cruzar dados do clima e da distribuição da espécie.
Respondido.


Estive a ver no Birds of Western Palearctic e a região em causa está dentro da área de distribuição de águia-pesqueira (perto do limite sul).

De qualquer forma os dados históricos de clima sugerem que a temperatura máxima raramente excede os 32 ou 33 graus (temperaturas semelhantes às de Cabo Verde e claramente inferirores às do Alentejo onde máximas de 39 graus acontecem quase todos os anos. O Verão de 2010 foi excepcionalmente quente nessa região da Rússia, com temperaturas máximas a atingirem os 40 graus durante vários dias, mas aquilo que acontece num dado ano não pode ser tomado como representativo do padrão climático de uma dada região, que é aquilo que realmente afecta as áreas de distribuição da espécie.

1 abraço,
Gonçalo
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Re: Reintrodução da Águia-pesqueira em Portugal

Mensagem por ACarvalho em Sab Jul 16, 2011 5:23 pm

Gonçalo Elias escreveu:Estive a ver no Birds of Western Palearctic e a região em causa está dentro da área de distribuição de águia-pesqueira (perto do limite sul).

De qualquer forma os dados históricos de clima sugerem que a temperatura máxima raramente excede os 32 ou 33 graus (temperaturas semelhantes às de Cabo Verde e claramente inferirores às do Alentejo onde máximas de 39 graus acontecem quase todos os anos. ...
Pois lá, todos os anos chega aos 40º. Sobretudo nas últimas décadas.
Aquilo por que eu passei, toda a gente lá me dizia que era "normal" no verão.
Ainda há poucos dias, entre fim de Junho e princípio de Julho, o calor era já tanto que as pessoas evitavam sair à rua.
Não sei é se, nestas alturas do ano as pesqueiras ainda por lá andam. Eu nesse Agosto vi milhares de corvos-marinhos no Volga, mas pesqueira, nenhuma.

Gonçalo Elias escreveu:... O Verão de 2010 foi excepcionalmente quente nessa região da Rússia, com temperaturas máximas a atingirem os 40 graus durante vários dias, mas aquilo que acontece num dado ano não pode ser tomado como representativo do padrão climático de uma dada região, que é aquilo que realmente afecta as áreas de distribuição da espécie.

1 abraço,
Gonçalo
Não foi nessa região.
Foi excepcionalmente quente em regiões mais a norte, como por exemplo Moscovo, onde as temperaturas chegaram pela 1ª vez na história aos 40º. Houve semanas seguidas de fogos florestais, e muitas cabeças rolaram. Muita gente viu cá nas notícias, que o fumo era tanto, que nem se via o outro lado da praça vermelha, nem o sol.
Dias depois, lembro-me de uma reportagem de um incêndio numa aldeia cá em Portugal, uma pessoa dizer que parecia que estava em Moscovo.

Abraço,
Alberto

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Re: Reintrodução da Águia-pesqueira em Portugal

Mensagem por Gonçalo Elias em Sab Jul 16, 2011 5:49 pm

Bem, eu não conheço o local em concreto por isso não posso dizer se as características do clima se adequam à espécie ou não.

De qualquer forma só mais uma nota sobre a distribuição: segundo o BWP (que citei acima) essa região está dentro da área de distribuição, contudo a distribuição não é certamente contínua ao longo do território - infelizmente os dados sobre a distribuição das aves na Rússia são muito escassos devido à imensidão do território.

1 abraço,
Gonçalo
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Re: Reintrodução da Águia-pesqueira em Portugal

Mensagem por Gonçalo Elias em Sab Jul 16, 2011 6:18 pm

Fui pesquisar ao site da BirdLife e encontrei isto. É interessante notal que a população da Rússia (parte europeia) tem uma dimensão estimada igual à da Suécia. Considerando a diferença de áreas, isto sugere que a população da Rússia tenha de facto uma distribuição muito mais esparsa.

Entretanto estive a ler com mais detalhe o texto do BWP e encontrei algumas passagens interessantes que cito:

"Shows wide climatic tolerance, especially in range of temperature and humidity" (não são apresentados números mas é uma informação interessante)

Sobre a situação na URSS (o livro data de 1980) diz o seguinte:
"Still common in northern taïga (c. 2 pairs per 100 km2 Onega Peninsula) where probably stable; in Estonia, Latvia and Leningrad region, c. 50 pairs and in central European region, where probably declining, c. 50 pairs."

Os locais referidos são todos a norte do paralelo 56 (casos de Letónia e Estónia), 60 (S. Petersburgo) ou mesmo 65 graus norte (Onega Peninsula). A espécie ainda ocorre na Bielorrússia (54 ºN na capital) mas está praticamente ausente da Ucrânia.

Com base em toda esta informação a sensação com que fico é que a área principal de distribuição na Rússia está entre os 55 e os 65 ºN (onde o clima é temperado) e que a espécie deverá ser relativamente rara a sul do paralelo 54.
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Re: Reintrodução da Águia-pesqueira em Portugal

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